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Com contratação pela CLT, Future-se vai atender o mercado e comprometer o ensino

Em meio aos cortes de verbas e protestos de estudantes e trabalhadores e trabalhadoras para defender a educação pública e de qualidade, em julho deste ano, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) e seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, apresentaram o Future-se.

Segundo o governo, a medida visa modernizar as 63 universidades federais do país, criar alternativa para a crise orçamentária das instituições e diminuir “gastos” com folha de pagamento.

Trabalhadores da Educação rebatem este argumento e afirmam que o objetivo não é bem este. Para professores, sindicalistas e técnicos entrevistados pelo Portal CUT, a medida vai atender o mercado e compromete o ensino público, gratuito e de qualidade.

Ainda sem data para ser apresentada e avaliada pelo Congresso Nacional, a proposta privatista do Future-se vai ficando cada vez mais clara a cada novo anúncio do governo. Em matéria publicada nesta semana pela Folha de S. Paulo, o ministro afirmou que as faculdades e universidades que aderirem ao Future-se vão ter de passar a contratar docentes e administrativos via CLT, ou seja, com carteira assinada pelas Organizações Sociais (OS) e não mais via concurso público.

“Este governo trata a educação como mercadoria e para aumentar a lucratividade quer tirar direitos conquistados pelos educadores universitários a partir de sua contratação. Nós entendemos que este processo via CLT e a partir de OS ferem os direitos conquistados e é inconstitucional”, afirmou o professor e secretário de Cultura da CUT, José Celestino Lourenço, o Tino.

Para Tino a modernidade não pode ser confundida com projeto político de um governo. Segundo ele, as contratações pelas OS’s – entidades privadas que prestam serviços públicos e não precisam seguir a lei de Licitações e Concursos – significa que a autonomia universitária em lei deixa de existir e abre caminho para a privatização e a terceirização.

E ainda, continua o dirigente CUTista, vão inserir um processo ideológico, com uma educação fundamentalista que altera a construção coletiva e democrática da educação em todos os seus processos.

Para o presidente da Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes), Nilton Brandão, este governo quer destruir a carreira dos docentes construída há anos com professores e pesquisadores com dedicação exclusiva para servir à nação e não para um governo.

“Contratar via CLT é dizer que vai contratar pessoas que o mercado precisa e não necessariamente que o ensino, pesquisa e extensão precisam. Com isso a educação vai ser colocada na prateleira pra ser comprada no mercado”, afirmou.

Estabilidade

O ministro da Educação argumenta que mesmo CLT, os trabalhadores das universidades federais contratados no Future-se terão estabilidade, assim como concursados.

Brandão diz que o governo e seu ministro mentem descaradamente quando se trata de educação, porque CLT pode ser mandado embora e, além disso, segundo ele, o governo mostra o tempo todo a vontade de demitir servidores.

“Este governo tem tentado redefinir conceitos para a sociedade fora da realidade e sem nenhum fundamento e, além disso, me parece um pouco contraditório. Não sei como eles podem garantir estabilidade para CLT e ao mesmo tempo apresentar uma proposta para acabar com a estabilidade de servidores públicos”, disse.

Contratação x qualidade

Para o Secretário de Assuntos Jurídicos do Proifes, Eduardo Rolim, o serviço público tem que ser profissional, ter a melhor qualificação possível e com estabilidade. Segundo ele, o concurso público é o sistema de contratação que se baseia na qualificação e no princípio da República.

“A Proifes não vê nenhum cabimento contratar via CLT porque pode ter desqualificação do serviço com apadrinhados e as universidades são do Estado e tem autonomia e não pode estar à mercê do governo de plantão”, afirmou.

Derrota do governo?

O coordenador-geral da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), José Maria, disse que o governo já começa a sentir a derrota do Future-se quando 24 universidades já disseram ser contrárias ao programa e 16 estão em discussão.

