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Comissão aprova MP que altera Código Florestal

Por uma votação de quinze votos a favor e três contra, a Comissão Mista de deputados e senadores aprovou nesta quarta-feira (8) o relatório do deputado Sérgio Souza (MDB-PR) à Medida Provisória 867/2018.

O novo texto altera profundamente o Código Florestal, com mais anistias aos desmatadores ilegais e reduções drásticas de Reserva Legal em alguns biomas como o Cerrado.

Originalmente, a MP visava aumentar para até dezembro de 2019 o prazo para o Programa de Recuperação Ambiental (PRA), previsto no Código. Porém, com a alterações do relator, o texto aprovado traz dezenas de artigos não relacionados ao tema principal (os chamados jabutis) e que colocam em xeque a recuperação ambiental no país e que devem causar insegurança jurídica.
Agora, o texto vai para votação nos plenários da Câmara e Senado. A vigência da MP expira em 3 de junho.
 Durante a sessão da Comissão Mista, parlamentares contrários ao relatório de Sergio Souza argumentaram sobre a importância do Código Florestal brasileiro, documento essencial para garantir a produção de alimentos e a segurança do meio ambiente no país para as próximas gerações. O deputado Nilto Tatto (PT-SP) lembrou que as maiores organizações ambientais do país e a Abrampa (Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente) já se posicionaram contra o texto. 
 “Além da insegurança jurídica, a aprovação vai colocar em risco o Código Florestal, e todo o trabalho feito para a sua votação em 2012. Isto acabará prejudicando o pequeno, o médio e o grande produtor brasileiro”, comentou. O deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP) trouxe como exemplo de ‘jabuti’ o artigo 34, que trata da questão do carvão e da recuperação florestal, e ressaltou os problemas dos marcos temporais para obrigatoriedade da recuperação, diferentes para cada bioma.  Enquanto no Cerrado, só seria necessário restaurar a área que tiver sido desmatada após 1989, no Pantanal e no Pampa isto acontecer só para o que for desmatado após o ano de 2000. A obrigatoriedade desta restauração acontece no preenchimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR), mas isto pode mudar de acordo com a proposta. “Desta forma, quem averbou está certo, quem ainda não averbou, não precisará restaurar. Caso isto aconteça, o Brasil perde credibilidade lá fora e coloca o produtor em risco. Precisamos manter o que foi acertado em 2012, com o Código Florestal”, argumentou Agostinho.

Repúdio

“São várias as investidas contra o Código Florestal desde a aprovação pelo Congresso. Há uma insistência em não se cumprir a lei que ajuda a manter os recursos hídricos, a segurança do clima, a biodiversidade. Não faz sentido querer piorar ainda mais a crise ambiental e criar insegurança jurídica”, defende Michel dos Santos, gerente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.

Mais de 30 organizações divulgaram uma nota de repúdio ao relatório da MP nesta semana.

Segundo texto da nota, “as alterações no Código Florestal como um todo sinalizam que a lei pode sempre ser modificada para conceder novos benefícios aos produtores rurais que descumprirem as regras de proteção. Isso ocasionará novas contestações judiciais, postergando a efetivação da lei florestal e trazendo insegurança jurídica para o ordenamento e para as atividades agrossilvipastoris”.

FONTE: ASCOM/WWF-BRASIL

Segundo relatório do IPBES, 1 milhão de espécies está em risco

Na última segunda-feira (6), foi aprovado o relatório da Plataforma Intergovernamental Político-Científica sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES). Esse é o estudo mais abrangente que já foi feito sobre biodiversidade. Ele avaliou cifras impactantes sobre o declínio da biodiversidade no planeta e à aceleração que pode afetar as funções da natureza.
O número que mais chama a atenção é de perda de vida. O Relatório constata que, dos cerca de oito milhões de espécies de animais e plantas na Terra, até um milhão de espécies estão agora ameaçadas de extinção –e muitas delas se extinguirão dentro de apenas algumas décadas. 

A evidência do declínio de vegetais e animais no planeta é irrefutável e é de grande preocupação a aceleração que vem sofrendo nos últimos anos. O levamento avaliou cerca de 15.000 artigos científicos por um período de três anos e foi compilado por 145 autores de 50 países, além de contar com a contribuição de 310 autores especialistas. 
“Em nível global, os nossos impactos agora se acumulam em escala sem precedentes e de maneira cada vez mais acelerada”,  afirma co-presidente de avaliação do IPBES Eduardo Brondizio. “Mais do que isso é a interação entre as diferentes mudanças que agora estão criando o efeito cascata na sociedade e na natureza. Nós chegamos ao ponto limite de impacto a nível planetário de impacto de espécies e de várias funções da natureza.“

Os cientistas também chamam a atenção de que essas perdas vão ionfluenciar na produção dos nossos alimentos, na ar que respiramos, na água que bebemos. No relatório também foi destacada a contribuição do conhecimento dos indígenas sobre a proteção de unidades de conservação.

