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Seminário discute fomento para projetos de desenvolvimento sustentável no Sudeste

Realizado pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e pelo WWF-Brasil, com apoio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), o 2º Ciclo de Seminários Regionais – edição Sudeste acontece dia 11 de outubro, em Belo Horizonte (MG).

O objetivo do evento é discutir sobre o papel das instituições de fomento e encontrar de soluções para transformar o Brasil em uma nação comprometida com a causa ambiental e com o desenvolvimento econômico e social.

“A iniciativa da ABDE em parceria com o WWF-Brasil é de extrema importância para entender as necessidades econômicas e ambientais de cada localidade e como as instituições financeiras de desenvolvimento podem auxiliar no incentivo a projetos que buscam o futuro sustentável”, ressalta o presidente da ABDE, Perpétuo Cajazeiras.

Durante a abertura estarão presentes o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, o presidente do BDMG, Sérgio Gusmão, a diretora de Engajamento da Sociedade do WWF Brasil, Gabriela Yamaguchi, e o presidente da ABDE, Perpétuo Cajazeiras. Voltado para vários segmentos e especialistas no tema, o evento acontecerá das 8h30 até 17h30, na sede do BDMG, em Belo Horizonte. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site da ABDE.

A programação também conta com especialistas que farão palestras sobre temas como os desafios globais do desenvolvimento sustentável, oportunidades de desenvolvimento no Sudeste, o papel da região no desenvolvimento sustentável e os desafios e potencialidades para a região. O Seminário será dividido em quatro painéis, o primeiro discutirá os desafios do desenvolvimento sustentável, o segundo o papel dos atores locais, o terceiro sobre recursos hídricos e saneamento e o último sobre cidades e sustentabilidade.

SERVIÇO
2º Ciclo Seminários Regionais – edição Sudeste
Data: 11 de outubro de 2019
Horário: 8h30 até 17h30
Local: r. da Bahia, 1600, Lourdes, Belo Horizonte/MG 
Inscrições:http://abde.org.br/inscricoes-abertas/

FONTE: ASCOM/WWF-BRASIL

CCJ aprova punição para quem adulterar substância destinada a reduzir poluição

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (25), proposta que torna crime adulterar, produzir, guardar, comercializar, transportar, adquirir ou instalar tecnologia, equipamento, acessório ou substância que possa tornar ineficiente ou inoperante os sistemas de controle de emissões de poluentes. A pena prevista é detenção de dois a quatro anos e multa.

O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo relator na comissão, deputado Nicoletti (PSL-RR), ao Projeto de Lei 6057/16, do deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). A proposta acrescenta um artigo à Lei dos Crimes Ambientais.

Um dos objetivos do projeto é evitar fraudes no uso do aditivo Arla 32, responsável pela redução das emissões de óxido de nitrogênio em veículos a diesel classificados como comerciais pesados, semipesados e ônibus fabricados após janeiro de 2012. O aditivo transforma o óxido de nitrogênio, que é agressivo ao meio ambiente, em nitrogênio e água, como lembrou Nicoletti.

“Conforme divulgado pela imprensa, motoristas, transportadoras e oficinas mecânicas, com o objetivo de reduzir os custos com o Arla 32, vêm burlando as exigências legais através de diversas maneiras, o que coloca em risco tanto o meio ambiente quanto a saúde de um número indeterminado de pessoas”, observou o relator.

Texto ampliado
O substitutivo amplia o projeto original para englobar diversas condutas, além da adulteração de tecnologia ou substância destinada a reduzir a poluição ambiental.A pena também foi alterada no substitutivo. Originalmente, previa-se reclusão de um a quatro anos e multa para quem praticasse o crime.

O texto aprovado prevê a mesma pena de detenção de dois a quatro anos e multa para quem fraudar a leitura dos índices de emissões durante os procedimentos de homologação, inspeção ou fiscalização e ainda suprimir qualquer componente do sistema de controle de emissão de poluentes.

Já o agente que fizer uso de tecnologia, equipamento, acessório ou substância sem incorrer nas outras condutas descritas no projeto será punido com detenção de seis meses a um ano e multa.

Tramitação
O projeto ainda será analisado pelo Plenário. Anteriormente, o texto foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

FONTE: Agência Câmara Notícias

Mudanças climáticas ameaçam um bilhão de pessoas em regiões costeiras, polares e montanhosas

Nenhuma parte do mundo será poupada dos impactos das mudanças climáticas. Conforme os oceanos esquentarem e as camadas de gelo e geleiras derreterem, haverá um rápido aumento do nível do mar que pode afetar um bilhão de pessoas até 2050.

A aceleração das mudanças nos oceanos e na criosfera – a neve da terra e os locais cobertos de gelo – é uma das consequências mais dramáticas da crise climática. Um novo relatório da ONU do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC) deixa claro que as mudanças continuarão e serão irreversíveis, mesmo que o clima se estabilize. Por exemplo, espécies polares dependentes de gelo, como morsas e pinguins, são ameaçadas quando seu habitat de gelo marinho está desaparecendo.

No entanto, podemos gerenciar os piores riscos reduzindo drasticamente as emissões. Isso dará às pessoas e à natureza mais tempo para se adaptar. Quando os ecossistemas estão protegidos e restaurados, eles podem continuar a apoiar os meios de subsistência e o bem-estar humanos, além de ajudar a mitigar os riscos climáticos.

Este relatório vem logo em seguida à Cúpula de Ação Climática de segunda-feira na cidade de Nova York, onde os maiores emissores do mundo falharam ao apelo do Secretário-Geral da ONU de trazer planos ambiciosos e concretos para reduzir ainda mais suas emissões.