“O projeto inteiro é um fiasco, mas quando a gente concentra sobre a questão da contratação via OS é um absurdo. O concurso público é fundamental para uma função que precisa do compromisso com o povo brasileiro e não com o governo. Só com concurso garantimos uma forma democrática de contratação e também de qualidade de ensino, diferente do que quer este governo que parece que quer a volta do apadrinhamento, de preferência ideológico”, afirmou.

Segundo José Maria, a Fasubra está esperando há nove meses uma conversa com o governo “e eles fingem que a gente não existe e nem por isso deixamos de analisar o Future-se. O resultado do debate entre técnicos, docentes e estudantes se deu quando 24 conselhos universitários chegaram à conclusão de que o projeto nada vai trazer de melhoria nem para os estudantes, nem para os professores e nem para o Brasil”.

Desconhecimento da educação universitária brasileira

O ministro da Educação, também na matéria da Folha, disse que as universidades brasileiras não estão bem ranqueadas devido à distribuição de verbas sem controle algum.

“O ministro não conhece a educação brasileira, parece que ele caiu de paraquedas de outro planeta e não sabe que a nossa educação universitária é altamente qualificada”, disse o presidente da Proifes, Nilton Brandão.

Segundo ele, todas as pesquisas mostram que as universidades brasileiras são comparáveis a instituições internacionais e os números mostram isso. 98% da pesquisa brasileira são produzidas por estas universidades e negar este retorno social é negar a realidade brasileira.

“É mais uma mentira deste governo”, critica Brandão.

Retaliação

Para Rolim, as universidades que não aderirem ao programa podem sofrer retaliação do governo, que já disse que nenhuma universidade é obrigada a aderir, mas também afirmou que não terá nenhum recurso garantido.

“Vai ter pressão quase que impossível para as universidades aderirem. Tenho certeza que seremos retaliados, porque ou aceitamos o orçamento via OS ou vamos morrer a míngua sem recursos. Só o Congresso poderá rejeitar esta proposta nefasta”, concluiu.

Bomba relógio

Na matéria da Folha o ministro da Educação Abraham Weintraub também fala sobre cortar “gastos” com folha de pagamento, que é vista como bomba relógio.

“Bomba relógio é atrasar a pesquisa e ciência e tratar a educação com custo e não como investimento, porque é o acolhimento das novas gerações e as novas tecnologias que vão gerar riquezas para o país”, acrescenta Brandão.

Mobilização

Desde o início do ano, quando começaram os ataques contra a educação, os trabalhadores e estudantes não deixaram às ruas em protesto contra este governo. Nos próximos dias 02 e 03 de outubro haverá mobilizações nacionais em defesa da educação pública e de qualidade e contra a reforma da Previdência, que está tramitando no Senado.

“Nós somos uma federação e cada sindicato é autônomo e vai fazer o que quiser, mas o que importa é que todos participaram do processo de mobilização”, disse Rolim.

Para Brandão, “vamos derrubar o projeto no congresso, seja ele qual for, porque temos uma mobilização muito forte e o povo tem conhecimento que a educação pública é um patrimônio brasileiro”.

Segundo Tino, a CUT entende que este processo faz parte de uma estratégia antiga do capital que trata a educação como mercadoria e a Central estará na luta pela educação pública e de qualidade sempre que necessário.

“A CUT faz parte do Fórum Nacional Popular pela Educação (FNPE) e será parte das mobilizações em outubro. E no dia 02 estaremos realizando um grande ato em Brasília em defesa da educação pública e soberania nacional”, afirmou.

Fonte: CUT Nacional

Inscrições abertas para mestrado e doutorado acadêmico em Informação e Comunicação em Saúde

O Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS) está com inscrições abertas para os cursos de mestrado e doutorado acadêmicos para as turmas que se iniciam em 2020. Os editais contemplam candidatos brasileiros e estrangeiros, que podem se inscrever até 04 de outubro.

