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Da democracia participativa ao fascismo: o Brasil entre a liberdade e a opressão

“O assassinato de #MoaDoKatende é um sinal de que a gente não deve seguir com força no caminho que as pessoas, ilusoriamente, pensam que é a superação, quando é atraso. É volta. É medo da responsabilidade e da civilização.” (Caetano Veloso)

Em 2017, a diretora da Editora Boitempo, Ivana Jinkings, relatou em seu Facebook que, após divulgar o lançamento de livros infantis sobre marxismo, recebeu ligações de ameaças e mensagens ofensivas pela rede social. Este ano, poucos dias antes das eleições de outubro, sete obras sobre a história da luta pelos direitos humanos no Brasil foram destruídas na Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BCE/UnB).

A polícia de Porto Alegre investiga três criminosos que agrediaram uma mulher de 19 anos com socos e marcaram na barriga dela, com canivete, o símbolo nazista da suástica. Eles a abordaram quando ela que descia do ônibus, a caminho de casa, vestida com uma camiseta escrita #EleNão – slogan contra Jair Bolsonaro (PSL) –  e uma bandeira do arco-íris na mochila. No Rio Grande do Norte, uma médica rasgou a receita após paciente idoso dizer que havia votado em Fernanando Haddad, do PT.

A Lei da Mordaça (ou Escola sem Partido) prega esse tipo de ação para implantar, por meio de leis e da disseminação do medo, o pensamento único. Os resultados desse tipo de ideologia política de extrema-direita se manifestam, assiduamente, no mundo. No século XX, suscitou guerras, como a Segunda Guerra Mundial. No Brasil, aparece no racismo, na misoginia, na LGBTfobia, no anticomunismo etc. cotidianos.

Contudo, foi no dia da eleição, 7 de outubro deste ano, que isso explodiu de forma avassaladora: o mestre capoeirista Moa do Katendê foi assassinado com 12 facadas, em Salvador, Bahia, por um eleitor de Jair Bolsonaro (PSL): o político do Escola sem Partido, que prometeu acabar com as Terras Indígenas, extinguir as unidades de conservação e dizimar com Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra doando fuzis para latifundiários.

Esse é o Brasil no processo político-partidário eleitoral de 2018: um país tomado pelo ódio de classe, reações ultraconservadoras e de defesa de conteúdos neoliberais pelas elites extremistas internacional e nacional. A disputa eleitoral poderia ser pacífica e respeitosa e sem a ingerência dos EUA. Contudo, apresenta-se contaminada pelas ideias de extrema-direita e controlada por conservadores de país estrangeiro. Com isso, tornou-se visceral para o setor que quer implantar o fascismo como modelo único de gestão pública. Grupos armados querem abrir fogo contra os que querem aprofundar a democracia reconquistada, em 1985, após 21 anos de ditadura militar. Essa violência é uma característica singular da extrema-direita e visa a disseminar o ódio e a morte entre irmãos da mesma classe social.

Isso demonstra que, embora ainda se vivam momentos democráticos, o cenário da política partidária já coabita com o flagelo do fascismo e de outras reações autoritárias insufladas e defendidas pela elite de extrema-direita. A classe média, subalterna, embora assalariada ou dona de negócios modestos, também perdedora de direitos, segue atrás, replicando o ódio da elite. No entendimento de Vanessa Maria de Castro, professora da Universidade de Brasília (UnB), isso ocorre na construção desses cenários porque existem agendas políticas e econômicas em disputa, que consolidam os partidos em competição pela faixa presidencial.

É por meio dessa agenda e por dentro desses partidos políticos que está denominada a nomenclatura esquerda e direita.Trata-se de uma herança europeia. Os franceses dizem que o uso político dos termos esquerda e direita tem origem na Revolução Francesa, quando os liberais girondinos e os extremistas jacobinos se sentaram, respectivamente, à direita e à esquerda no salão da Assembleia Nacional. Na Inglaterra, por sua vez, esquerda e direita designam a forma como lords e comuns se organizavam na Câmara Inglesa.

O fato é que essas expressões se consolidaram, politicamente, de forma que, de um lado, o de direita, sempre defende ideias e práticas mais conservadoras, fundamentalistas e com várias fobias sociais para não perder regalias, poder e status; e, de outro lado, o de esquerda, sempre mais vinculado a projetos sociais e econômicos com distribuição de renda, defesa de direitos humanos e desenvolvimento ambientalmente sustentável.

“E aí se tem um marcador importante que é o eixo de um sistema e, assim, tem-se uma direita mais vinculada a uma agenda que se vai chamar de liberalismo ou de neoliberalismo; e outra agenda, de esquerda, com uma preocupação social. É possível ainda se ter dois movimentos em que um apoie uma agenda neoliberal em andamento, e vice-versa, daí a ideia do centro. E se tem um conjunto de centro que se pode chamar de social-democracia”, explica Vanessa.

Confira nesta entrevista exclusiva para o Sinpro-DF, conceitos fundamentais de política e categorizações que ajudam a entender o atual processo eleitoral, político e econômico do Brasil.

Entrevista||| Vanessa Maria de Castro

Sinpro-DF – Como surgem a extrema-esquerda e a extrema-direita?
Vanessa Maria de Castro – É quando surge, dentro do processo eleitoral, extremos dentro das agendas. Há partidos e candidatos, como, por exemplo, o PSDB, que pode ser considerado mais da social-democracia. Dentro dele se pode ter uma agenda de extrema-direita e uma de centro; nos partidos de esquerda, o mesmo: pode haver agenda de extrema-esquerda e de centro. É o caso do PT, que classifico como de centro-esquerda. No discurso da disputa, há quem o coloque como extrema-esquerda, mas ele não é e nem nunca foi. O PSOL pode ser considerado de extrema-esquerda porque se coloca dentro dessa agenda.

Sinpro-DF – Como o Brasil se localiza dentro dessas nomenclaturas?
Vanessa Maria de Castro – Num cenário histórico global, hoje, no Brasil, existe uma configuração, e aí estou falando de um processo eleitoral e não de uma ditadura, porque o que vivemos, em 1964, foi um processo de ditadura, e aí assume uma direita com agenda de extrema-direita, e se há uma figura de extrema-direita, haverá um processo de ditadura.

Sinpro-DF – E o que é ser de extrema-direita numa agenda de extrema-direita global? A extrema direita é o mesmo que ultradireita?
Vanessa Maria de Castro – Na literatura tem algumas nomenclaturas, que se confundem um pouco. Existem: extrema-direita, ultradireita, direita radical, nazismo, neonazismo, fascismo, neofascismo, extremista, nacionalista, chauvinista, geofóbicos (ou xenofóbicos), racistas e reacionários. Tudo isso está dentro de um bolo de extrema-direita. São nomenclaturas definidoras dessa questão. O que aconteceu na Segunda Guerra Mundial é que eles estavam dentro desse bojo todo. Eles criaram o nazismo e tinham uma questão de xenofobia, de raça única, de raça ariana. Há outras nomenclaturas definidoras de esquerda, extrema-esquerda, centro-esquerda. Deixo o populismo de fora disso.