Mike Barrett, diretor executivo de ciência e conservação do WWF do Reino Unido acrescenta: “O relatório do IPBES aumenta a riqueza de evidências de que a natureza está em queda livre. Estamos usando os recursos naturais do nosso planeta mais rapidamente do que eles podem ser restaurados –destruindo nosso próprio sistema de suporte à vida e colocando em risco nosso próprio futuro” Situação brasileira
No Brasil, as espécies ameaçadas somam 3.286. sendo 1.173 de fauna e 2.113 de flora, segundo dados de 2014 do Ministério do Meio Ambiente. Deste total, 316 são espécies que não tem qualquer instrumento de proteção oficial. Ou seja, não estão em Unidades de Conservação, não têm Plano de Ação Nacional, não estão incluídas em nenhuma outra medida de proteção. No mapeamento das principais ameaças no Brasil temos o seguinte cenário: 77% são perda e degradação de habitat; 15% são extração direta (coleta, caça e pesca) e  3% são espécies exóticas.

O que é o IPBESIPBES é a sigla, do inglês para Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos – IPBES (convencionou-se pronunciar ip-bis). Segundo o site da Plataforma Brasileira (PBES), “assim como a Plataforma do Clima, IPCC, a IPBES é um órgão independente. Ela foi criada em atendimento às demandas dos governos. É coordenada por meio da parceria de quatro agências das Nações Unidas (PNUMA, UNESCO, FAO e PNUD)”.

É composta por 127 países membros, com o objetivo de subsidiar com conhecimento científico as tomadas de decisões que envolvam a conservação da biodiversidade, bem-estar humano e desenvolvimento sustentável.​

FONTE: ASCOM/WWF-BRASIL

“Resistimos há 519 anos e continuaremos resistindo”

Acampamento Terra Livre é marcado por manifestações pacíficas, reuniões com tomadores de decisões e alertas à sociedade; acesse aqui o documento final do ATL

O Acampamento Terra Livre, maior manifestação indígena do país, aconteceu entre 24 e 26 de abril em Brasília, mobilizando cerca de 4 mil indígenas de diferentes regiões e etnias. As lideranças participarem de audiências e reuniões no Senado e na Câmara e foram realizadas marchas pacíficas e manifestações culturais, levando à sociedade a mensagem de que as ameaças aos direitos constitucionais das populações tradicionais não podem se concretizar.

documento final do ATL, denominado “Resistimos há 519 anos e continuaremos resistindo”, resume as principais reivindicações da mobilização. Dentre elas, o retorno da Fundação Nacional do Índio (Funai) para a estrutura do Ministério da Justiça, a volta da atribuição de demarcar terras indígenas (TIs) para a Funai (o governo atual transferiu para  Ministério da Agricultura), a demarcação de centenas de TIs, cujos processos estão parados, a revogação do decreto presidencial que extingue conselhos deliberativos e consultivos em que a sociedade pode participar de processos decisórios e a rejeição ao projeto de lei que afrouxa as regras de licenciamento ambiental, entre outros aspectos.  

Segundo Paulo Tupiniquim, da coordenação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o ATL 2019 passou importantes mensagens à sociedade brasileira. “As pessoas têm que lutar pelos seus direitos, não apenas os direitos indígenas como os demais direitos colocados em risco pelo atual governo. Como pode as demarcações de terras indígenas serem colocadas nas mãos de quem é contra a existência dos indígenas?”, questionou.

De acordo com Ivaneide Bandeira, coordenadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, as manifestações do ATL mostram ao mundo o que tem acontecido com os direitos indígenas. “Os territórios vêm sofrendo com pressões e invasões, principalmente no momento atual, em que há no Congresso diversas propostas de retrocessos que ferem as conquistas da Constituição de 1988. Além disso, a atual postura do governo tem servido para aumentar as invasões em terras indígenas e colocar em perigo a vidas dos povos”, observou.

Crisanto Rudzo Xavante, presidente da Federação dos Povos e Organizações Indígenas do MT, entende que o governo atual, na prática, tenta extinguir a Funai. “Viemos a Brasília dizer para a sociedade que não somos empecilho ao desenvolvimento nacional, mas não podemos aceitar pecuária e mineração, que causam desequilíbrio ambiental, nas nossas terras”, concluiu.

Havia, inicialmente, um grande temor por parte do movimento diante da iminente possibilidade de repressão por parte da Força Nacional. Já no primeiro dia, as lideranças indígenas aceitaram, como uma demonstração de cooperação com as autoridades e do caráter pacífico do ATL, a mudança do local do acampamento, da Esplanada dos Ministérios para o gramado do Teatro Nacional, a pedido do comando da Polícia Militar do DF.

A programação iniciou-se com apresentações culturais, seguidas de uma entrevista coletiva, que contou com a presença de jornalistas de vários países. Ao longo do Acampamento Terra Livre, os indígenas organizaram uma marcha seguida de vigília no Supremo Tribunal Federal, pela invalidação da tese do marco temporal, que garantiria o direito ao território apenas se a área a ser demarcada fosse ocupada pelos indígenas em outubro de 1988, ignorando a Constituição, que assegura a demarcação dos territórios tradicionalmente ocupados.

Houve, ainda, participação dos indígenas em audiências públicas na Câmara e no Senado, demandando aos parlamentares que impeçam os diversos retrocessos que vêm sendo propostos por meio de decretos, medidas provisórias e projetos de lei. 