O Dr. Stephen Cornelius, consultor-chefe em mudança climática do WWF, criticou a falta de novos compromissos pelos países grande poluentes, alegando que isso é “jogar com a vida das pessoas”.

“Promessas nacionais climáticas fracas significam que provavelmente temos melhores chances de quebrar o banco no cassino de Monte Carlo do que limitar o aquecimento global a 1,5 ° C. A política não pode mudar a ciência. Os líderes devem agir agora para garantir um futuro positivo para o planeta e investir em cortes rápidos e profundos nas emissões de gases de efeito estufa, além de aumentar significativamente o financiamento para resiliência e adaptação”, diz Cornelius.

Já o Dr. Peter Winsor, diretor do Programa Ártico do WWF, afirmou que o derretimento sem precedentes das geleiras e geleiras da Groenlândia e Antártica é agora o maior contribuinte para o aumento global do nível do mar que afetará centenas de milhões de pessoas.

“Ainda podemos salvar partes da nossa criosfera, mas devemos agir agora. Os compromissos existentes dos governos para combater as mudanças climáticas são inadequados. Os quatro milhões de pessoas que vivem no Ártico estão lidando com o desaparecimento de fontes de alimentos e lutando para impedir que suas casas deslizem para o oceano. As regiões polares, suas pessoas e espécies, dependem da nossa ação imediata”, falou Winsor.

Impactos na vida costeira brasileira
Até 2050, à medida que o nível do mar subir e os estoques de peixes mudarem devido ao aquecimento do oceano, um bilhão de pessoas que vivem em áreas costeiras baixas estará em risco. Esta mudança pode levar ainda à migração em larga escala, pois as pessoas devem fugir dos locais com possibilidades de inundações e seguir os peixes dos quais dependem. No Brasil, onde há uma imensa faixa costeira, isto gera consequências extremamente graves e traz um novo chamado para a ação, como explica a gerente do programa Marinho, Anna Carolina Lobo:

“Cerca de um quarto da população brasileira vive em municípios da região costeira. As ameaças aos nossos oceanos e aos recursos hídricos de forma geral representa um ataque direto à nossa qualidade de vida, resiliência costeira e geração de emprego e renda para milhares de pessoas. Estima-se que até 2030, o mundo perderá 90% dos recifes de corais. Eles são fundamentais no equilíbrio da vida marinha e proteção da costa contra eventos extremos”, afirma Anna Carolina.

De acordo com Anna Carolina, “este novo relatório reforça a necessidade urgente de harmonizarmos conservação com desenvolvimento. Pessoas, empresas e governos precisam assumir protagonismo na proteção dos nossos oceanos e da nossa vida marinha, por meio da diminuição de emissões de gases de efeito estufa, consumo responsável de pescados, e  geração, uso e descarte de plástico e outros resíduos”, diz.

Para a analista de conservação do WWF-Brasil Renata Camargo este relatório traz ainda mais evidência sobre os efeitos devastadores das mudanças climáticas na vida marinha.

“Branqueamento de corais e diminuição de espécies marinhas em várias regiões do Brasil são apenas alguns dos impactos. A ciência deixa claro que a luta contra as mudanças climáticas é uma questão de sobrevivência. É preciso ações fortes e urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e para adaptar aos efeitos que já estão acontecendo”, conclui Renata.

FONTE: ASCOM/WWF

20/09: Sexta-feira terá mobilização de jovens pelo clima em todo o mundo. Veja os locais no Brasil

Nesta sexta-feira, 20 de setembro, antecedendo a Cúpula de Ação Climáticas (Climate Action Summit)  da ONU em Nova York, crianças, jovens e adultos do mundo todo estarão unidos em uma grande mobilização. Enquanto lideranças mundiais se reúnem para debater saídas para a crise ambiental, milhares de cidadãos em todos os continentes irão às ruas cobrar medidas rápidas e efetivas para a contenção das mudanças climáticas em níveis seguros para a vida na Terra.

Ao demonstrar o poder das pessoas, os organizadores pretendem tornar essa semana um ponto de virada na história. “Nós, jovens cidadãos, estamos ao lado dos cientistas, que há décadas vêm pesquisando e nos alertando sobre os riscos que corremos. Segundo 99% dos estudos climáticos, nosso tempo de existência na Terra está se esgotando e, a cada momento sem uma atitude climática efetiva, o risco de um colapso ambiental cresce rapidamente”, explica Nayara Almeida, do Fridays for Future Brasil.

Além da greve liderada pelos jovens, em alguns países as manifestações vão culminar na Primeira Greve Geral pelo Clima, em 27 de setembro, com o engajamento dos trabalhadores (saiba mais aqui). Juntos, grupos e organizações comunitárias estão organizando ações adicionais durante a “Semana pelo Futuro e pela Justiça Climática”, em tradução literal, que acontecerá entre os dias 20 e 27 de setembro. O objetivo é conscientizar mais cidadãos sobre os impactos devastadores dos colapsos climático e ecológico que já estão sendo sentidos em todo o mundo, vitimando especialmente as populações mais vulneráveis.

O movimento no Brasil
No Brasil, já são mais de 30 cidades confirmadas para as manifestações dos dias 20 a 27, dentre elas São Paulo, Rio de Janeiro, Ponta Grossa, Vitória, Manaus e Salvador (veja a lista consolidada aqui). Nas grandes cidades, há intensa participação de ONGs e outras organizações sociais e o movimento tende a crescer com a intensificação da divulgação.