Sinpro-DF – Por que a senhora retira o populismo daí se ele também é uma característica básica da extrema-direita?
Vanessa Maria de Castro – Porque ele também pode ser uma característica básica da extrema-esquerda. Não posso chamar a extrema-esquerda de racista porque, normalmente, ela não é. Ela não tem como palco a questão da racialidade.  Mas o populismo pode estar dos dois lados. Essa é uma questão que tem de ser diferenciada senão a gente acaba gerando uma confusão que os dois lados tem. Extremismo também é uma característica dos dois lados.

Sinpro-DF – O que é ser de extrema-direita e de direita e de extrema-esquerda  e de esquerda?
Vanessa Maria de Castro – A direita clássica defende a agenda do Estado mínimo, a noção de que a desigualdade é algo importante e inerente. Ela entra com o processo da moral, com a meritocracia e o desenvolvimento pessoal, que é uma teoria clássica deles, que assegura haver oportunidades. Contudo, as pessoas não se desenvolvem. Aí, se elas não se desenvolvem, a direita clássica culpa a ela (a pessoa) e não ao sistema.

Ou seja, a culpa é individual: o pobre continua pobre porque não soube pescar. No Brasil esse slogan é muito forte. Mas as oportunidades não são iguais. Como não são iguais, o Brasil não está tendo um processo democrático de distribuição de políticas públicas e as desigualdades iguais é, por exemplo, uma escola na qual qualquer estudante tenha acesso a um processo de formação com qualidade. Esse é um fator importante.

Nesse sentido, há dentro desse processo esse discurso, que é da direita de um modo geral, que irá atender a uma elite. É importante deixar claro que a direita está sempre defendendo uma elite: uma elite de um país, nacional, e a elite estrangeira. É a ela que a direita deve uma obediência. Na política, elite em si não se candidata. É tanto que a gente fala que a elite não tem rosto porque não importa quem esteja no poder; o que importa é quem está a serviço dela. Isso é outra característica fundamental na construção de uma elite. Há uma elite nacional, local, regional e internacional.

O Brasil participa muito pouco, como cadeira, como assento, da elite internacional, mas é um país alvo permanente do processo de interesses da elite internacional. Isso está claro nesta eleição de 2018. O Brasil interessa à elite internacional porque tem pré-sal, tem riquezas naturais, biológicas, minerais, patrimoniais; tem recursos naturais raros, e, além disso, o Brasil é um país que ocupa papel importante na América Latina como um espelho de políticas públicas, um espelho de transformação.

Sinpro-DF – A elite estrangeira quer, aqui, políticos e sistemas de extrema-direita para replicar a experiência em toda a América Latina. Como se faz isso?
Vanessa Maria de Castro – Se faz isso por meio de voto. Existe um estudioso da democracia brasileira comigo, no pós-doutorado, que desconstrói o mito da eleição. Mas, aqui, brevemente: quem elege hoje? Antigamente, quem elegia eram os recursos financeiros. Mas, hoje, são muito mais os recursos tecnológicos. Essa é a diferença desta eleição para as outras. Chamamos de eleição do smartphone.

Sinpro-DF – Por que os smartphones?
Vanessa Maria de Castro – Porque antigamente quem dominava eram as grandes empresas de comunicação e hoje são as redes sociais. Tinha-se uma Rede Globo, que era a principal do Brasil, que iria, então, pautar a agenda eleitoral. O que a Rede Globo dizia era fundamental no processo de construção do pensamento do eleitorado.

Sinpro-DF – A senhora quer dizer que os smartphones ocuparam o lugar da mídia?
Vanessa Maria de Castro – O Brasil se vê diante de um poder diminuído dessas grandes mídias e um poder central em outro processo, que é o que se constroi e se desconstroi dessa agenda em disputa. Discuto isso em dois momentos: Primeiramente, fazendo um paralelo porque essa agenda, como em todo lugar no mundo, é diferente. No Brasil ela é da moral, da família, dos bons costumes. Cai na agenda da religiosidade. Importante lembrar que o Brasil é cristão, seja ele católico, evangélico, espírita. E é sincrético. A igreja tem importância na formação da psiquê do indivíduo, mas participa do processo eleitoral porque está a serviço de uma elite.

A partir do momento em que a igreja adentra o processo de comunicação de massa, e usa os smartphones e as redes sociais, ela revela que quer estar na elite porque quer ter as benesses de elite. Por isso, chamamos, hoje, as igrejas, de mercado. A igreja é mercadoria. A fé hoje é uma mercadoria muito importante. Além das benesses, tem o status social e moral. Por isso, na idade média, toda família da elite tinha um filho da igreja.

Em segundo lugar, porque a igreja participa da não distribuição da riqueza do Estado que ela (a igreja) também toma para si. Importante esclarecer que a igreja brasileira faz uma coisa diferente: ela pega um bem que é público e transforma em um bem privado: o imposto. Quando ela não é taxada, não paga impostos, ela transforma um bem público, que é um dinheiro que seria aplicado na educação, na saúde, no transporte, na criação de emprego, na geração de renda, na segurança, na previdência e na assistência social, na garantia de moradia para a população, e transforma esse recurso para a igreja.

A igreja é um bem privado porque ela pertence a um grupo. Ela não é coletiva, não é um bem público. Ela é um bem individual e, por isso, a não taxação de impostos significa uma forma de transferência de recursos financeiros públicos, ou seja, uma renda que é do Estado que vai para um setor privado e esse privado tem nome. Posto isso, tem-se, então, essa arquitetura desse arranjo da religião.

Tem também o conservadorismo, que é a família, entendida como um núcleo heteronormativo. Isso é uma coisa muito forte. E esconde outra natureza ancestral que é a outra forma de constituição familiar. A história da humanidade mostra que existiam outras formas ancestrais de formação familiar, mas, no caso da história da modernidade, essas formas não são aceitas porque isso é uma maneira de unir e de oferecer uma fórmula fundamental que, sem isso, a igreja não existe: o pecado. O pecado entra nos preceitos morais, que é o medo. E é aí que a gente trabalha os processos de alienação.

