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Semente de esperança no Cerrado

O ano já começou cheio de esperança para a bacia do Descoberto, principal reservatório do Distrito Federal, que abastece 60% da população de Brasília.

Isso porque voluntários, proprietários rurais e instituições locais e nacionais se mobilizaram para um mutirão de restauração logo na primeira segunda-feira útil do ano.

Cerca de 75 pessoas ajudaram a plantar sementes em 1 hectare de terra em Brazlândia (DF). A ação aconteceu na chácara Roda d’ Água, uma das 12 propriedades localizadas às margens do lago Descoberto que participam do Projeto Descoberto Coberto, coletivo que luta pela conservação da bacia e é liderado pela Adasa DF.

A ação desta segunda (7) foi organizada pelo WWF-Brasil e o Na Praia, da R2 Produções, que encerrou sua 4ª temporada de eventos na cidade neutralizando as emissões de carbono com o mutirão.

Além do que foi arrecadado nos eventos, recursos do Programa Água Brasil, parceria entre Banco do Brasil, WWF-Brasil, Agência Nacional de Águas e Fundação Banco do Brasil, foram utilizados para a compra de mais de 4 toneladas de sementes nativas do Cerrado, além dos serviços de preparação do solo.

Trabalho de várias mãos

“Essa é a segunda ação de restauração com a semeadura direta que fazemos na bacia com o apoio de um lindo mutirão de voluntários, que cedem uma segunda-feira de suas vidas para, de algum modo, transformar o mundo a sua volta”, comemora Vinícius Pereira, do WWF-Brasil.

Participaram do mutirão os parceiros Adasa, Caesb, Ibram, Emater, ICMBio, Rede Sementes do Cerrado, Seagri, Grupo Zago, Associação Pró-Descoberto e UnB. Ao todo, o projeto já recuperou 33 hectares de terra na bacia do Descoberto.

Semeadura direta

A técnica utilizada no mutirão é a de semeadura direta, em que sementes nativas do Cerrado passam por um processo de “muvuca”, ou seja, são espelhadas no solo manualmente. São usados diferentes tipos de árvores, gramíneas e arbustos, como cajuzinho do Cerrado, angelim, capitão do campo e jatobá. Tudo para chegar o mais próximo possível à vegetação original da bacia.

“Essa é uma técnica muito eficiente do ponto de vista custo-benefício, já que não depende da produção de mudas para a restauração de áreas degradadas”, explica Vinícius.

Para quem participa de um evento como esse, fica a felicidade de ver o Cerrado com mais cara de Cerrado:

“Eu vejo de uma forma cada vez mais evidente que as pessoas querem fazer as coisas, querem botar a mão na massa, então esse tipo de atividade é uma forma de a gente se engajar e ver que podemos contribuir para a conservação da natureza”, comenta Osvaldo Gajardo, do WWF-Brasil, que participou como voluntário do evento.

“Apesar do projeto ser uma parceria entre instituições, é importante também sentir o envolvimento da sociedade. Preservar e restaurar o Cerrado é um papel de todos, e colocar a mão na massa foi a melhor forma de passar essa mensagem a todos”, complementa Silvia Rodrigues, do Na Praia.

FONTE: ASCOM/WWF-Brasil

Entidades do Centro-Oeste são contempladas no Edital Ecoforte Redes

Seleção pública irá atender sete mil pessoas das cinco regiões brasileiras

Duas entidades da região – uma de Goiás e outra do Distrito Federal foram habilitadas no edital Ecoforte etapa 2, da Fundação Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).  Elas foram destacadas nas seleções públicas 2017/030 e 2017/031, junto com outras 26 instituições, para executarem projetos de agroecologia nas cinco regiões do país. O recurso no valor R$ 25 milhões é do Fundo Social e do Fundo Amazônia – administrados pelo BNDES.
A seleção tem como objetivo, apoiar projetos territoriais de redes de agroecologia, extrativismo e produção orgânica, voltados à intensificação das práticas de manejo sustentável de produtos da sociobiodiversidade e de sistemas produtivos orgânicos e de base agroecológica. Os projetos vão atender cerca de sete mil pessoas diretamente.
No edital 2017/030, que é voltado para atender propostas novas de redes de agroecologia ou à consolidação das atendidas pelo certame de 2014, foram habilitadas 21 entidades.
Enquanto o regulamento 2017/031, uma chamada direta para melhoria de organizações de agroecologia conveniadas pelo edital de 2014, vai atender sete entidades.
Conheça aqui as vencedoras.