Esta é terceira Greve Mundial pelo Clima que o Brasil participa. A primeira aconteceu no dia 15 de março de 2019 e marcou o nascimento do Fridays for Future no Brasil. Inspirados pelo movimento liderado e criado pela jovem sueca Greta Thunberg, jovens brasileiros se mobilizaram de forma totalmente espontânea e online. Em cerca de cinco dias, já estavam organizados em 24 cidades. Depois dessa primeira greve, os atos semanais continuaram acontecendo no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e São Carlos.

A segunda Greve Mundial aconteceu em 24 de maio, já com uma participação maior tanto das cidades quanto dos jovens nas ruas. Foram 37 cidades mobilizadas e o movimento passou a ter núcleos locais efetivos.

Aos poucos, o movimento iniciado com um grito solitário na Suécia se multiplica no Brasil, país onde os jovens ainda precisam lutar por direitos básicos como o acesso a saúde e educação de qualidade, erradicação da pobreza, saneamento básico e trabalho digno e onde as populações indígenas, ribeirinhas, quilombolas e pequenas comunidades vivem sob constante ameaça. “Acreditamos que os jovens brasileiros estão num processo de despertar para a pauta climática e aos poucos o movimento ganha garra e forma no Brasil”, explica Nayara.

Atualmente, o grupo é formado principalmente por estudantes do ensino médio, jovens universitários e recém formados com até 29 anos, que estão presentes em todas as cinco macrorregiões brasileiras.

Ao lado desses jovens, também está se organizando um movimento de familiares, internacionalmente conhecido como Parents for Future. No Brasil, o grupo se intitula “Famílias pelo Clima” e vem contribuindo para que mais pessoas participem das mobilizações e as reconheçam como um importante meio de transformação. “Este é apenas o começo: estamos conectados local e globalmente e trabalhando em ações para continuar provocando mudanças. Afinal nós somos os adultos, nós estamos nos espaços de decisão e não é justo deixarmos esse fardo para as futuras gerações, diz Clara Ramos, mãe de duas meninas e integrante do Famílias pelo Clima.

Os grupos são suprapartidários. Em diferentes proporções e aspectos, as mudanças climáticas afetam e continuarão afetando a todos, independentemente de posição política e social. E, portanto, esta é uma causa de toda a humanidade.

Veja a relação atualizada das manifestações no Brasil em: https://fridaysforfuturebrasil.org/eventos/greve-mundial-pelo-clima.

FONTE: ASCOM/WWF-BRASIL

Um em cada três focos de queimadas na Amazônia tem relação com o desmatamento

Na Amazônia, 31% dos focos de queimadas registrados até agosto deste ano localizavam-se em áreas que eram floresta até julho de 2018. A conclusão é de uma análise feita pela equipe do WWF-Brasil, sobre focos de queimadas no bioma, com base em séries históricas de imagens de satélite e em dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Esse resultado revela que aproximadamente um em cada três focos de queimadas registrados em 2019 não tiveram relação com a limpeza de pastagens, mas sim com queimadas que sucederam o corte de áreas de floresta, no ciclo tradicional de corte e queima. Historicamente, na Amazônia, o uso do fogo é um dos estágios finais do desmatamento após o corte raso da floresta.

Os líderes dos países amazônicos devem assinar hoje (6/9), na cidade de Letícia, na Colômbia, um Pacto Pela Amazônia. A proposta consistia em coordenar esforços para defender o bioma nesta imensa crise. Mas o governo brasileiro pode pressionar para que o pacto seja fraco e apoiar a mineração e outras indústrias extrativistas, com grandes impactos ambientais, prejudicando toda a região.

O mês de agosto trouxe notícias preocupantes para a Amazônia brasileira: a área com alertas de desmatamento foi de 1.394 km2, um valor 120% maior do que o mesmo mês em 2018. Somente nos oito primeiros meses de 2019, a área total com alertas de desmatamento foi de 6 mil km2, um valor 62% maior do que o observado para o mesmo período em 2018.

Acompanhando o rastro do desmatamento, o número de focos de queimadas na Amazônia, entre janeiro e agosto de 2019, cresceu mais de 110%, na comparação com o mesmo período de 2018. Ao todo, foram registrados 46.825 pontos, segundo a medição do Programa Queimadas do INPE. Esse valor representa um aumento de 64% em relação à média dos últimos dez anos (2009-2018) para o mesmo período.

A nova análise realizada pela equipe da WWF-Brasil corrobora nota técnica recém-publicada pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) verificou que 30% dos focos de fogo registrados nos primeiros oito meses de 2019 localizavam-se em florestas públicas não destinadas (20%) ou áreas sem informação cadastral (10%). As florestas públicas não destinadas ainda carecem de destinação para uma categoria fundiária de proteção e –portanto, por definição, qualquer desmatamento ou fogo que acontece ali é de origem ilegal.

Em síntese, as análises apontam que não está ocorrendo na Amazônia um aumento de queimadas em pastagens, ou mesmo de incêndios florestais fora de controle -mesmo porque estamos num ano mais úmido, com a floresta menos suscetível a esses incêndios acidentais- mas sim uma verdadeira epidemia de desmatamento, na qual o fogo vem sendo utilizado intencionalmente como ferramenta para limpeza de áreas recém-desmatadas.

De acordo com Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, as queimadas na Amazônia não são naturais -elas são deliberadamente deflagradas, de forma ilegal, por madeireiros e grileiros- e só poderão ser controladas com uma ação conjunta do governo, do setor privado e da sociedade.