Quando a pessoa tem medo, ela não age, não se liberta. É onde a pessoa se aprisiona. Assim, a igreja é elemento fundante do constitutivo de aonde fica apregoado o medo. O medo é consolidado na fala dessa religiosidade. Aí vem a questão do pecado que sempre é individual, nunca é coletivo. A não ser que se faça um ato coletivo, eu sei que eu estou pecando. Eu sou um pecador. Essa é uma forma de tutela da igreja para com os seus fiéis. Você tem uma questão fundamental, e aí vou falar um pouco dessa agenda internacional da extrema-direita, que é um pouco diferente da brasileira porque tem uma agenda que eles chamam de nativismo.

Sinpro-DF – O que é e por que eles chamam de nativismo?
Vanessa Maria de Castro – É quando os nascimentos de pessoas em determinada nacionalidade, por exemplo, da nacionalidade norte-americana, começam a diminuir ao ponto de estarem perdendo em número. Não é que os migrantes sejam maioria, mas os nativos perdem. O nativismo é quando, por exemplo, há um ativo de migrantes. É grave do ponto de vista da Europa hoje por causa das guerras no Oriente Médio e, em razão disso, disso a extrema-direita está crescendo bastante.

Ou seja, a extrema-direita está aumentando em países por causa das migrações resultantes das invasões e das guerras nas regiões próximas. E ao migrarem para a Europa, apresenta-se uma demanda muito grande e uma disputa por mercado de trabalho ao ponto de ter forçado a Inglaterra a sair, recentemente, da Comunidade Europeia (União Europeia), mesmo ela se prejudicando economicamente porque prevalece a ideia de que ela irá perder.

Sinpro-DF – O nativismo é uma questão de mercado?
Vanessa Maria de Castro – Não só. Tem também a racialidade. E esse é um tema fundamental brasileiro porque a extrema-direita nacional é racista e mata negros. No Estado brasileiro, de cada dez jovens negros, quatro irão morrer por homicídio. Isso é de uma gravidade sem limite. A extrema-direita não vê isso como um problema. Esse é um ponto crucial nesta eleição que não está sendo comentado.

As mulheres negras recebem salários menores do que as mulheres brancas, que, por sua vez, também recebem menores salários do que os homens negros, que, por seu turno, têm salários menores do que os homens brancos. Os indicadores de genocídio no Brasil mostram um indicativo de óbitos de negros como se o país tivesse vivendo uma guerra civil. É de uma gravidade sem limites.

Há, então, na conjuntura atual três elementos: a redução de empregos, a pauta moralista e a questão da racialidade. Esses são o que a gente chama de elementos que irão gerar essa combustão que, na verdade, é o ovo da serpente. Só que ela (a população brasileira) está quieta, não significa que ela tenha a vocação, mas tem uma tendência a gostar de uma agenda mais conservadora.

Sinpro-DF – O que significa uma agenda conservadora?
Vanessa Maria de Castro – Uma agenda de Estado mínimo. Não conheço nenhum país no mundo que tenha Estado mínimo como eles apregoam no Brasil. A França, a Alemanha e a Inglaterra são extremamente protecionistas. Têm sistema de bolsa-emprego, escolas públicas de qualidade, hospitais públicos de boa qualidade, sistema social de políticas públicas desenvolvido pelo serviço público. Nesse sentido, o Brasil sempre trabalhou com o que virou moda agora, que tem uma teoria que eu gosto muito de usar, mas eu vou usar o termo que está na moda agora, que é a teoria da pós-verdade.

Sinpro-DF – O que é a teoria da pós-verdade?
Vanessa Maria de Castro – É nada mais do que as fake News (notícias falsas). Aqui a gente volta aos smartphones. Cria-se uma mentira e a transforma em verdade.

Sinpro-DF – Qual é o problema disso?
Vanessa Maria de Castro – Isso é uma arquitetura de extrema-direita. A extrema-direita tem uma rede internacional entre si e, o Brasil, faz parte dessa rede. A extrema-direita é articulada internacionalmente e tem um processo de informação, dinheiro e recursos. Está crescendo em o todo mundo. Tem domínio tecnológico. Cria as fakes news. Mas as fake news só vão funcionar se o país assumir isso. As fake news não são criadas fora do Brasil. São criadas aqui dentro. Na área de comunicação social, por exemplo, é perceptível como a extrema-direita cria uma imagem com pouquíssimas palavras porque eles estão trabalhando com o processo da alienação. Tudo que tem poucas palavras é processo de alienação. E aí a gente volta à teoria da alienação.

Sinpro-DF – O que é alienação?
Vanessa Maria de Castro – É você passar uma ideia que não é verdadeira como se fosse verdade. Que é como o trabalhador vai defender o patrão. Não faz o menor sentido. Ele está sendo explorado e vai defender quem o está explorando? A não ser que ele esteja solidário. Mas não é o caso. Por que ele vai defender alguém ganhar mais dinheiro do que ele uma vez que esse ganhar mais dinheiro significa o seu próprio sofrimento? Então, quando o trabalhador defende essa ideia de extrema-direita, nessas condições, o nome disso é alienação. E aí se constroi isso porque se sabe que ele (o povo) estará refratário. Na história moderna da humanidade, ele é refratário. E Jair Bolsonaro tem ganhado largamente esse campo na campanha dele porque o brasileiro está refratário a tudo.

Sinpro-DF – O que é estar refratário a tudo?
Vanessa Maria de Castro – É, por exemplo, Bolsonaro fazer um discurso homofóbico e, logo em seguida, conseguir desconstruir esse discurso perante os seus eleitores e ainda ganhar adeptos pelo discurso da moralidade. Isso é estar refratário e essa é uma questão importante.

Fake news, então, é uma coisa que existe o tempo inteiro e ela se propaga rapidamente. E a esquerda não conseguiu fazer isso porque está comprometida com a verdade e, por isso, tem muita dificuldade de fazê-lo porque ela nunca esteve a serviço da construção disso. A direita não se preocupa com a verdade. Ela não está interessada na construção do poder porque ela está a serviço da elite. E a elite não está preocupada com a verdade. Não se pode cair nesse discurso moral. A grande moral da elite é ganhar dinheiro.

Sinpro-DF – Quais exemplos de pós-verdade?
Vanessa Maria de Castro – A eleição de Donald Trump. Toda a campanha de Trump foi realizada em cima de fake news. Tem um fato fundamental do Facebook do Trump que ele conseguiu falsear. Um pesquisador da Universidade de Cambridge conseguiu manipular informações do Facebook e descobriu o que as pessoas consumiam, o que faziam, o que elas curtiam, enfim, hoje em dia a pessoa que está nas redes sociais de internet é mapeada.

Ele conseguiu acessar 50 mil “amigos” ligados ao Facebook de Donald Trump e com isso atingiu mais de 350 mil eleitores. A campanha de Trump manipulou e mandou fake news e mensagens, via Facebook, para agradar e atrair pessoas para a sua eleição. Na eleição brasileira isto não está acontecendo pelo Facebook porque a empresa fechou essa porta de entrada. Contudo, está por meio de outras mídias sociais, como, por exemplo, o WhatsApp.