Programa Ecoforte
Criado em 2013, o Ecoforte possibilitou a integração das organizações participantes, com ampliação da participação de agricultores familiares no processo de transição agroecológica, inserção produtiva de jovens e mulheres, melhoria da capacidade de produção, articulação e realização de negócios solidários nas próprias redes.

FONTE: ASCOM/Fundação Banco do Brasil

Produtores de Minas Gerais engajados para a recuperação da bacia do Rio Doce

O WWF-Brasil firmou convênio com a Fundação Renova para desenvolver um projeto piloto de recuperação florestal em larga escala, integrando desenvolvimento rural sustentável e abordagem inclusiva das comunidades da bacia do Rio Doce.

Chamada de Projeto de Adequação Ambiental e Desenvolvimento Rural na Bacia do Rio Doce, a parceria entre as duas instituições, firmada em maio de 2018, vai recuperar 300 hectares na sub-bacia do Suaçuí, a maior entre nove bacias que formam a bacia hidrográfica do Rio Doce. Serão beneficiados produtores rurais das regiões de Galileia, Governador Valadares e Periquito, todas em Minas Gerais.

Os trabalhos do projeto se iniciaram no segundo semestre de 2018 com uma série de reuniões de planejamento e mobilização, além de visitas técnicas a algumas propriedades. Dentre esses encontros, destaque para as Oficinas de Reconhecimento do projeto, realizadas nos dias 12, 13 e 14 de novembro e 4, 5 e 6 de dezembro últimos.

Reconhecimento da bacia
Os seis encontros tiveram a participação de cerca de 70 produtores das comunidades de Alto Santa Helena, Periquito e Galileia, todos inscritos no programa de Pagamentos por Serviços Ambientais – PSA Rio Doce.

“A ideia das oficinas foi fazer um primeiro contato com os produtores, explicar o projeto, trazer conceitos importantes para eles e colher informações quanti e qualitativas da região, que vão nos ajudar a embasar nosso trabalho”, explica Alessandra Manzur, do WWF-Brasil.

Nas primeiras oficinas, realizadas em novembro, os produtores aprenderam, por exemplo, sobre erosãoo que é e como funciona uma bacia hidrográfica e sobre a importância das Áreas de Preservação Permanente (APP). Conceitos como esses ajudam a sensibilizá-los para o trabalho em conjunto necessário para a recuperação da bacia do Rio Doce.

“A oficina foi muito boa. Precisamos fazer alguma coisa rápido para que nossos filhos tenham água”, comentou Messias Barbosa, um dos participantes e produtor da cidade de Alto de Santa Helena (MG).

Além dos produtores, participaram das oficinas técnicos do WWF-Brasil, da Fundação Renova, da Progen e da consultoria Árvore Socioambiental. “Reuni-los em um único local, ouvir a realidade de cada um, o que cada um faz em sua propriedade, torna muito mais fácil o entendimento do território como um todo”, reflete Gabriel Pimenta Fernandes, da Progen, empresa que atua no território em parceria com a Fundação Renova.

Agora que os produtores estão engajados para a realização das atividades e os técnicos embasados com as informações necessárias, será elaborado um Planejamento Integrado da paisagem no território por meio dos Projetos Individuais de Propriedade (PIP). Essas ações buscam fomentar diferentes atividades para a adequação ambiental das propriedades, inclusive na parte produtiva, medidas tão necessárias nesta região.

Também estão previstos como próximos passos mais encontros como esses, que servirão para manter os produtores mobilizados e fortalecer o sentimento de pertencimento e associativismo local.