“Pedimos à sociedade que apoie um modelo de desenvolvimento para a Amazônia que seja capaz de estimular a ciência e a tecnologia, o uso sustentável da biodiversidade e o respeito aos povos indígenas e comunidades tradicionais”, disse Voivodic.

Segundo ele, a menos que o governo aplique leis e penalidades mais rigorosas para colocar um fim nessas atividades ilegais, o mundo continuará testemunhando a devastação de uma das principais proteções naturais existentes contra a crise climática.

“Fazemos um apelo para que os governos dos países amazônicos lutem contra o desmatamento e a grilagem relacionada à exploração de terras públicas. E também pedimos que o setor privado implemente mecanismos de rastreabilidade e transparência para garantir a eliminação da compra de bens -especialmente carne, madeira e produtos de mineração- provenientes de áreas ou atividades ilegais”, afirmou Voivodic.

Em agosto de 2019, uma área de 24.944 km² foi queimada na Amazônia brasileira. Essa área corresponde a mais de quatro vezes a que foi registrada no ano anterior, de 6.048 km².

Ao longo de 2019, a área total da Amazônia destruída por incêndios é estimada em cerca de 43.753 km². No mesmo período, em 2018, foram queimados 17.553 km², o que representa um aumento de quase 150% neste ano.

Áreas protegidas sob ameaça
Segundo dados preliminares do Mapbiomas, mais de 90% dos desmatamentos registrados nos três primeiros meses de 2019 no Brasil foram realizados sem autorização do órgão ambiental competente, ou seja, são totalmente ilegais. Por meio da ferramenta, é possível detectar que 40% dos alertas validados no primeiro trimestre de 2019 ocorreram em áreas nas quais sequer poderia haver autorização, pois são unidades de conservação, terras indígenas ou áreas de preservação permanente, como nascentes.

Um dado preocupante, que demonstra a sensação de impunidade reinante na Amazônia, é o aumento significativo do desmatamento em áreas protegidas (Parques Nacionais, terras indígenas etc.). Entre janeiro e agosto de 2019, o desmatamento nessas áreas cresceu 84% em relação a 2018 e mais de 190% em relação a 2017.

A proporção de área com alertas de desmatamento dentro de áreas protegidas em relação ao total de alertas na Amazônia também sinaliza uma tendência de elevação nos últimos três anos avaliados: 11% em 2017, 13% em 2018 e 17% em 2019. Dados do IPAM mostram que 20% dos focos de queimadas registrados até agosto deste ano ocorreram dentro de áreas protegidas, e que apesar da proteção ambiental que conferem, foi observado aumento surpreendente aumento no número de focos de queimadas em UCs em 2019, com o dobro dos focos registrados em relação à média dos últimos oito anos.

Todos esses dados e análises deixam claro que os esforços do Governo Federal devem se concentrar sobretudo na prevenção do desmatamento ilegal, com ações efetivas de fiscalização e punição àqueles que vêm infringindo a lei. É o caso, por exemplo, dos mais de 300 grileiros que invadiram a terra indígena Trincheira-Bacajá, no Estado do Pará, que estão derrubando e colocando fogo na floresta com a intenção de se apossarem da área e mais tarde revende-la no lucrativo mercado de terras roubadas do patrimônio público.

Apenas em julho foram desmatados 945 hectares de florestas na terra dos Xikrin, um aumento exponencial impulsionado pela sensação de impunidade que vigora em áreas de fronteira na Amazônia como decorrência dos discursos e ações adotadas pelo atual governo.

FONTE: ASCOM/WWF-BRASIL

Entidades criticam PL do Licenciamento: grave retrocesso

Ambientalistas denunciam em nota quebra de acordo e retrocessos em série no texto do relator, Kim Kataguiri (DEM-SP)

Entidades da sociedade civil publicaram na noite desta segunda-feira (12) uma nota de repúdio ao projeto de lei de licenciamento ambiental apresentado na semana passada pelo deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), que poderá ir a voto no plenário da Câmara já nesta semana. Segundo as 89 organizações, a versão final do texto resulta de quebra de acordo e introduz retrocessos em série que tornam o licenciamento “a exceção, não a regra”. Isso compromete a população e a própria segurança jurídica das obras.

“Deixou-se de lado o equilíbrio e o consenso para dar lugar a entendimentos às escuras”, afirma a nota. O manifesto lembra que Kim havia se comprometido a acatar no texto o consenso resultante de dez audiências públicas realizadas para debater o tema. Isso não aconteceu. Em 2017, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), havia se comprometido publicamente a não levar o licenciamento a voto no plenário enquanto não houvesse consenso sobre o texto.

Entre os principais retrocessos do texto de Kim estão: a exclusão de impactos indiretos das obras no licenciamento, a aplicação do “autolicenciamento” como regra geral, inclusive para obras de impacto significativo, como duplicação e asfaltamento de rodovias na Amazônia, a permissão para que cada Estado e município isentem atividades de licenciamento como bem entenderem e dispensas de licenciamento para atividades de impacto, como aquelas relacionadas à melhoria e modernização de infraestrutura de transportes.

A exclusão dos impactos indiretos faria com que hidrelétricas e rodovias, por exemplo, não precisassem mais considerar em seus estudos de impacto o desmatamento induzido por elas, ou a violência, ou a pressão sobre os sistemas de saúde e saneamento dos municípios – isentando o empreendedor de tomar providências para evitar ou compensar esses problemas. Instituir o autolicenciamento (na forma da “licença por adesão e compromisso”) para qualquer obra que não cause significativo impacto aumenta o risco de desastres como os de Mariana e Brumadinho, principalmente se considerado que cada Estado e cada município poderão definir eles próprios o que constitui “significativo impacto”. Isso também multiplica as oportunidades de corrupção, já que governadores e prefeitos serão assediados por lobbies diversos em busca de critérios mais frouxos, podendo gerar uma corrida pela flexibilização ambiental para atrair investimentos.