FONTE: ASCOM/WWF-Brasil

Projeto de lei do Senado pode causar desmatamento de 167 milhões de hectares

Um projeto de lei no Senado (PL 2362/2019) com apenas três artigos pode causar um estrago descomunal na vegetação nativa e provocar o desmatamento de 167 milhões de hectares no território brasileiro.  De autoria dos senadores Flavio Bolsonaro (PSL-RJ) e Marcio Bittar (MDB-AC), a proposta revoga todo o capítulo IV do Código Florestal – que trata da Reserva Legal –  e abre brechas para a exploração das Reservas Legais pelo agronegócio. A área sob risco equivale 20 por cento do território brasileiro – ou três vezes o tamanho da Bahia.  A maior parte do território em vias de ser condenado ao desmatamento é inapta para a agricultura e pode se tornar pasto degradado em até uma década. O alerta vem de uma análise feita pelo pesquisador Gerd Sparovek, professor titular da Universidade de São Paulo (USP-Esalq). De acordo com a análise, a área que poderia ser legalmente desmatada com base no Código Florestal (Lei 12.651/2012) aumentaria em 89 milhões de hectares no Bioma Amazônico, 46 milhões de hectares no Cerrado, 15 milhões de hectares na Caatinga, 12 milhões de hectares na Mata Atlântica, 3 milhões de hectares no Pantanal e 3 milhões de hectares no Pampa, somando, ao todo, 167 milhões de hectares aos 103 milhões de hectares que já podem ser legalmente desmatados com as regras atuais do Código Florestal. Caso estas áreas venham a ser desmatadas, elas perdem seu papel ecológico, que é manter o equilíbrio ambiental. O resultado será a degradação dos recursos hídricos, crises de abastecimento, perdas massivas de biodiversidade e instabilidades climáticas locais e global. O prejuízos também afetariam a agricultura por falta de polinizadores, aumento de pragas e doenças e frustração de safras por seca ou excesso de chuva. “O que mais nos preocupa é o fato de que o projeto de lei tem como justificativas apenas informações da Embrapa Territorial, que cria e defende argumentos para um setor do agronegócio brasileiro. Na nossa análise consideramos dados de estudiosos de várias partes do mundo e que atuam nas mais diversas áreas da ciência”, destaca Gerd Sparovek. Segundo ele, o benefício direto da lei não é o desenvolvimento da produção agropecuária, já que a maior parte das Reservas Legais ocorre sobre terras pouco aptas para agricultura intensiva apoiada por tecnologia.  A valorização dos imóveis agrícolas e a exploração dos produtos do desmatamento como madeira e carvão, benefícios diretos do desmatamento de terras pobres, são apenas do proprietário das terras, prossegue o pesquisador.  O desmatamento de terras improdutivas não gera benefícios coletivos, como é o caso da produção agropecuária, que leva a segurança alimentar, exportações, trabalho, renda ou consumo de bens e serviços, explica. “A valorização imobiliária beneficia exclusivamente o proprietário das terras, ficando assim, este aspecto, desconectado do bem-estar social ou da função social das terras”, lembra Sparovek. Ainda segundo o pesquisador, os estudos e projeções publicados em revistas científicas, sem exceção, indicam que, mesmo considerando cenários muito favoráveis ao crescimento da demanda por produtos agropecuários brasileiros, não há necessidade de desmatar novas áreas nos próximos 50 anos para o aumento da produção.  Os ganhos de produtividade e o uso eficiente das terras já abertas são mais do que suficientes para expandir o agro brasileiro sem os impactos ambientais do desmatamento, conclui Sparovek.

FONTE: ASCOM/WWF – BRASIL

WWF-Brasil lança Guia de Consumo Responsável de Pescado

  • Sobrepesca e falta de gestão pesqueira são os principais elementos que contribuem para a redução dos estoques. Se nada mudar, no longo prazo, a exploração descontrolada de algumas espécies pode levar ao colapso da atividade pesqueira;
  • Pescadores precisam navegar distâncias cada vez maiores para encontrar estoques economicamente viáveis de exploração. Além de encarecer o produto final, este fato confirma que os estoques mais próximos da costa já estão sobrepescados;
  • 58% dos pescados avaliados pelo WWF-Brasil estão na categoria vermelha, não recomendada para consumo, e apenas 28% das espécies avaliadas possuem alternativas com certificação;
  • Consumidor não tem informações sobre a procedência e qualidade do que está comendo;
  • Rastreabilidade e selos de sustentabilidade são parte da solução, mas dependem de iniciativas coletivas e do poder público.

    Produzido pelo WWF-Brasil, o Guia de Consumo Responsável de Pescado avaliou 38 espécies de pescado. Além de trazer as avaliações das espécies, mostrando quais são indicadas para consumo e quais devem ser evitadas, o estudo traz também dados sobre o status dos estoques pesqueiros, informações sobre os tipos de produção de pescado (pesca e aquicultura) e seus respectivos impactos no meio ambiente. O objetivo do Guia é informar e esclarecer a população sobre o status do pescado consumido no país, bem como apresentar maneiras de se engajar no consumo responsável de pescado.

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Avaliação das espécies

O estudo aponta que o principal fator de degradação é a sobrepesca, quando os estoques pesqueiros são explorados além da sua capacidade natural de reprodução. O documento revela que, caso nada mude no fraco sistema de gestão pesqueira, no longo prazo a exploração comercial de algumas espécies poderá se tornar inviável do ponto de vista econômico, podendo impactar a cadeia alimentar e causando um efeito em cascata levando o meio ambiente e toda atividade pesqueira ao colapso.