FONTE: ASCOM/WWF

ARTIGO | Chico Mendes 30 anos: uma memória a honrar. Um legado a defender

Por Rosilene Corrêa*

Ouvir a frase que ecoava repetidas vezes  “Ninguém abandona a defesa dos povos da floresta e ninguém desiste do legado de Chico Mendes”, durante o Encontro para celebrar a memória desse líder de tantos legados, nos enchia de emoção e renovou nossa esperança – do verbo esperançar, na construção de trincheiras de resistência.

Um pouco de história

Há 30 anos, Chico Mendes, com 44 anos de vida, foi assassinado em consequência de sua luta em defesa do solo amazônico e do direito dos povos da floresta. A batalha  era desigual. De um lado estava o interesse econômico que tinha a floresta como dificultador da expansão do latifúndio e precisava ser derrubada. Do outro, as comunidades que convivem com a natureza, defendendo as infinitas riquezas que ela oferece sendo mantida de pé.

Chico iniciou sua militância como sindicalista. Foi secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. A partir de então, participou ativamente das lutas dos seringueiros para impedir o desmatamento. A tática utilizada pelos manifestantes era o “empate” — manifestações pacíficas em que os seringueiros protegem as árvores com seus próprios corpos

Em 1977 fundou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri Nesse ano foi eleito vereadorpelo MDB. Recebe as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros. Essa situação traz problemas com seu próprio partido, descompromissado com as causas pelas quais Chico Mendes lutava. Em 1979, usa seu mandato para promover um foro de discussões entre lideranças sindicais, populares e religiosas na Câmara Municipal de Xapuri. Acusado de subversão, é preso e torturado.

Em 1980, Chico Mendes ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, sendo uma de suas principais lideranças no Acre e tendo participado de comícios ao lado de Luis Inácio Lula da Silva na região.

Chico Mendes foi o precursor sindical no CUT da causa ambientalista. Foi ele que levou ao 3º CONCUT a tese Em Defesa dos Povos da Floresta, aprovada por aclamação pelos seis mil delegados presentes. A partir desse momento a luta por direitos e por terra com uma visão global entra na pauta sindical, convocando a todas e todos para se juntarem ao cuidado da Amazônia, espaço privilegiado pela sua biodiversidade e com capacidade de produzir vida em abundância não somente ao Brasil, mas para o planeta.

A repercussão internacional da tragédia forçou a criação de reservas extrativista. Em 1990 foram criadas as primeiras quatro, entre as quais a reserva Chico Mendes, no Acre. Hoje, são quase 100 unidades de conservação. O uso comum e coletivo das áreas de floresta pelas populações extrativistas cresceu e se  tornou política pública em outros biomas brasileiros.

O retrocesso

O aprofundamento da ganância, agravado com o desrespeito ao meio ambiente e a desconsideração pelos diretos dos povos da Amazônia começa sua manifestação com o golpe contra a democracia em 2016.

O governo eleito deixa claras suas intenções de destruir reservas indígenas e avançar suas garras antinacionalistas sobre as riquezas dos territórios que tem garantido a vida de milhares de pessoas. O Congresso eleito, com representantes do agronegócio também é pouco tolerante com a causa ambiental.

A continuidade do compromisso com a vida

O Encontro de Xapuri deixa claro o compromisso com a resistência e com a determinação de ir além, de buscar caminhos, de garantir a vida do meio ambiente e das pessoas.

A Carta de Xapuri, manifesto construído coletivamente para reafirmar o compromisso com a defesa da Amazônia, das populações que nela vivem e impulsionar o pacto de gerações entre as lideranças do ontem, hoje e do amanhã, proclama:  “mais de 500 pessoas de todas as partes do Acre, da  Amazônia, do Brasil e do planeta, nos reunimos na sua cidade de Xapuri-Acre para honrar sua memória e defender seu legado”

E continua: “Só mesmo você, Chico,  para nos fazer seguir sonhando ante os retrocessos que se anunciam já nas primeiras decisões de um governo eleito que ainda nem tomou posse e já retira do Brasil o direito de sediar a próxima Conferência do Clima, já declara guerra aos sindicatos, às organizações da sociedade civil, aos movimentos sociais, aos direitos conquistados pela juventude, pelas mulheres, pelos povos indígenas, pelas comunidades quilombolas, ribeirinhas, extrativistas, pelos povos da floresta e por todas as populações tradicionais do Brasil”.