Por fim, o festival de isenções do texto permitirá pavimentar rodovias no país inteiro, inclusive na Amazônia, por licenciamento autodeclaratório. Num momento em que as políticas ambientais do governo causam a explosão das taxas de desmatamento, jogando a credibilidade do país na lama e comprometendo a própria recuperação da economia, o PL de Kim Kataguiri joga gasolina no fogo.

“Caso este texto não seja imediatamente sustado e modificado, a Câmara dos Deputados e seu presidente, Rodrigo Maia, estarão se associando ao governo Jair Bolsonaro na devastação do Brasil”, disse Maurício Guetta, advogado do Instituto Socioambiental.
 “Essa legislação faz o Brasil retroceder aos anos 1970, quando o governo militar abriu estradas e construiu hidrelétricas na Amazônia sem tomar qualquer cuidado socioambiental, o que levou à dizimação de povos indígenas, ao desmatamento acelerado e a muita violência “, avalia o diretor de Justiça Socioambiental do WWF-Brasil, Raul Valle. “Em função do desastre ocorrido, passamos a exigir, inclusive por pressão de financiadores internacionais, a elaboração de estudos e adoção de medidas de controle antes da aprovação de obras com grande impacto ambiental. Estamos voltando quarenta anos no tempo.”
Representantes da comunidade científica também se manifestaram contrariamente ao PL de Kim nesta segunda-feira. A Coalizão Ciência e Sociedade, composta por 60 cientistas, publicou uma nota expressando preocupação com o texto. Segundo a nota, o PL “mantém pontos que, se aprovados, comprometerão frontalmente a conservação de um ambiente saudável para a população brasileira presente e futura.”

FONTE: ASCOM/WWF-BRASIL

Natureza, alimentos e mudança climática: como o manejo sustentável da terra pode atingir múltiplos objetivos sociais

Embora a ciência básica das mudanças climáticas esteja resolvida, nossa compreensão científica de como o clima está ligado à alimentação, à agricultura, às florestas e à terra ainda está muito longe disto.

A publicação no dia 8 de agosto do próximo relatório dos cientistas que colaboram para o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), sobre mudanças climáticas e terra, explorará essas interconexões e fornecerá indicações claras sobre como podemos apoiar as necessidades da natureza e das pessoas em um clima em mudança.

Há anos que sabemos que a contribuição das nossas escolhas para a terra – agricultura, desmatamento e conversão do solo – para as mudanças climáticas é enorme, representando quase um quarto das emissões totais de gases de efeito de estufa.

O aquecimento global, por sua vez, traz uma ameaça a mais aos sistemas terrestres – conduzindo a temperaturas mais altas e mudando os padrões de chuvas, contribuindo para incêndios e mortalidade de árvores; diminuindo o rendimento das colheitas e ajudando doenças e pragas a se espalharem para novas áreas; além de descongelar a camada de gelo permanente dos pólos, o que libera ainda mais gases de efeito estufa. Em suma, a terra e as mudanças climáticas estão inextricavelmente ligadas, e essa ligação é essencial para as pessoas e meios de subsistência.

Além disso, essas interconexões só irão crescer, pois os riscos para esses sistemas aceleram consideravelmente à medida que o aquecimento ultrapassar o aumento limite de 1,5 °C, a meta estabelecida no Acordo de Paris de 2015, trazendo ainda mais tensão aos nossos sistemas terrestres por consumo crescente e dietas insustentáveis.

O oportuno novo trabalho do IPCC deve ajudar a apontar o caminho a se seguir, mostrando que a maneira como gerenciamos a terra e praticamos a agricultura será fundamental tanto para a mitigação quanto para a adaptação à emergência climática iminente. Cerca de um quarto dos compromissos de redução de emissões feitos pelos governos por meio do Acordo de Paris, definidos em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), já envolvem o uso da terra, com as florestas desempenhando um papel primordial.

Nós poderíamos ir mais longe. Sabemos que o potencial para o uso sustentável da terra e para as soluções baseadas na natureza é enorme, não apenas para os esforços de mitigação da mudança climática, mas também para as pessoas e a natureza. Essas respostas oferecem uma maneira de ajudar a garantir um futuro seguro para o clima, ao mesmo tempo em que contribuem para enfrentar os desafios interconectados da sociedade, travando e revertendo a perda da natureza, combatendo a degradação e a desertificação do solo e garantindo segurança alimentar para uma população em crescimento.

De forma encorajadora, há todo um conjunto de soluções sustentáveis ​​de uso do solo que podem ajudar a evitar mudanças climáticas perigosas enquanto contribuem para a adaptação e redução da insegurança alimentar, desertificação e degradação da terra. O relatório do IPCC deve detalhar algumas dessas “opções de resposta integradas”, mostrando o potencial de ganhos para todos os lados de práticas baseadas na natureza, como melhoria do carbono do solo, agrossilvicultura e um melhor gerenciamento de nossas terras agrícolas, pastagens e florestas.