A avaliação das espécies provenientes da pesca é baseada em três pilares: estoque-alvo, efeitos ecológicos da atividade pesqueira, e qualidade da gestão. Para a aquicultura, são levados em conta o uso sustentável dos recursos (como água, eletricidade e ração), as interações e impactos no ecossistema, e a qualidade da gestão.

VERDE – RECOMENDADO
Os tipos de pescado nessa categoria são os mais seguros para serem consumidos. Eles são provenientes de fontes bem geridas, e são capturados ou cultivados de acordo com métodos responsáveis.

AMARELO – CONSUMA COM MODERAÇÃO
Pescado proveniente de fontes que apresentam algum tipo de risco à sustentabilidade. Aumentar a demanda por esse produto pode afetar sua sustentabilidade e causar impacto no meio ambiente. Existe algum problema em relação ao estado do estoque selvagem da espécie, o método de pesca ou cultivo, que deve ser resolvido por meio da gestão pesqueira. Consuma apenas ocasionalmente.

VERMELHO – EVITE
Pescado proveniente de pescarias ou fazendas insustentáveis. Recomenda-se evitar o consumo das espécies listadas nessa categoria, uma vez que elas já estão ameaçadas por sobrepesca, são cultivadas ou retiradas de seu ambiente de forma ecologicamente incorreta, ou ainda sofrem com má gestão. O consumo dessas espécies é prejudicial ao ecossistema e, portanto, não é recomendado.

Segundo o levantamento, das 38 espécies avaliadas, 58% (22) encontram-se na categoria vermelha como, por exemplo, o Camarão-rosa e o Tubarão-azul (Cação). Já na categoria amarela estão 21% (8),entre eles a Tilápia e o Bonito-listrado. Outros 21% (8) foram avaliados na categoria verde, por exemplo, o Salmão-rosa e alguns tipos de moluscos.

Dentre as espécies capturadas na natureza recomendadas para o consumo, da categoria verde, nenhuma é de produção nacional, o que reflete a necessidade de aprimoramento da gestão do pescado brasileiro. Em contrapartida, na aquicultura, o Brasil tem quatro espécies cultivadas na categoria verde, que são o Mexilhão, a Ostra-do-Pacífico, a Ostra-do-Mangue e a Vieira.

Outro dado levantado pelo estudo é que, das principais espécies consumidas no Brasil e avaliadas pelo WWF-Brasil, apenas 28%possuem opção de produtos com certificação quanto à sustentabilidade de pesca ou cultivo.

Segundo a gerente do Programa Marinho do WWF-Brasil, Anna Carolina Lobo, o público consumidor brasileiro é carente de informações sobre os pescados que consome. “Temos pouco ou quase nenhum dado sobre a produção nacional. Dessa forma, os consumidores de pescado não têm as informações necessárias para entender como está a pesca no Brasil e como agir para contribuir na busca de um sistema de produção pesqueira mais equilibrado, que ao mesmo atenda a necessidade de produção de alimentos e respeite os limites da natureza. Este Guia de Consumo Responsável apresenta informações sobre como os estoques pesqueiros estão em níveis críticos, traz recomendações para orientar o consumo de algumas espécies, e quais técnicas de pesca devem ser preferidas por serem menos agressivas ao ecossistema”, afirma Lobo.
O estudo completo pode ser acessado em: www.wwf.org.br/consumoconsciente

O consumidor brasileiro
Além da sobrepesca e da pesca ilegal, a falta de conhecimento dos consumidores e a pouca – ou quase inexistente – oferta de produtos certificados, estão entre os principais motivos que colocam o Brasil entre os países que consomem pescados de forma não sustentável no mundo, não preservando os limites impostos pela própria natureza.

Entre as ações que os consumidores podem fazer está priorizar o pescado com certificação de origem, pesquisar se é uma espécie ameaçada de extinção, consultar sobre período de defeso de cada espécie, época de reprodução em que a pesca é proibida. E por fim, verificar se o tamanho do exemplar que está comprando respeita os requisitos mínimos estabelecidos por lei. Todos esses fatores fazem a diferença na hora de cuidar da sua alimentação e também dos recursos naturais.

Rastreabilidade e certificação de origem
A rastreabilidade e as certificações de sustentabilidade, por exemplo, são elementos fundamentais para ajudar a tornar a cadeia produtiva de pescado mais eficiente. Além de combater e auxiliar a reduzir irregularidades, as certificações são importantes para assegurar a sustentabilidade dos produtos aos consumidores.
As indústrias pesqueiras que seguem boas práticas podem comprovar seus métodos sustentáveis com certificações e selos de pesca sustentável. O Marine Stewardship Council (MSC) e o Aquaculture Stewardship Council (ASC) são duas organizações que emitem estas certificações, permitindo que os consumidores tenham a escolha de comprar pescado capturado e produzido de forma sustentável. O WWF apoia o MSC e o ASC, além de recomendar aos consumidores a pedir e escolher estes frutos do mar certificados.

A falta de uma regulamentação do setor atrelada à inexistência de monitoramento da atividade, compromete ainda mais a transparência e sustentabilidade desta cadeia produtiva, e a qualidade do pescado nacional. Sem fiscalização, o setor fica ainda mais sujeito a fraudes como, por exemplo, vender espécies de peixes mais baratas como sendo animais nobres, e deixa de gerar informações e acompanhar indicadores de estoques pesqueiros no Brasil.