A Carta saúda o legado de Chico Mendes e se compromete com a continuidade de sua luta ao dizer “Tomara, companheiro Chico, que as conquistas desse seu legado, resultado da nossa resistência nessas últimas três décadas, das alianças que você tão generosamente construiu com os mais variados parceiros da floresta e de fora dela, sensibilizem os corações e mentes de quem está chegando ao poder para continuar respeitando e trabalhando junto aos nossos povos da floresta, em defesa de nossos territórios, da conservação ambiental e dos direitos sociais do povo brasileiro.”

O compromisso é nosso. Militantes, sindicalistas, organizações sociais, precisam resgatar o legado de Chico Mendes, que para além da defesa do meio ambiente apontava desde então, a necessidade de que trabalhadoras e trabalhadores da cidade, do campo e da floresta assumam a causa que e de todos: a defesa de vida digna para todas e todos, independentemente do território que os acolhe.

“Ninguém abandona a defesa dos povos da floresta!”
Ninguém desiste do legado de Chico Mendes!
Ninguém solta a mão de ninguém!”

Rosilene é dirigente sindical no SINPRO/DF, na CNTE e na CUT

FONTE: SINPRO/DF

Carta de Xapuri lança compromisso de 30 anos de luta pela floresta

“Ninguém abandona a defesa dos povos da floresta e ninguém desiste do legado de Chico Mendes”. A frase ecoou repetidas vezes, como um clamor, ao final do “Encontro Chico Mendes 30 anos: Uma Memória a Honrar. Um Legado a Defender”, que aconteceu no último final de semana, no município de Xapuri (AC). De mãos dadas e com lágrimas nos olhos, 30 jovens extrativistas e 30 lideranças comunitárias, de forma simbólica, entraram lado a lado pela tenda principal e se comprometeram a continuar o legado de Chico Mendes e proteger a floresta para os próximos 30 anos.

O compromisso foi registrado na Carta de Xapuri, manifesto construído coletivamente para reafirmar o compromisso com a defesa da Amazônia, das populações que nela vivem e impulsionar o pacto de gerações entre as lideranças do ontem, hoje e do amanhã. O documento, lido na cerimônia de encerramento pela atriz Lucélia Santos, resumiu o sentimento do Encontro e resgatou os principais ideais do Chico. Confira abaixo um dos trechos:

“Só mesmo você, Chico, para fazer acontecer, nesse tempo amazônico de poucos voos e muitas chuvas, esse nosso diálogo tão profundo, que por inspiração sua, nos faz seguir lutando por um modelo de desenvolvimento sustentável que nos livre das mazelas da depredação ambiental e da contaminação das águas, do solo e do ar que respiramos. Só você mesmo para nos fazer seguir lutando por uma sociedade mais justa, mais solidária e mais igualitária; por esse outro mundo que acreditamos ser ainda possível!

Com grande alegria, aqui celebramos o seu legado. A luta de seus companheiros e companheiras transformou as Reservas Extrativistas! Aquela proposta de uso comum e coletivo das áreas de floresta pelas populações extrativistas que você apresentou no I Encontro Nacional dos Seringueiros, realizado em 1985, em Brasília, cresceu, tornou-se política pública, não só na Amazônia, mas também nos outros biomas brasileiros” – leia a carta na íntegra clicando aqui

“A carta marca um novo momento de luta e de esperança para as próximas gerações. Espero que seja o nosso ponto de apoio nessa incansável luta de proteger a floresta”, refletiu Joaquim Belo, presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS).