Além disso, esperamos que o relatório traga a mesma mensagem de relatórios anteriores, mostrando que algumas das sinergias mais fortes virão de ações que todos nós podemos ter em nossas vidas diárias, como comer uma dieta mais saudável e sustentável e reduzir o desperdício de alimentos. Tais ações não apenas diminuem as emissões, mas também reduzem a pressão sobre os habitats naturais da produção de alimentos.
Ainda assim, as decisões em torno da terra dependem do contexto e sabemos que existem mudanças. Nem todas as soluções são benéficas para todos; algumas – como o cultivo de bioenergia em escala maciça, ou programas extensivos de plantação florestal – ameaçariam a segurança alimentar, a biodiversidade e a resiliência climática, e devem ser abordadas com cautela.

Um último ponto chave que se espera que o relatório faça, no entanto, é que a ação nos sistemas terrestres não pode tomar o lugar da ação igualmente urgente e necessária para reduzir as emissões de energia, indústria e sistemas urbanos. O IPCC anteriormente denominou estas quatro ‘transições de sistema’ que precisamos para manter o aquecimento abaixo de 1,5 °C, e todas elas devem acontecer em conjunto – significando que quaisquer esforços que reduzam a ambição em uma transição ao ‘compensá-la’ aos sistemas terrestres devem ser evitados, se quisermos evitar impactos ainda maiores / mais mortais da crise climática.

O mandato do IPCC se destaca por uma “relevância política” sem fazer recomendações de políticas, mas a ciência que estabelece traz implicações claras para os tomadores de decisão. Especificamente, a solução dos desafios integrados que as Mudanças Climáticas e a Terra detalharão exigirá uma colaboração radical – como reunir os governos locais e nacionais, o setor privado, administradores de terras, ONGs e comunidades indígenas para integrar este novo formato livre de conversões, abastecido por abordagens setoriais, jurisdicionais e paisagísticas.

Não será fácil – essas abordagens exigirão a superação de barreiras substanciais e o alinhamento de incentivos entre esses diferentes grupos -, mas é claro que os países devem integrar melhor a terra e a natureza ao revisar e aprimorar suas NDCs de acordo com o Acordo de Paris. A Cúpula do Clima da Secretária Geral da ONU em setembro será o primeiro teste para determinar se os países levarão a sério o trabalho do IPCC e ajudarão a entregar o futuro sustentável da terra que precisamos.

FONTE: ASCOM/WWF-BRASIL

Em 2019, Terra entra no cheque especial a partir de 29 de julho

A conta da humanidade com a Terra entra no vermelho a partir de 29 de julho. Desse dia em diante, passaremos a consumir mais recursos do que o planeta consegue regenerar.  Neste ano, o limite bateu um recorde: nunca havia acontecido tão cedo desde que o planeta entrou em déficit ecológico no início dos anos 1970.  Há 20 anos, essa data caiu em 29 de setembro; dez anos atrás, em 18 de agosto.

O motivo pelo qual isso acontece é nosso atual padrão de consumo, que exige uma quantidade maior de recursos do que a natureza consegue oferecer. Projeções moderadas das Nações Unidas para o aumento da população e do consumo indicam que em 2030 precisaríamos da capacidade de duas Terras para acompanhar nosso nível de demanda por recursos naturais.  O cálculo também é feito para os países: é quando o Dia da Sobrecarga da Terra cairia se toda a humanidade consumisse como as pessoas daquela nação. No caso do Brasil, a data cai dois dias depois, em 31 de julho.

Os dados são da Global Footprint Network, organização internacional de pesquisa responsável pelo cálculo do Dia da Sobrecarga da Terra e da Pegada Ecológica, da qual a rede WWF (Fundo Mundial pela Natureza) é parceira. Para se chegar a essa data, a Global Footprint Network calcula o número de dias exigidos da biocapacidade da Terra (a quantidade de recursos ecológicos que o planeta é capaz de gerar naquele ano) para atender à Pegada Ecológica da humanidade. O restante do ano corresponde à sobrecarga, que é causada por quatro fatores principais: 1) o quanto nós consumimos; 2) com que eficiência os produtos são feitos; 3) quantas pessoas existem no planeta; e 4) quanto os ecossistemas da natureza são capazes de produzir.

Em vários países, o principal fator de pressão para a exploração desenfreada dos recursos naturais é o crescente nível de consumo, mas no caso do Brasil o problema é a acentuada queda na biocapacidade, como mostra o gráfico abaixo.  A biocapacidade de uma cidade, estado ou nação representa o quanto seus ativos ecológicos (incluindo terras agrícolas, pastagens, terras florestais, áreas de pesca e terras construídas) conseguem produzir.

Quando entramos no cheque especial do planeta, os juros são altos e vêm na forma de escassez de água potável, erosão do solo, perda de biodiversidade e acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera, com as consequências que já conhecemos: secas severas, inundações, aumento na quantidade e intensidade dos incêndios florestais ou furacões. “Para a economia, isso significa grandes prejuízos e maiores riscos aos investimentos. Para as pessoas, significa preços mais altos dos alimentos, maiores chances de contrair doenças e perda de bens e de vidas. Na prática, estamos deixando o mundo mais poluído, mais inóspito e mais pobre em biodiversidade”, sintetiza Renata Camargo, especialista em Conservação do WWF-Brasil.

“Há uma percepção equivocada, compartilhada por alguns, de que o Brasil é país que mais preserva o ambiente no Planeta e que não teríamos qualquer problema nesse aspecto. No entanto, vamos entrar no cheque especial dos recursos naturais praticamente junto com o restante do Planeta. Temos muito o que fazer, a começar por implementar com mais rigor as regras de proteção ambiental que construímos ao longo das últimas décadas, as quais ainda são muito frequentemente deixadas de lado”, alerta Raul do Valle, do WWF-Brasil. 