Sinpro-DF – O que a categoria está mais usando como meio de informação?
Vanessa Maria de Castro – O WhatsApp e as fake news. Explico: a cultura de massa está empobrecida no campo teórico. O campo teórico é você olhar uma realidade e tentar explicar como ela funciona. Para elaborar isso é preciso um pensamento mais sofisticado e quem enseja esse pensamento é a filosofia, a sociologia, a antropologia, a geografia, a história. A matemática dará o elemento bruto. Ela vai olhar para a realidade e dizer que lá fora há uma árvore e aí você vai perguntar que árvore é, por que ela está ali, como ela foi plantada ali, por que foi plantada, quanto custou. Esses são alguns dos elementos de análise científica de uma dada situação.

O problema é que, após a Constituição de 1988, houve um processo maciço de educação pública com recursos escassos, que provocou uma diminuição da qualidade da educação. Empobreceu a formação superior em todas as áreas. O processo de formação superior, incluindo aí o de professores/as, foi prejudicado. E aconteceu que as universidades puseram, no mercado, profissionais alienados, incapazes de transferirem o conhecimento crítico a outras pessoas. A categoria docente, como todas as outras áreas, padece desse problema e tem dificuldade de explicar uma realidade. Além disso, ele traz consigo uma formação moral que o impede de questionar a realidade: há um alto índice de professores evangélicos e isso é um elemento importante que dificulta a pessoa de questionar a realidade.

Sinpro-DF – Qual é o objetivo da educação?
Vanessa Maria de Castro – Questionar a realidade e repassar conhecimento. Não é somente repassar conhecimento. Só repassar conhecimento é o que Paulo Freire chama de educação bancária

Sinpro-DF – Qual é o problema hoje da rede pública de ensino?
Vanessa Maria de Castro – É um local em que há um forte processo de construção de um conhecimento bancário.

Sinpro-DF – E qual é a grande crítica ao docente?
Vanessa Maria de Castro – Que ele acha que está fazendo a educação crítica, que está dando o melhor de si, que se esforçou muito para conseguir a graduação, que estudou muito, trabalha muito, que está dando a melhor aula que podia. Então, é preciso ter muito cuidado quando critica porque senão parece que a culpa é da pessoa e não é. A culpa está no sistema que cria esse modelo de educação alienante e esse modelo é o da elite, a quem interessa um sistema alienado. Porque quando se colocam escolas de má qualidade a elite sabe que, com isso, terá uma massa de manobra em vez de profissionais pensantes.

Sinpro-DF – O que é massa de manobra?
Vanessa Maria de Castro – Massa de manobra é um processo que se tem que é refratário capaz de eleger um indivíduo como Jair Bolsonaro porque alguém em sã consciência e que olha sabe que o discurso dele é homofóbico, é misógino, é entreguista, é colonialista, é racista, porque ele externalizou isso várias vezes. A gente mostra o Bolsonaro externalizando o racismo dele para  um professor negro e esse professor diz: “Ah! Ele estava brincando!” A gente mostra a misoginia de Bolsonaro para uma professora e ela diz: “Nããão… Ele não é assim não. Ele é boa gente. Ele lê a Bíblia. Ele não é corrupto”. E aí vem outra questão que é a corrupção. Isso é ser refratário.

Sinpro-DF – O que é a corrupção?
Vanessa Maria de Castro – A corrupção é o ato de transformar um bem público em um bem privado. Ou agir de forma inadequada com um bem que é público. Sempre é um roubo de bem público do ponto de vista da política. Pode-se ter roubos familiares. Tem de tudo. Mas, nesse caso, é o bem público e, aí, a esquerda está vulnerável a uma agenda construída com elementos concretos de corrupção e, neste momento, Bolsonaro foi a pessoa que soube utilizar esse discurso e é fundamental dizer que ele foi protegido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Poder Judiciário porque há processos contra ele por corrupção. E mediante essa proteção, o Brasil se vê diante de uma plutocracia.

Sinpro-DF – O que é plutocracia?
Vanessa Maria de Castro – A plutocracia nada mais é do que o Estado estar a serviço da elite. O impeachment da Dilma Rousseff estava a serviço da elite. Não conseguiram provar nada contra ela. Então, por que ela não voltou para o Palácio do Planalto para completar o mandato? Nunca teve nada contra a Dilma no âmbito da corrupção. Foi acusada de pedaladas. Mas, aí, um mês depois que ela ter sido impedida, seu sucessor, Michel Temer, ao assumiu o Poder Executivo, praticou as pedaladas, que foram legalizadas pelos Três Poderes. E como é que fica? O STF pode?

A Dilma não voltou porque a agenda dela não interessava à elite. O pouquinho que foi distribuído nos governos Lula e Dilma para diminuir a extrema desigualdade que havia no Brasil e para tirar um contingente enorme da população da extrema miséria incomodou a elite nacional porque essa elite não quer a distribuição do dinheiro público. A elite brasileira vive na lógica da casa grande e senzala. Não é à toa que o Brasil foi um dos últimos países a acabar com a escravidão. E, mesmo depois da abolição, permaneceu a longo prazo e não teve nenhuma forma de distribuição de terras.

Nesse sentido, a elite brasileira sempre agiu assim. E ficou uma elite raivosa porque foi inventado um negócio chamado voto. Olha que coisa mais chata! Porque voto, todo mundo vota igual. E, agora, para piorar inventaram um negócio chamado urna eletrônica, que impede o coronel de controlar o voto do freguês. Antigamente, ele ia lá, pegava o título eleitoral de todo mundo e votava com esses títulos nele mesmo. Ele mandava na seção eleitoral. Hoje há uma certa autonomia.

Sinpro-DF – Mas como o capitalismo resolveu essa questão da autonomia do voto?
Vanessa Maria de Castro – Na compra do voto pelas propagandas. De acordo com Júlia Cagé, economista e professora da Sciense Pro, uma universidade com sede em Paris, um voto na França custa 32 euros. Ela questiona a democracia pelo voto em seu livro intitulado Le prix de la démocratie (“O preço da democracia”, em tradução livre), publicado na França, no fim de agosto deste ano, ao comparar o sistema de financiamento de campanhas eleitorais em diferentes países, como França, Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Alemanha e Canadá e analisar os responsáveis pelas doações de campanha e o resultado em relação às políticas.