FONTE: ASCOM/WWF-BRASIL

II Fórum Internacional sobre a Amazônia será realizado entre os dias 4 a 7 de junho

O II FIA será composto por quatro painéis de debates que abordarão temas significativos para a região amazônica. No Fórum também haverá um espaço privilegiado para a apresentação de trabalhos e pôsteres e proposições de rodas de conversa e oficinas, além da feira de produtos da Amazônia e da agricultura familiar e camponesa, exposições, vídeos e outras atividades culturais. O intuito é trazer importantes olhares sobre a Amazônia brasileira e continental, no sentido de contribuir na construção do conhecimento científico, na valorização de saberes e na defesa dos povos, populações e do ambiente desse importante bioma.

Estão todos convidados para se engajarem no II Fórum Internacional sobre a Amazônia submetendo trabalhos orais e/ou pôsteres e propondo oficinas e/ou rodas de conversa. Fiquem atentos ao calendário de submissão e propostas.

FONTE: Núcleo de Estudos Amazônicos/CEAM/UnB

Site ajuda consumidor a escolher o eletrodoméstico mais eficiente

Quando você decide comprar um eletrodoméstico, que critério usa para a escolha entre tantas opções de modelos? O preço? O consumo de energia elétrica? A durabilidade? Como distinguir, entre os equipamentos com Selo do Procel , qual é o melhor para você?
Para ajudar o cidadão na melhor escolha entre os eletrodomésticos mais eficientes, foi lançada no Brasil a plataforma Topten.eco.br. Através de uma navegação bastante simples, é possível conhecer quais são os eletrodomésticos (refrigeradores, lavadoras de roupas e televisores) de uma mesma categoria à venda no país, seguindo  classificação do INMETRO, e saber mais detalhes que poderão influenciar diretamente na escolha. 
No caso de uma lavadora de roupas do tipo lava e seca, a plataforma mostra em ordem de eficiência, as marcas, os modelos, a voltagem, o uso de energia por ciclo de lavagem em kwh, o consumo de água por ciclo e por ano e o preço médio no mercado. “Mas o que chama mesmo a atenção é quanto de energia e água se economiza na vida útil do produto.  Em alguns casos esse valor é maior do que o investimento feito na compra. Ou seja, buscar um equipamento máximo em eficiência energética é bom para o planeta e é bom para o bolso”, comenta Alessandra Mathyas, analista de conservação do Programa Clima & Energia do WWF. 
A ferramenta, implementada no Brasil pela BSD Consultoria, tem o suporte técnico do Topten Internacional, com sede na Suíça. Em vários países, a iniciativa foi tão bem sucedida que tornou-se referência de qualidade em eficiência energética, amplamente reconhecida pelos consumidores. Na América Latina a plataforma também existe na Argentina e no Chile. Em cada país ela é “customizada”  de acordo com as regras nacionais de certificação e eficiência energética e traz elementos típicos. Na versão Argentina, por exemplo, um eletro muito consultado é o aquecedor. 
No caso do Brasil, a plataforma inicia com três categorias de eletros: refrigeradoras, lavadoras de roupa e televisores. “Mas nos próximos meses ampliaremos esta pesquisa para ar condicionados e freezers” explica Fernanda Coletti, da BSD Consulting.
No evento de lançamento da plataforma, estiveram presentes representantes da ABINEE – Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, do INMETRO, do Instituto Akatu (que atua com questões de consumo consciente),  WWF, além de empresas e outras organizações que atuam com educação ambiental e eficiência energética. No debate realizado, percebeu-se que, no geral, o consumidor brasileiro reconhece a etiqueta de eficiência energética do INMETRO e o Selo Procel, este de caráter voluntário, que só é concedido aos produtos A em eficiência. Mas o consumidor não sabe diferenciar vários modelos com o mesmo selo e assim a decisão se dá muito pelo preço e pelo design. “A Topten ajudará muito o INMETRO e o Procel a facilitarem o acesso a informações importantes mas nem sempre tão claras ao consumidor, comentou Marco Borges, Coordenador do Programa Brasileiro de Etiquetagem do INMETRO.  
Além disso, sugeriu Carlos Tanides, da TopTen Argentina, a ferramenta impulsiona  as empresas em seus países a investirem mais ainda na eficiência dos seus produtos, para  assim serem reconhecidas na plataforma Topten. Ao fazerem isso, as empresas mostram seu empenho numa economia alinhada às metas climáticas do Acordo de Paris em 1,5oC até 2100. “O uso de energias renováveis associado à eficiência energética poderá reduzir as emissões no setor de energia em até 90%. Mas isso tem que ser logo, para que os países consigam cumprir as metas propostas no Acordo Global do Clima. Ferramentas como o Topten, neste sentido, contribuem de duas formas: com a consciência do consumidor e o empenho empresarial de reduzir as emissões. Com certeza, é muito bem vinda”, finaliza Alessandra, do WWF.  

FONTE: ASCOM/WWF – Brasil

Hora do Planeta em Campo Grande terá pedalada noturna

Adepta da Hora do Planeta desde 2009, a cidade de Campo Grande participa mais uma vez da campanha global que convida as pessoas a refletirem sobre a sua relação com o meio ambiente. 

Desta vez, a Prefeitura Municipal da cidade, por meio da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), e com o apoio do WWF-Brasil, organiza uma pedalada noturna pelos monumentos apagados na cidade: Maria Fumaça, Obelisco, Praça Pantaneira e Praça Esportiva Belmar Fidalgo (percurso de 3,5km aproximadamente).