Angela Mendes, filha do seringueiro, agradeceu o empenho e a presença de todos ao Encontro. “Foram três dias de pura emoção! O legado do líder seringueiro, que uniu pessoas do mundo todo, se encerrou da maneira mais bonita possível, com a leitura da carta de Xapuri. Estamos aqui por conta dele e pela luta dos nossos companheiros. Chico Mendes vive! ”, afirmou.

A jovem Quilvelene Vieira, de 24 anos, moradora da Resex Médio Juruá (AM), disse que foi uma honra participar desse momento histórico. “É por causa do Chico que nós temos direito a usar os recursos de nossa terra de forma sustentável. É uma garantia à nossa sobrevivência e por isso nós jovens precisamos dar continuidade à essa luta e garantir o futuro das nossas florestas e das nossas comunidades”, afirmou.

Sobre o encontro

Ao todo, foram mais de 500 pessoas, entre lideranças vindas de todos os estados da Amazônia, populações tradicionais do Acre, convidados do Brasil e do exterior, além de representantes de organizações e governo, no Encontro realizado de 15 a 17 de dezembro, em Xapuri (AC).“Vivemos momentos de muita saudade e de muita emoção, Chico! Aqui estiveram seus companheiros seringueiros e suas companheiras de empate; de longe, vieram representantes de comunidades extrativistas de todos os biomas brasileiros”, descreveu a Carta de Xapuri sobre o sentimento ao final do Encontro.

Como parte da programação, foram realizadas atividades artístico-culturais, workshops, palestras, rodas-de-conversa, lançamentos de livros, exposição, entrega de prêmios, e eventos.  Dentre os destaques estão: a participação especial de Lívia Mamede Mendes, de 9 anos, bisneta de Chico Mendes, que fez a leitura de uma carta que escreveu para seu avô (confira o conteúdo da carta ao lado); a entrega do Prêmio Chico Mendes, pelo governo do Acre; a romaria ao túmulo de Chico Mendes; uma tarde dedicada a discutir o protagonismo das mulheres e o testemunho de algumas delas que fizeram os empates; e a inauguração da Exposição “Chico Mendes Herói do Brasil”.

De acordo com Ricardo Melo, coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, o evento reforçou que, mesmo após três décadas, o modelo de reserva extrativista (Resex), criado por Chico Mendes, é um sucesso e serve de inspiração para outros locais do mundo. “Essa situação nos mostra como um seringueiro, que morava na floresta, conseguiu mobilizar o planeta para a defesa da floresta. A Carta de Xapuri une gerações e nos faz refletir sobre a necessidade de pensar no futuro desse modelo. As Resex não são apenas para quem vive na floresta, mas também para todos nós que buscamos um futuro que concilie desenvolvimento e conservação”, avalia.

O modelo de Resex é um dos grandes legados que Chico Mendes deixou. Foi categorizada pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) como unidade de conservação (UC) de uso sustentável. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no total existem no Brasil 87 unidades de conservação (UCs) de uso sustentável com populações tradicionais extrativistas, dentre elas: 66 reservas extrativistas (Resex), 19 Florestas Nacionais (Flona) e 2 Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS). As Resex compreendem mais de 23 milhões de hectares e são moradia de 70 mil famílias ou cerca de 350 mil pessoas.

De acordo com o diretor de Ações Socioambientais e Consolidação Territorial em Unidades de Conservação do ICMBio, Claudio Maretti, as Resex são inovadoras pois defendem as populações tradicionais ao mesmo tempo que protegem a natureza. “Essa categoria de UCs reconhece o direito de desenvolvimento das populações tradicionais, oferece segurança jurídica e garante o acesso à terra. Para continuar mantendo as Resex, as comunidades não podem deixar de se engajar e se organizar socialmente. Além disso, as Reservas precisam produzir de forma sustentável para que exista qualidade de vida, e os crimes e ataques às Resex, como desmatamento e roubos de recursos naturais, precisam ser cada vez mais coibidos e mitigados”, avalia.

Fonte: WWF Brasil