Nesse sentido, quando se restringe o recurso financeiro de campanha, aí entra uma personagem chamada Bolsonaro, com fake news e a mídia porque a mídia hoje é barata. Qualquer um pode fazer miséria de um computador de sua própria casa. Se a pessoa tiver uma boa conexão de internet, uma boa rede social, contatos, ela fala com muito mais gente do que se fosse panfletar na rua o dia todo porque, só no Facebook, ela tem mais de quatro mil amigos e na vida real só tem alguns.

É o que o sociólogo e filósofo polonês, Zygmunt Bauman, chama de falsas amizades,  relações líquidas. Porque o voto hoje não é consolidado. Depois das eleições, o eleitor nem sequer irá lembrar em que votou para distrital. Boa parte nem lembra. Nesse sentido, há uma construção de um voto, e o brasileiro acha que isso é importante.

Sinpro-DF – Dentro desse conceito de plutocracia, podemos incluir aí essa ação da elite de transformar o Estado em um negócio dela?
Vanessa Maria de Castro – O Estado é sempre transformado em negócio pela elite independentemente de haver plutocracia ou não. Plutocracia é a pessoa estar no exercício de poder e a serviço da elite. Por isso que é plutocracia. O Estado está sempre a serviço dela (da elite). Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff tentaram ceder um pouquinho para as áreas sociais, mas no Brasil não é fácil porque aqui se assegura a autonomia e depois se perde o controle do povo, porque o povo é a massa de manobra.

Sinpro-DF – Qual é o detalhe fundamental desse processo?
Vanessa Maria de Castro – A maior ilusão que a gente tem é acreditar que a massa é de manobra e não tem interesse. Essa é uma grande ilusão. O processo de alienação não é pessoas que não sabem algo. Elas sabem e têm interesses. Um exemplo muito simples: alguém que ganha uma dentadura. Antigamente, em períodos eleitorais era bem comum isso. Por que a dentadura? Era um voto, uma dentadura. Ora, quem nunca sorriu  com dente, não sabe da alegria de sorrir com ele. A gente que tem dente não sabe o que é isso. Quem nunca andou descalço não tem ideia do que é ganhar um pé do sapato antes e o outro depois da eleição. Quem sempre teve casa para morar não sabe o que é não ter uma casa pra morar.

Sinpro-DF – Mas a pergunta que fica é: qual é o interesse da extrema-direita?
Vanessa Maria de Castro – Essa é a pergunta mais difícil de responder porque sempre o Brasil defendeu uma agenda conservadora. O que tem de ficar claro é que o diferencial é ganhar da extrema-direita. Tanto que a esquerda precisou sair do poder mediante um impeachment inventado porque quem estaria no processo de eleição agora, se não fosse o golpe da extrema-direita, seria a Dilma.

Sinpro-DF – O que a extrema-direita retirou da população em termos materiais?
Vanessa Maria de Castro – Por exemplo, a atuação do ex-presidente FHC com relação à educação. Retirou muito. A universidade pública e seus corpos docente e técnico-administrativo ficaram 8 anos sem reajuste salarial e a educação superior ficou sem investimento do Estado. Os/as servidores/as públicos/as ficaram sem reajustes e a universidade pública ficou sem dinheiro porque FHC fez um modelo de ensino superior privado para atender a uma elite.

Sinpro-DF – O que a agenda da extrema-direita defende?
Vanessa Maria de Castro – A extrema-direita defende o Estado mínimo, o choque de gestão, as privatizações, a entrega das riquezas naturais entre outras à elite estrangeira. A extrema-direita que está com muito espaço no país é adepta das demissões e planeja acabar, no serviço público, com a estabilidade. Defende a terceirização generalizada dos serviços públicos e o controle melhor os recursos financeiros da União por ela. No campo privado, entre várias retiradas de direitos, planeja reduzir mais ainda os direitos trabalhistas, taxar os assalariados e isentar os ricos, diminuir salários com trabalhos temporários, eliminar definitivamente a carteira de trabalho e outras conquistas. Pretende aprofundar as retiradas que já delineiam no cenário nacional com o golpe de 2016.

Em nenhum momento Bolsonaro afirmou que não irá aprofundar esse projeto de entrega do Brasil. E, para piorar essa agenda de extrema-direita, o seu vice, general Antônio Hamilton Mourão, disse, na imprensa, que irá fazer uma Constituinte de notáveis e eliminar a Constituição Cidadã de 1988, elaborada democraticamente após o golpe militar. Enfim, se Bolsonaro ganhar, o brasileiro estará legitimando o golpe de Estado de 2016.

 

FONTE: SINPRO/DF

Professoras e professores do DF se somam no combate ao fascismo e à violência contra mulher

Neste sábado (29), trabalhadores (as) engrossarão os atos realizados em todo o país contra o candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL). Seu discurso machista, misógino, homofóbico, racista, retrógrado e conservador, culminou em uma onda de indignação de mulheres e homens do Brasil e do mundo. Em Brasília, a concentração da atividade será às 14h, no gramado da rodoviária do Plano Piloto (entre o Conic e o Conjunto Nacional). Às 15h, ativistas sairão rumo à Torre de TV, onde será realizado ato político.

A iniciativa partiu de integrantes da página “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”. O grupo ganhou ainda mais visibilidade após sofrer retaliações e ataque cibernético. De acordo com as organizadoras, a estimativa é de envolvimento de  42 cidades brasileiras, além do apoio de movimentos  de Lisboa, Porto e Coimbra (Portugal), Berlim (Alemanha), Lyon (França), Galway (Irlanda), Barcelona (Espanha), Sidney e Gold Coast (Austrália), Londres (Inglaterra) e Haia (Holanda).

As mulheres são as mais atingidas com as políticas retrógradas do governo ilegítimo: a falta de investimentos em educação; a reforma trabalhista e previdenciária, aliadas à reforma do Ensino Médio, contribuem ainda mais para o aumento do fascismo e da intolerância no país e para criação de uma população sem consciência política. Além disso, é preciso que a luta em defesa das mulheres seja constante, principalmente porque elas são, diariamente, prejudicadas  pela cultura machista vivenciada no Brasil – as primeiras a perderem o emprego e o acesso a serviços básicos; alvos constantes da violência, intransigência e muito mais –.

Por isso, o Sindicato dos Professores (as) do DF convoca todos e todas a se unirem neste importante ato. “É preciso que toda a população entenda o que Bolsonaro representa para nós, mulheres, e para a classe trabalhadora. Este é um ato inédito no Brasil, composto por mulheres de expressão partidária, movimentos, sociais, populares e sindical. Temos que ir às ruas lutar para evitar que esse candidato tenha êxito. Alguém que não respeita as mulheres, sem dúvida, não merece o nosso voto, muito menos ocupar o Congresso Nacional. O Sinpro/DF conclama professoras e professores a engrossarem as trincheiras e dizer Ele Não”, reafirmou a diretora do Sinpro, Rosilene Corrêa.