O que é a Pegada Ecológica
Do lado da demanda, a Pegada Ecológica mede a quantidade de área terrestre e marinha necessária para produzir todos os recursos consumidos por uma população e para absorver seus resíduos. “O uso de combustíveis fósseis no sistema de transporte e o desperdício de alimentos estão entre os principais vetores de pressão da demanda por recursos naturais no Brasil”, explica Camargo. 

Um componente importante da Pegada Ecológica é a Pegada de Carbono, que representa a área de terra necessária para sequestrar as emissões de dióxido de carbono geradas pela queima de combustíveis fósseis, desmatamento e outras fontes, como produção de cimento e fermentação entérica de bovinos, por exemplo. Atualmente, a pegada de carbono representa 60% da Pegada Ecológica total da humanidade e é também a parte de crescimento mais rápido. Porque estamos emitindo dióxido de carbono no ar a uma taxa muito mais rápida do que pode ser absorvido, ele está se acumulando na atmosfera e no oceano. Ou seja, o aumento em nossa Pegada de Carbono é o principal impulsionador da crise climática, que é o resultado mais conhecido – junto com a perda de biodiversidade – de nosso gasto ecológico excessivo. Portanto, reduzir significativamente a pegada de carbono é um passo essencial tanto para reduzir nossa pegada ecológica como também para mitigar a crise climática.

O conceito de Dia de Sobrecarga da Terra foi concebido pela primeira vez por Andrew Simms, da New Economics Foundation, entidade britânica de consultoria, que se associou à Global Footprint Network em 2006 para lançar a primeira campanha global sobre o tema. O WWF participa desde 2007.

A Pegada Ecológica Global e as métricas de biocapacidade são calculadas anualmente nas Contas da Pegada Nacional e Biocapacidade. Utilizando as estatísticas da ONU, essas contas incorporam os dados mais recentes e a metodologia contábil mais atualizada. Para manter a consistência com os dados e a ciência relatados mais recentes, as métricas da Pegada Ecológica de todos os anos desde 1961 são recalculadas a cada ano, de modo que as métricas de cada ano compartilham um conjunto de dados comum e exatamente o mesmo método contábil

Dicas para reduzir a pegada ecológica
Se conseguirmos postergar o Dia de Sobrecarga da Terra em 5 dias a cada ano, em menos de três décadas estaremos dentro dos limites do planeta antes.  Todo mundo pode ajudar:

Em casa: Desligue sempre as luzes e os eletrodomésticos que não estão em uso; limite o tempo do banho; prefira iluminação e ventilação naturais; recicle seu lixo; faça uma composteira doméstica, diminuindo o lixo orgânico; sempre que possível, deixe o carro na garagem e saia a pé, de bicicleta ou transporte público; aproveite a cidade e peça menos delivery (diminuindo o uso de embalagens), opte por um filtro ou beba água da torneira, diminua o uso do ar condicionado.

Ao fazer compras: Evite fazer compras por impulso ou desnecessárias, opte por produtos não-descartáveis e maior durabilidade; evite trocas periódicas de equipamentos (celular, por exemplo), escolha produtos naturais, frescos e com menos embalagens. Sempre que possível, compre do produtor local, o que evita gastos de energia para transporte e armazenamento. Prefira frutas da época e evite peixes na lista vermelha de extinção. Não compre produtos que tenham microesferas de plástico, como algumas pastas de dente ou esfoliantes.

No trabalho: Faça grupos de carona; desligue luzes e monitores sempre que não estiverem sendo usados; traga sua caneca de casa e diminua/ elimine o uso de copos descartáveis; desligue o ar condicionado quando não for necessário; vá de bicicleta, a pé ou transporte público; quando for viável opte por reuniões pela internet (em vez de atravessar a cidade ou viajar); imprima somente o necessário, optando por diminuir os processos que necessitam de papel.

Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma organização da sociedade civil brasileira, apartidária e sem fins lucrativos, que trabalha em defesa da vida com o propósito de mudar a atual trajetória de degradação ambiental e promover um futuro no qual sociedade e natureza vivam em harmonia.

Criado em 1996, o WWF-Brasil integra a Rede WWF (Fundo Mundial para a Natureza), presente em mais de 100 países. O objetivo da rede é alterar a trajetória das curvas de perda de biodiversidade e do aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE) – ou seja, conter a extinção de espécies e o desaparecimento de ecossistemas, assim como mitigar os principais causadores das mudanças climáticas. Soma-se a esses desafios a crescente demanda por alimentos e por recursos naturais em todo o planeta, acarretando na necessidade de promover o uso racional de tais recursos e uma produção sustentável de alimentos.

Apoie nosso trabalho: http://wwf.org.br/doe

FONTE: ASCOM/WWF-BRASIL

Como a morte de meio bilhão de abelhas afeta diretamente a sua vida

Já imaginou um mundo sem chocolate? Ou sem maçãs, amêndoas, tomates ou café? Pois é esse o cenário que podemos muito em breve encarar com a atual ameaça à vida das abelhas em todo o mundo.

Para se ter uma ideia, nos EUA, de acordo com informações da Casa Branca, as colônias de abelhas tiveram um declínio de 58% entre 1947 e 2014. No Brasil, só neste ano, já morreram meio bilhão de abelhas, segundo levantamento do Repórter Brasil.

Esses insetos, responsáveis pela polinização de 75% dos cultivos destinados à alimentação humana no mundo (FAO), estão sendo ameaçados pelas mudanças climáticas e pelo uso indiscriminado e indevido de  agrotóxicos na agricultura.