O evento, aberto ao público, acontece no dia 30 de março (sábado), das 20h30 às 21h30, e tem como ponto de encontro a Maria Fumaça, na Orla Ferroviária da cidade. 

“Desta vez, estamos convidando os ciclistas de todas as idades para pedalarem com frases e figuras pintadas, com a finalidade de atenção da população para as causas ambientais, em especial as mudanças climáticas”, comenta Berenice Domingues, diretora-presidente da Planurb.

E quem não tem bicicleta?
Para quem não tiver a própria bicicleta, parceiros locais fornecerão bikes para aluguel ao custo de R$ 15 cada (chegue um pouco antes para garantir a sua). Se você tem patins ou similar, está valendo também! 

Dicas do que levar
– Garrafinha com Água
– Sinalizadores nas Bikes
– Capacete
– Luva
– Lanterna

Para quem também quiser aderir à Hora do Planeta 2019, basta entrar no site oficial da campanha e baixar o Guia do Participante Hora do Planeta, com sugestões de ações individuais, institucionais ou coletivas. Você também pode checar no mapa eventos abertos ao público e cidades já engajadas.

“Por uma hora convidamos as pessoas para refletirem sobre os impactos que as ações do dia a dia, seja na alimentação, descarte de resíduos, transporte ou fontes de energia usadas, causam no meio ambiente. É importante pensarmos a respeito disso e mudarmos nossos hábitos, tornando-os cada vez mais sustentáveis”, comenta Taís Meireles, uma das líderes da Hora do Planeta no WWF-Brasil.

FONTE: ASCOM/WWF – Brasil

Hora do Planeta em Brasília tem mais de 9 horas de programação voltada à sustentabilidade

Hora do Planeta é comemorada em todo o mundo desde 2008 como um chamado para que as pessoas repensem sua relação com o meio ambiente. Milhões de pessoas nos 180 países e territórios participantes utilizam o ato simbólico de apagar as luzes por uma hora a cada ano para fazer essa pausa e refletir sobre como a natureza está conectada às nossas vidas.

Desde as águas que abastecem as nascentes e rios e chegam às nossas torneiras até as abelhas que polinizam as plantações para que os alimentos cheguem aos nossos pratos, a natureza está presente em tudo ao nosso redor. Por isso, é fundamental conservá-la.

Pensando nisso, o WWF-Brasil (Fundo Mundial pela Natureza) organiza neste ano, em Brasília, um evento para que as pessoas possam se reconectar com o meio ambiente. Desde uma oficina de beleza natural com Cristal Muniz até um espaço infantil com o tema floresta, todas as atividades foram pensadas na harmonia entre homem e natureza.

Programação Hora do Planeta em Brasília
12h: Oficina de beleza natural com Cristal Muniz – inscrições neste link
12h – 18h: Espaço infantil com tema de floresta + lojinha panda + exposição de fotos WWF
12h – 18h: Feira de adoção de animais
12h – 18h: Estande demonstrativo sobre Comunidade que Sustenta a Agricultura
12h – 20h: Feira sustentável com marcas locais como Capim Estrela e Ludge Saboaria + comidinhas como Ernesto Café e Central do Cerrado
12h às 21h30: Atrações musicais como Pautubatê e projeto Música e Cidadania
14h: Oficina de slime com Júlia Maya Antun – inscrições no local
15h30: Oficina de embalagem ecológica com Teca Paiva Chaves – em breve link parainscrições
16h: Oficina com Moça do Buquê – em breve link parainscrições
16h: Oficina de nós escoteiros SQS 115 – inscrições no local
17h: Passeio pelas árvores do Cerrado da SQS 114 e observação de aves com Observaves – inscrições no local
17h: Oficina de compostagem com Flua Consultoria Ambiental – inscrições neste link
19h: Oficina de percussão com o projeto Folha Seca – inscrições no local
20h: Oficina de fotos com luzes Dois Nove Meia – inscrições no local
20h30 às 21h30:Apagar de luzes – Hora do Planeta

A Hora do Planeta em Brasília vai ser um evento gratuito e aberto ao público, realizado na sede do WWF-Brasil, na CLS 114 Bloco D – 35. Para participar, basta vir no dia 30/03 a partir das 12h. Para algumas oficinas é necessário realizar inscrição prévia.

Dúvidas? Envie para horadoplaneta@wwf.org.br.

FONTE: ASCOM/WWF – Brasil

Brasil é o 4º país do mundo que mais gera lixo plástico

A crise mundial da poluição por plásticos só vai piorar a menos que todos os atores da cadeia de valor dos plásticos se responsabilizem pelo custo real do material para a natureza e para as pessoas, alerta um relatório do WWF (Fundo Mundial para a Natureza) publicado hoje. O novo estudo, “Solucionar a Poluição Plástica: Transparência e Responsabilização”, reforça a urgência de um acordo global para conter a poluição por plásticos.

CLIQUE AQUI E FAÇA O DOWNLOAD DO ESTUDO COMPLETO EM PORTUGUÊS

A proposta desse acordo global será votada na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-4), que será realizada em Nairóbi, no Quênia, de 11 a 15 de março. Segundo o estudo do WWF, mais de 104 milhões de toneladas de plástico irão poluir nossos ecossistemas até 2030 se nenhuma mudança acontecer na nossa relação com o material.