Clique aqui e confira o texto da secretária de Relações de Gênero da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Isis Tavares Neves, sobre a importância da participação de todos (as) nas ações do dia 29 de setembro.

Fonte: Sinpro/DF com informações CNTE

PT-DF confirma chapa pura com Miragaya para o Palácio do Buriti

Os petistas não se aliaram a outras legendas no Distrito Federal e lançarão dois candidatos ao Senado: Wasny de Roure e Marcelo Neves

O Partido dos Trabalhadores aprovou, neste domingo (5/8), a formação de uma chapa puro sangue para as eleições no Distrito Federal. A legenda não conquistou apoio para a formação de uma coligação e oficializou o nome do economista Júlio Miragaya para o Palácio do Buriti.

A camponesa Cláudia Farinha comporá como vice, enquanto Wasny de Roure e Marcelo Neves serão os candidatos ao Senado.

A convenção deste domingo começou tumultuada por conta de protestos de dois militantes do partido. Eles criticavam a retirada dos seus nomes da nominata da legenda. Diante dos gritos da dupla, Miragaya pediu calma e conclamou todos à unidade. “Nosso inimigo está lá fora. Eu queria já estar com a organização de campanha cheia e forte, mas precisamos estar juntos”, disse o economista.

Em seu discurso, a presidente regional do PT, Érika Kokay, apontou o governador Rodrigo Rollemberg como o principal adversário na disputa ao GDF. “Vamos radicalizar na questão de devolver a democracia e o diálogo para nossa cidade. Queremos o resgate da ética no governo, porque uma gestão que desrespeita o servidor e não cumpre leis não pode ser considerada ética”, disse a deputada federal.

O PT venceu duas eleições no DF, em 1995, com Cristovam Buarque (PPS), e em 2010, com Agnelo Queiroz. A legenda costumava contar com o apoio da centro-esquerda local, mas os escândalos nacionais, que resultaram no impeachment de Dilma Rousseff e na prisão do o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afugentaram os ex-aliados.

FONTE: Metrópoles

 

PT anuncia Haddad como vice na chapa de Lula

Ex-prefeito de São Paulo é o coordenador da campanha do petista; PCdoB de Manuela D’Ávila desiste da candidatura própria e fecha aliança com o PT

A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores decidiu ainda na noite deste domingo (5), pouco antes do fim do prazo permitido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que Fernando Haddad será vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi anunciada no início da madrugada desta segunda-feira (6), em São Paulo, após reunião dos dirigentes da legenda. O PCdoB desistiu da candidatura de Manuela D’Ávila para apoiar o nome de Lula e Haddad na disputa.

O ex-presidente da República está preso desde 7 de abril na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba. Ele cumpre pena pela condenação a 12 anos e um mês pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de favorecimento ilícito ao receber um apartamento tríplex, no Guarujá (SP), como forma de propina da construtora OAS.

Apesar de preso e enquadrado como ficha suja, a lei permite que Lula registre a candidatura. O efeito na inelegibilidade, no entanto, dá-se após uma impugnação da candidatura por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No último mês, dois pedidos foram negados pelo órgão, que alega poder contestar a possibilidade do petista concorrer às eleições apenas após o registro, que deve ser feito no dia 15 de agosto.  Segundo a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, a ideia é que Haddad seja o representante direito de Lula no período que antecede o registro da candidatura. Após, com a possibilidade de a candidatura de Lula ser negada, Haddad assume a chapa e Manuela fica de vice.

“Neste momento temos o Haddad como candidato a vice pela proximidade dele com o Lula, para fazer a representação do presidente Lula neste processo. A partir de amanhã já iniciamos a pré-campanha. Haddad e Manuela já vão sair pelo Brasil em uma agenda forte e vamos estar juntos”, afirmou Gleisi.

O partido anunciou a chapa no último dia previsto, de acordo com o calendário eleitoral. A lei estabelece que a definição do vice deve ser realizada no mesmo período em que ocorrem as convenções partidárias. O encontro nacional do PT foi realizado neste sábado (4), mais na ocasião ainda não havia consenso sobre o nome. Em carta divulgada mais cedo, Lula afirmou que o nome preferido para a chapa era o de Haddad.

“Tenho certeza que será um dia de celebração para todas os militantes do Brasil. Vamos sair juntos nesta campanha”, afirmou Haddad.

Hadadd é o coordenador da campanha de Lula e ex-prefeito de São Paulo. Todos os pontos do programa de governo, divulgado na última sexta-feira (3), foram elaborados com a ajuda de Haddad. Ele intermediou as reuniões entre a equipe do governo e Lula em visitas feitas ao petista na carceragem.

Filiado ao PT desde 1983, Haddad é formado em direito pela Universidade de São Paulo (USP).  Além de prefeito de São Paulo, Haddad já atuou como subsecretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico na gestão de Marta Suplicy na capital paulista (2001), assessor do Ministério do Planejamento e Finanças na gestão Guido Mantega (2003-2004); e ministro da Educação no governo de Dilma Rousseff.

A deputada estadual gaúcha chegou a ser lançada como candidata ao cargo de presidente da República pelo PCdoB. Contudo, a sigla não havia descartado abrir mão da disputa para compor a chapa petista. Na ocasião, Manuela afirmou que prioriza alianças e uma agenda em comum com os partidos de esquerda.

FONTE: Jornal Destak

Fachin defende celeridade do STF em julgamento do recurso que pede suspensão da pena de Lula

Defesa recorreu contra decisão do ministro que rejeitou suspender a pena de prisão do petista. Para Fachin, julgamento deveria ocorrer antes do próximo dia 15 para evitar dúvidas no processo eleitoral.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta quarta-feira (1º) que a Corte analise com celeridade um recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que pede a suspensão da pena de prisão do petista (ouça acima o áudio da entrevista).

No STF, a defesa tenta, por meio de um recurso, suspender a pena de prisão de Lula até que a condenação seja analisada pelas instâncias superiores. Em junho, Fachin negou um pedido de liminar para suspender a prisão, mas o mérito do recurso ainda será julgado pelo plenário do STF, ainda sem data marcada pela presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia.

Lula foi preso em 7 de abril, depois de ser condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP). Lula se diz inocente.

A prisão do ex-presidente foi baseada em entendimento do STF de que a pena pode começar a ser cumprida a partir da condenação na segunda instância, como o TRF-4. A defesa de Lula, no entanto, argumenta que ele tem direito de ficar livre enquanto houver possibilidades de recursos.

Questionado nesta quarta sobre se considera importante que o pedido de Lula seja julgado antes do dia 15 de agosto, data final para que os partidos registrem candidaturas à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Fachin respondeu: “Acho que sim”.