Se você está se perguntando “ah, mas que diferença faz ficarmos sem as abelhas?”. A resposta é: muita! “Apesar de não serem nativas do Brasil, a Apis mellifera  tem um papel importante na polinização de plantas cultivadas, sem elas, ou deixaríamos de consumir uma série de frutas, legumes e outros vegetais, ou esses alimentos ficariam mais caros, já que o trabalho de polinização teria de ser feito manualmente pelo ser humano”, comenta Edegar Rosa, diretor de Conservação e Restauração de Ecossistemas do WWF-Brasil.

A polinização das abelhas é um dos inúmeros serviços ecossistêmicos que a natureza oferece ao homem. Só a polinização, por exemplo, gera para a agricultura brasileira cerca de R$ 43 bilhões, de acordo com a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos.

Além dela, temos serviços como a água que vem dos rios e abastece nossas casas; o ar produzido pelas plantas e micróbios nos oceanos que nos possibilita respirar; as florestas absorvendo água da chuva e reduzindo o risco de inundações; as minhocas transformando resíduos em adubo para a terra; os manguezais protegendo a costa durante tempestades; entre tantos outros.

Trabalho em prol da natureza

Aqui no WWF-Brasil temos uma série de projetos que ajudam o meio ambiente a se recompor.  Um exemplo é a parceria que temos com o Banco do Brasil, a Agência Nacional de Águas e a Fundação Banco do Brasil, em prol da conservação das bacias hidrográficas brasileiras.

Desde 2010, já recuperamos juntos 875 hectares de terra por meio de técnicas de reflorestamento como plantação de mudas, semeadura direta e sistemas agroflorestais. O trabalho em campo ajuda a conservar as matas ciliares, que por sua vez aumentam o fluxo de água nas bacias e, consequentemente, o abastecimento de cidades próximas, como é o caso do Guariroba, bacia responsável por mais da metade do abastecimento de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul.

Estudos realizados nas bacias do Guariroba (MS)Pipiripau (DF) e Xapuri (AC), chegaram à conclusão de que, em média, cada R$ 1 investidos nas bacias gerou um retorno de R$ 8 em serviços ecossistêmicos para as populações locais.

Quer conhecer mais trabalhos como esse? Acesse nosso Relatório Anual e fique por dentro de todos os nossos projetos. Você também pode apoiar nosso trabalho, se tornando um doador.

FONTE: ASCOM/WWF-BRASIL

É tempo de celebrar o Cerrado e suas riquezas!

O colorido das caliandras, chuveirinhos, ipês, jatobás e pequizeiros mesclado ao azul profundo do céu, será o cenário, de amanhã até dia 14 de julho, do XVIII Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas, realizado nos arredores do Parque Nacional de mesmo nome, em Chapada Gaúcha, município mineiro localizado no norte do estado.

Mais de oito mil pessoas devem participar dos quatro dias de festa, cujo objetivo é celebrar a sociobiodiversidade do Cerrado, ou seja, suas riquezas naturais, culturais e sociais. Para tanto, haverá intensa programação cultural (confira a programação completa no box ao lado), reunindo apresentações de batuqueiros, catireiros, curraleiros e danças típicas como o lundu, a catira, a sussa, a caninha e o manzuá. Rodas de conversa, apresentações teatrais e feiras de artesanato e de comidas típicas completam a oferta de atividades. 

Os destaques da festa são a folia de Reis do Divino, onde os fiéis apresentam a sua devoção ao Espírito Santo, e a chegada, no dia 13 de julho, dos peregrinos da VII edição do “Caminho do Sertão: de Sagarana ao Grande Sertão Veredas”, do qual participam cerca de 100 pessoas de várias partes do Brasil.

“O Encontro é uma oportunidade para valorizar a riqueza da fauna e flora do Cerrado e muito importante para que as comunidades possam fortalecer sua identidade cultural e trocar experiências. Além disso, é um evento importante para geração de renda e desenvolvimento da comunidade e da agricultura familiar local”, conta Kolbe Soares, analista de conservação do WWF-Brasil. “Para os visitantes, é uma oportunidade única de conhecer as paisagens de Cerrado e ainda vivenciar a cultura do bioma”, diz Soares.

O Município de Chapada Gaúcha faz parte do Circuito Turístico Urucuia Grande Sertão e do Mosaico Sertão Veredas Peruaçu. Com população de pouco mais de 13 mil habitantes e com baixo IDH (0,69), o município tem a sua economia voltada ao agronegócio (principalmente soja e sementes de capim) e a agricultura familiar. Possui grandes potencialidades para o desenvolvimento do turismo ecocultural e o aproveitamento sustentável de produtos do cerrado.

O WWF-Brasil e a sociobiodiversidade do Cerrado
O extrativismo vegetal sustentável é uma das principais alternativas para manter o “Cerrado em pé”. Além de garantir a conservação, é uma fonte de renda para as comunidades locais, favorecendo a permanência dos povos tradicionais no bioma. Com esse foco, o WWF-Brasil atua na região desde 2010, com apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF na sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund) e do Instituto Humanize.

As ações buscam promover o incentivo à adoção de boas práticas de produção agropecuária (BPA’s), a implantação de tecnologias sociais e sistemas agroflorestais e o fortalecimento da gestão integrada das Unidades de Conservação e demais áreas protegidas. O WWF-Brasil também atua com ações de mapeamento territorial com foco no planejamento sistemático da conservação no Cerrado e no apoio ao extrativismo vegetal sustentável dos frutos nativos com as Cooperativas Agroextrativistas e Associações Comunitárias.

FONTE: ASCOM/WWF-BRASIL