Em fevereiro, o WWF lançou uma petição para pressionar os líderes globais a defenderem esse acordo legalmente vinculativo sobre a poluição dos plásticos marinhos na UNEA-4, que até agora atraiu 200.000 assinaturas em todo o mundo. Para participar da petição, acesse: http://bit.ly/OceanoSemPlastico

Segundo o estudo lançado pelo WWF, o volume de plástico que vaza para os oceanos todos os anos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas, o que equivale a 23 mil aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos os anos – são mais de 60 por dia. Nesse ritmo, até 2030, encontraremos o equivalente a 26 mil garrafas de plástico no mar a cada km2, revela o estudo conduzido pelo WWF.

“Nosso método atual de produzir, usar e descartar o plástico está fundamentalmente falido. É um sistema sem responsabilidade, e atualmente opera de uma maneira que praticamente garante que volumes cada vez maiores de plástico vazem para a natureza”, afirma Marco Lambertini, Diretor-Geral do WWF-Internacional.

De acordo com o estudo:

“O plástico não é inerentemente nocivo. É uma invenção criada pelo homem que gerou benefícios significativos para a sociedade. Infelizmente, a maneira com a qual indústrias e governos lidaram com o plástico e a maneira com a qual a sociedade o converteu em uma conveniência descartável de uso único transformou esta inovação em um desastre ambiental mundial.

Aproximadamente metade de todos os produtos plásticos que poluem o mundo hoje foram criados após 2000. Este problema tem apenas algumas décadas e, ainda assim, 75% de todo o plástico já produzido já foi descartado.”

No Brasil

O Brasil, segundo dados do Banco Mundial, é o 4o maior produtor de lixo plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. Desse total, mais de 10,3 milhões de toneladas foram coletadas (91%), mas apenas 145 mil toneladas (1,28%) são efetivamente recicladas, ou seja, reprocessadas na cadeia de produção como produto secundário. Esse é um dos menores índices da pesquisa e bem abaixo da média global de reciclagem plástica, que é de 9%.

Mesmo parcialmente passando por usinas de reciclagem, há perdas na separação de tipos de plásticos (por motivos como estarem contaminados, serem multicamadas ou de baixo valor). No final, o destino de 7,7 milhões de toneladas de plástico são os aterros sanitários. E outros 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartados de forma irregular, sem qualquer tipo de tratamento, em lixões a céu aberto.

O levantamento realizado pelo WWF com base nos dados do Banco do Mundial analisou a relação com o plástico em mais de 200 países, e apontou que o Brasil produz, em média, aproximadamente 1 quilo de lixo plástico por habitante a cada semana.

PRODUÇÃO E RECICLAGEM DE PLÁSTICO NO MUNDO
Números em toneladas


Fonte: WWF / Banco Mundial (What a Waste 2.0: A Global Snapshot of Solid Waste Management to 2050)

Valor total de lixo plástico descartado em resíduos sólidos urbanos, resíduos industriais, resíduos de construção, lixo eletrônico e resíduos agrícolas, na fabricação de produtos durante um ano. 

“É hora de mudar a maneira como enxergamos o problema: há um vazamento enorme de plástico que polui a natureza e ameaça a vida. O próximo passo para que haja soluções concretas é trabalharmos juntos por meio de marcos legais que convoquem à ação os responsáveis pelo lixo gerado. Só assim haverá mudanças urgentes na cadeia de produção de tudo o que consumimos”, afirma Mauricio Voivodic, Diretor Executivo do WWF-Brasil.

Impacto socioambiental

A poluição do plástico afeta a qualidade do ar, do solo e sistemas de fornecimento de água. Os impactos diretos estão relacionados a não regulamentação global do tratamento de resíduos de plástico, ingestão de micro e nanoplásticos (invisível aos olhos) e contaminação do solo com resíduos.

A queima ou incineração do plástico pode liberar na atmosfera gases tóxicos, alógenos e dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre, extremamente prejudiciais à saúde humana. O descarte ao ar livre também polui aquíferos, corpos d’água e reservatórios, provocando aumento de problemas respiratórios, doenças cardíacas e danos ao sistema nervoso de pessoas expostas.

Na poluição do solo, um dos vilões é o microplástico oriundo das lavagens de roupa doméstica e o nanoplástico da indústria de cosméticos, que acabam sendo filtrados no sistema de tratamento de água das cidades e acidentalmente usados como fertilizante, em meio ao lodo de esgoto residual. Quando não são filtradas, essas partículas acabam sendo lançadas no ambiente, ampliando a contaminação.

Micro e nanoplásticos vêm sendo ainda consumidos por humanos via ingestão de sal, pescados, principalmente mariscos, mexilhões e ostras. Estudos indicam que 241 em cada 259 garrafas de água também estão contaminadas com microplásticos. Apesar de alarmante, ainda são pouco conhecidos os impactos desta exposição humana, a longo prazo.

Apesar de ainda haver poucos estudos sobre o impacto da ingestão de plástico por seres humanos e outras espécies de animais, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou, em 2018, que entender os efeitos do microplástico na água potável é um passo importante para dimensionar o impacto da poluição de plásticos em humanos.