Segundo o ministro, porém, a data do julgamento “depende de quem gestiona a pauta, que é a presidente [Cármen Lúcia]”.

“Toda a celeridade em matéria eleitoral é importante para não deixar dúvida no procedimento”, defendeu Fachin.

Inelegibilidade
Apesar de Fachin ter defendido que o recurso do ex-presidente seja julgado antes do dia 15, ainda não se sabe se, no julgamento, será discutida a inelegibilidade de Lula.

Isso porque, inicialmente, a defesa de Lula pediu no recurso STF que fossem suspenso os efeitos da condenação do petista – ou seja, a prisão e a inelegibilidade.

Posteriormente, porém, os advogados de Lula informaram que o pedido se tratava exclusivamente da suspensão da prisão do ex-presidente.

Na prática, se o plenário do Supremo Tribunal Federal decidir que Lula está inelegível, o ex-presidente não terá outra instância para recorrer. Mas, se a discussão sobre o tema ficar com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a defesa de Lula poderá, em tese, recorrer ao STF.

Ainda em junho, após a defesa de Lula ter dito que pedido não tratava da inelegibilidade de Lula, Fachin determinou que os advogados esclarecessem o motivo de terem mencionado a inelegibilidade no pedido inicial de liberdade do ex-presidente e depois terem reivindicado a retirada da questão.

Até o momento, porém, os advogados de Lula ainda não se manifestaram sobre a questão.

Por Rosanne D’Agostino, G1, Brasília

Senadores defendem plebiscito: Brasil precisa de mais democracia

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A realização de um plebiscito para consultar a população brasileira sobre a realização de novas eleições presidenciais, sugerida pela presidenta eleita Dilma Rousseff, em carta enviada ao Senado, esta semana, foi defendida por diversos senadores.

O senador João Capiberibe (PSB-AP) destacou que a proposta do plebiscito ganhou uma adesão importante: a da presidenta afastada, Dilma Roussef. “Espero que o presidente interino Michel Temer faça o mesmo, em respeito à sociedade brasileira”, afirmou o senador.

Para a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), uma consulta popular seria o ideal para resolver o impasse político pelo qual passa o Brasil. E seria uma solução democrática para socorrer a democracia brasileira.

“Porque se vivemos, e é fato, uma crise política, não podemos nós imaginar que a saída da crise política se chama Michel Temer. Pelo contrário. No entendimento que nós temos, a permanência desse presidente interino no poder fará tão somente agravar a crise política e institucional do país. Tomaram de assalto a cadeira da presidenta porque querem promover reformas profundas no Estado brasileiro. Querem trazer de volta o projeto neoliberal”, afirmou Vanessa.

João Capiberibe concorda com a colega parlamentar. Ele também avalia que um possível impeachment não vai resolver a grave crise política vivida pelo Brasil. Para superá-la, o país precisa de mais democracia, o que se concretizaria com a realização do plebiscito, reforçou o parlamentar.

“Essa é única saída para debelar a crise política, econômica e moral do país. Por isso, votamos contra o impeachment. Nosso objetivo é o plebiscito, para que o povo decida se quer a eleição de presidente de transição até 2018, ou não. Vamos convocar o povo às urnas para que ele decida que caminho devemos seguir”, defendeu.

O processo de impeachment, segundo Capiberibe, nada mais é que uma cortina de fumaça para tentar esconder uma nova eleição presidencial, dessa vez com apenas 81 eleitores e dois candidatos: Dilma Roussef e Michel Temer. Também representa, em sua avaliação, o fracasso da representação política no Congresso Nacional, que não soube encontrar uma saída para a crise.

Com informações da Agência Senado

 

Quem deve decidir o futuro do país é o povo, afirma Dilma

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Em mensagem dirigida à população brasileira e ao Senado, lida nesta terça-feira (16) durante pronunciamento no Palácio da Alvorada, a presidenta eleita Dilma Rousseff reafirmou seu compromisso com a democracia, denunciou o golpe contra seu mandato e defendeu a realização de um plebiscito para que o povo decida sobre uma eventual antecipação das eleições presidenciais.

“Todos sabemos que há um impasse gerado pelo esgotamento do sistema político, seja pelo número excessivo de partidos, pelas práticas políticas questionáveis a exigir profunda transformação nas regras vigentes. Estou convencida da necessidade e darei apoio irrestrito à convocação de plebiscito para consultar a população sobre a realização antecipada de eleições, bem como sobre a reforma política e eleitoral”, afirmou a presidenta.
Sobre o processo de impeachment Dilma reforçou que é uma fraude contra o seu mandato porque não há crime de responsabilidade.

“Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo ‘conjunto da obra’. Quem afasta o presidente pelo ‘conjunto da obra’ é o povo e, só o povo, nas eleições. Por isso, afirmamos que, se consumado o impeachment sem crime de responsabilidade, teríamos um golpe de Estado. O colégio eleitoral de 110 milhões de eleitores seria substituído, sem a devida sustentação constitucional, por um colégio eleitoral de 81 senadores”, salientou.

E finalizou: “O que peço aos senadores e senadoras é que não se façam a injustiça de me condenar por um crime que não cometi. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente. A vida me ensinou o sentido mais profundo da esperança. Resisti ao cárcere e à tortura. Gostaria de não ter que resistir à fraude e à mais infame injustiça”.

Foto: Roberto Stuckert Filho

Com informações do Portal Vermelho

 

 

Frentes populares publicam nota contra o golpe e apontam que mobilização crescerá no Brasil

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O Brasil assistiu neste domingo (17) ao espetáculo golpista a cada voto parlamentar em defesa da saída da presidenta Dilma Rousseff, eleita por 54,5 milhões de votos. Seguidos de discursos conservadores, os deputados mostraram na Câmara dos Deputados como estão distantes do povo.

Pouco depois das 23h, os 342 votos que permitem a continuidade do processo de impeachment foram alcançados, número que representa dois terços do total de 513 deputados.

Diante do cenário, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo lançaram nota contrária ao resultado da votação, mas firmando que a mobilização nas ruas irá crescer. Os movimentos apontam como caminho uma “profunda reforma do sistema político” e garantem que jamais reconhecerão um governo como o de Michel Temer (PMDB-RJ), que comanda um processo de golpe institucional.

Confira, abaixo, a nota na íntegra.

Não aceitamos o golpe contra a democracia e nossos direitos!

Vamos derrotar o golpe nas ruas!

Este 17 de abril, data que lembramos o massacre de Eldorado dos Carajás, entrará mais uma vez para a história da nação brasileira agora como o Dia da Vergonha. Isso porque uma maioria circunstancial de uma Câmara de Deputados manchada pela corrupção ousou autorizar o impeachment fraudulento de uma presidente da República contra a qual não pesa qualquer crime de responsabilidade.