No caminho das soluções

O estudo do WWF também aponta as possíveis soluções e caminhos capazes de estimular a criação de uma cadeia circular de valor ao plástico. Pensados para cada elo do sistema, que envolve a produção, consumo, descarte, tratamento e reúso do plástico, os cuidados necessários propostos oferecem uma orientação para os setores público e privado, indústria de reciclagem e consumidor final, de modo que todos consumam menos plástico virgem (o plástico novo) e estabeleçam uma cadeia circular completa.

Os principais pontos da proposta são:

●      Cada produtor ser responsável pela sua produção de plástico – O valor de mercado do plástico virgem não é real pois não quantifica os prejuízos causados ao meio ambiente e também não considera os investimentos em reúso ou reciclagem. É necessário haver mecanismos para garantir que o preço do plástico virgem reflita seu impacto negativo na natureza e para a sociedade, o que incentivaria o emprego de materiais alternativos e reutilizados.

●      Zero vazamento de plástico nos oceanos – O custo da reciclagem é afetado pela falta de coleta e por fatores como lixo não confiável, ou seja, misturado ou contaminado. As taxas de coleta serão maiores se a responsabilidade pelo descarte correto for colocada em empresas produtoras dos produtos de plástico e não apenas no consumidor final, uma vez que serão encorajadas a buscar materiais mais limpos desde seu design até o descarte.

●      Reúso e reciclagem serem base para o uso de plástico – A reciclagem é mais rentável quando o produto pode ser reaproveitado no mercado secundário. Ou seja, o sucesso desse processo depende de que valor esse plástico é negociado e seu volume (que permita atender demandas industriais). Preço, em grande parte, depende de qualidade do material, e essa qualidade pode ser garantida quando há poucas impurezas no plástico, e quando ele é uniforme  em geral, oriundo de uma mesma fonte. Um sistema de separação que envolva as empresas produtoras do plástico ajuda a viabilizar esta uniformidade e volume, ampliando a chance de reúso.

●      Substituir o uso de plástico virgem por materiais reciclados. Produtos de plástico oriundo de uma única fonte e com poucos aditivos reduzem os custos de gerenciamento desses rejeitos e melhoram a qualidade do plástico para uso secundário. Por isso o design e o material de um produto são essenciais para diminuir esse impacto, e cabe às empresas a responsabilidade por soluções.

Reduzir o consumo de plástico resulta em mais opções de materiais que sirvam como opção ao plástico virgem, garantindo que seu preço reflita plenamente seu custo na natureza e, assim, desencorajando o modelo de uso único. “Criar uma cadeia circular de valor para o plástico requer melhorar os processos de separação e aumentar os custos por descarte, incentivando o desenvolvimento de estruturas para o tratamento de lixo”, afirma Gabriela Yamaguchi, Diretora de Engajamento do WWF-Brasil.

Biodiversidade

Estima-se que os resíduos plásticos existentes nos solos e rios seja ainda maior do que nos oceanos, impactando a vida de muitos animais e contaminando diversos ecossistemas, abrangendo agora os quatro cantos do mundo – inclusive a Antártida.

“No Brasil, a maior parte do lixo marinho encontrado no litoral é plástico. Nas últimas décadas, o aumento de consumo de pescados aumentou em quase 200%. As pesquisas realizadas no país comprovaram que os frutos do mar têm alto índice de toxinas pesadas geradas a partir do plástico em seu organismo, portanto, há impacto direto dos plásticos na saúde humana. Até as colônias de corais – que são as ‘florestas submarinas’ – estão morrendo. É preciso lembrar que os oceanos são responsáveis por 54,7% de todo o oxigênio da Terra”, afirma Anna Carolina Lobo, Gerente do Programa Mata Atlântica e Marinho do WWF-Brasil.

Criado como uma solução prática para a vida cotidiana e difundido na sociedade a partir da segunda metade do século 20, o plástico há muito vem chamando atenção pela poluição que gera, uma vez que o material, feito principalmente a partir de petróleo e gás, com aditivos químicos, demora aproximadamente 400 anos para se decompor plenamente na natureza.

Estimativas indicam que, desde 1950, mais de 160 milhões de toneladas de plástico já foram depositadas nos oceanos de todo o mundo. Ainda assim, estudos indicam que a poluição de plástico nos ecossistemas terrestres pode ser pelo menos quatro vezes maior do que nos oceanos.

Os principais danos do plástico à natureza podem ser listados como estrangulamento, ingestão e danos ao habitat.

O estrangulamento de animais por pedaços de plástico já foi registrado em mais de 270 espécies animais, incluindo mamíferos, répteis, pássaros e peixes, ocasionando desde lesões agudas e até crônicas, ou mesmo a morte. Esse estrangulamento é hoje uma das maiores ameaças à vida selvagem e conservação da biodiversidade.

A ingestão de plástico já foi registrada em mais de 240 espécies. A maior parte dos animais desenvolve úlceras e bloqueios digestivos que resultam em morte, uma vez que o plástico muitas vezes não consegue passar por seu sistema digestivo.

Peso na economia 

A poluição por plástico gera mais de US$ 8 bilhões de prejuízo à economia global. Levantamento do PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente –, aponta que os principais setores diretamente afetados são o pesqueiro, comércio marítimo e turismo. Enquanto o lixo plástico nos oceanos prejudica barcos e navios utilizados na pesca e no comércio marítimo, o plástico nas águas vem reduzindo o número de turistas em áreas mais expostas, como Havaí, Ilhas Maldivas e Coréia do Sul.

FONTE: ASCOM/WWF

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