As forças econômicas, políticas conservadoras e reacionárias que alimentaram essa farsa têm o objetivo de liquidar direitos trabalhistas e sociais do povo brasileiro. São as entidades empresariais, políticos como Eduardo Cunha, réu no STF por crime de corrupção, partidos derrotados nas urnas como o PSDB, forças exteriores ao Brasil interessadas em pilhar nossas riquezas e privatizar empresas estatais como a Petrobras e entregar o pré-sal às multinacionais.

E fazem isso com a ajuda de uma mídia golpista, que tem como o centro de propaganda ideológica golpista a Rede Globo, e com a cobertura de uma operação jurídico-policial voltada para atacar determinados partidos e lideranças e não outros,

Por isso, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo conclamam os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, e as forças democráticas e progressistas, juristas, advogados, artistas, religiosos a não saírem das ruas e continuar o combate contra o golpe através de todas as formas de mobilização dentro e fora do País.

Faremos pressão agora sobre o Senado, instância que julgará o impeachment da presidente Dilma sob a condução do ministro Lewandowski do STF. A luta continua contra o golpe em defesa da democracia e nossos direitos arrancados na luta, em nome de um falso combate à corrupção e de um impeachment sem crime de responsabilidade.

A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo desde já afirmam que não reconhecerá legitimidade de um pretenso governo Temer, fruto de um golpe institucional, como pretende a maioria da Câmara ao aprovar a admissibilidade do impeachment golpista.

Não reconhecerão e lutarão contra tal governo ilegítimo, combaterá cada uma das medidas que dele vier a adotar contra nossos empregos e salários, programas sociais, direitos trabalhistas duramente conquistados e em defesa da democracia, da soberania nacional. Não nos deixaremos intimidar pelo voto majoritário de uma Câmara recheada de corruptos comprovados, cujo chefe, Eduardo Cunha, é réu no STF e ainda assim comandou a farsa do impeachment de Dilma.

Continuaremos na luta para reverter o golpe, agora em curso no Senado Federal e avançar à plena democracia em nosso País, o que passa por uma profunda reforma do sistema político atual, verdadeira forma de combater efetivamente a corrupção.

Na história na República, em vários confrontos as forças do povo e da democracia sofreram revezes, mas logo em seguida, alcançaram a vitória. O mesmo se dará agora: venceremos o golpismo nas ruas!

Portanto, a nossa luta continuará com paralisações, atos, ocupações já nas próximas semanas e a realização de uma grande Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora, no próximo 1º de maio.

A luta continua! Não ao retrocesso! Viva a democracia!

Frente Brasil Popular
Frente Povo Sem Medo

CUT: Não aceitamos o golpe contra a democracia e nossos direitos!

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Este 17 de abril entrará para a história da nação brasileira como o dia da vergonha. Uma maioria circunstancial de uma Câmara de Deputados manchada pela corrupção ousou autorizar o impeachment de uma presidente da República contra a qual não pesa qualquer crime de responsabilidade!

As forças sociais e políticas que alimentaram essa farsa – entidades empresariais, políticos como Eduardo Cunha, réu no STF por crime de corrupção, partidos derrotados nas urnas como o PSDB, interesses exteriores ao Brasil interessados em pilhar nossas riquezas e privatizar empresas como a Petrobras e entregar o Pré-sal para as multinacionais – com a ajuda de uma mídia golpista como a Rede Globo e com a cobertura de uma operação jurídico-policial voltada para atacar determinados partidos e lideranças e não outros, tem o objetivo de liquidar direitos trabalhistas e sociais do povo brasileiro.

Por isso a CUT conclama os trabalhadores e trabalhadoras, os seus parceiros da Frente Brasil Popular e Frente Povo sem Medo, a não sairmos das ruas e continuarmos o combate contra o golpe através de todas as formas de mobilização e com pressão agora sobre o Senado, instância que julgará o impeachment da presidente Dilma sob a condução do ministro Lewandowski do STF.

A luta continua contra o golpe tramado para derrubar uma presidente eleita, contra a democracia e nossos direitos arrancados na luta, em nome de um falso combate à corrupção e de um impeachment sem crime de responsabilidade.

Empenhada em abrir uma saída positiva para a crise em que o país está mergulhado, a CUT desde já afirma que não reconhecerá legitimidade num eventual governo Temer que fosse fruto de um golpe institucional, como pretende a maioria da Câmara ao aprovar a admissibilidade do impeachment.

Não reconhecerá e lutará contra tal governo ilegítimo, combaterá cada uma das medidas que ele vier a adotar contra nossos empregos e salários, contra nossos direitos sociais e trabalhistas duramente conquistados e em defesa da democracia, da soberania popular e da soberania nacional.

Não nos deixaremos intimidar pelo voto majoritário de uma Câmara recheada de corruptos comprovados, cujo chefe, Eduardo Cunha, é réu no STF e ainda assim comandou a farsa do impeachment de Dilma, e continuaremos na luta até reverter o golpe em curso e restabelecer a plena democracia em nosso país, o que passa por uma profunda reforma do sistema político atual, verdadeira forma de combater efetivamente a corrupção.

A luta continua!

Central Única dos Trabalhadores

Em defesa da democracia, movimentos sociais fazem manifestação em Brasilia

manifestação na rodoviária

Em Brasília, as manifestações marcadas pelas centrais sindicais e movimentos sociais para esta sexta-feira (13), começaram às 14 horas com uma concentração na Praça dos Aposentados, na região central da capital federal. Após uma assembleia popular com todos os movimentos envolvidos, o grupo seguiu até a rodoviária do Plano Piloto, que fica ao lado da Esplanada dos Ministérios, por volta das 17 horas.

O movimento tem como foco a busca por direitos trabalhistas, a reivindicação pela reforma política e a defesa da Petrobras e da democracia. E fará contraponto a investida da direita que marcou uma manifestação para domingo (15) em uma tentativa golpista contra o governo Dilma Rousseff, eleito democraticamente pela maioria do povo brasileiro.

Segundo os organizadores, o ato reúne militantes, dirigentes sociais e integrantes da sociedade civil comprometidos com a ampliação da democracia, a garantia de direitos sociais e a defesa das empresas estatais (Petrobras, Caixa, Correios, entre outras) e contra a expansão do pensamento neoliberal, privatista e elitista, que repercute um comportamento predatório e de ódio.

O movimento, que faz parte do ato nacional que vai levar manifestações a todas as capitais do país, convocado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), terá a participação da  Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (ABRAÇO), da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e de movimentos LGBT.

Com nformações do Portal Vermelho e CUT