Com dez anos de atividades, o PPGICS é o único programa de pós-graduação stricto sensu do país construído sobre a interseção entre os campos da comunicação, da informação e da saúde pública, com metodologia interdisciplinar. Sua área de concentração é denominada como ‘Configurações e dinâmicas da informação e da comunicação em saúde’.

Os cursos, todos gratuitos, dividem-se em duas linhas de pesquisa. A primeira é ‘Produção, organização e uso da informação em saúde’, que inclui dentre seus eixos temas ligados à informação científica e tecnológica como análise das políticas, modelos, processo e práticas de organização, avaliação e uso da informação e do conhecimento no campo da saúde coletiva. 

A segunda linha denomina-se “Informação, comunicação e mediações” e, partindo da premissa de que o direito à comunicação é inerente ao direito à saúde, estuda as relações entre instituições, profissionais de saúde e de comunicação e a população, em suas diversas formas de organização, processos de produção, circulação e apropriação dos sentidos sociais. 

Processo seletivo

Para se candidatar, os interessados deverão ler atentamente o conteúdo completo das chamadas públicas, que detalham o número de vagas para cada programa, as linhas de pesquisa e seus eixos temáticos, além de descrever todas as exigências e etapas do processo seletivo.

As inscrições se darão por meio de preenchimento de cadastro na Plataforma SIGA – www.sigass.fiocruz.br -, além da submissão de documentos obrigatórios à secretaria acadêmica do Icict.

Para os dois cursos- mestrado e doutorado, os candidatos deverão realizar a homologação de sua inscrição por meio do envio da documentação nos formatos digitais para o endereço eletrônico processoseletivo@icict.fiocruz.br, informando, no campo assunto, os dizeres ‘Inscrição PPGICS 2020’.

As etapas da seleção incluem prova de inglês, marcada para 17/10, e entrevistas, que deverão ocorrer dentro do período de 12 a 17 de dezembro. Outras informações devem ser obtidas no setor de Gestão Acadêmica do Icict, que fica na Av. Brasil, 4.036, Prédio da Expansão do Campus, sala 210, em Manguinhos, telefones (21) 3882-9063 ou (21) 3882-9033, ou pelo e-mail gestac.ppgics@icict.fiocruz.br

Clique aqui para acessar a chamada pública dos cursos de Mestrado e Doutorado 2020 do PPGICS/Icict. – https://www.icict.fiocruz.br/content/ppgics-2020-inscri%C3%A7%C3%B5es-abertas-para-mestrado-e-doutorado-acad%C3%AAmico-em-informa%C3%A7%C3%A3o-e

FONTE: ASCOM/Fiocruz

Palestra alerta sobre o ensino de história em tempos de redes sociais

Na próxima terça-feira (17), às 14h, o Auditório Paulo Freire do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) será palco da palestra “Ensinos e aprendizagens de história versus redes sociais/ manipulação comportamental”.

O palestrante é Luís Fernando Cerri, graduado em História, mestre e doutor em educação.

Cerri explica que essa temática emerge diante dos problemas gerados pelas redes sociais na atualidade, como a criação de bolhas e a polarização política, principalmente em relação à produção e transmissão do conhecimento histórico.

“Este é um tema importante em tempos em que fenômenos como fake news e pós-verdades se estendem para a discussão pública sobre a história. Embora isso não seja novo, vide revisionismos sobre o holocausto, por exemplo, na atualidade, o fenômeno ganha extensões e profundidades inéditas”, explica.

A atividade é destinada a professores(as) de história e a todos que tenham interesse no assunto.

FONTE: ASCOM/SINPRO-DF

Nota da diretoria|GAEE é um direito do magistério

Em mais uma tentativa de protelar indefinidamente o pagamento das ações judiciais relativas a GAEE, o Governo do Distrito Federal (GDF) foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir que os processos já finalizados fossem quitados.Em uma versão destorcida dos fatos e desrespeitosa com a categoria dos professores(as) e orientadores(as) educacionais, o Distrito Federal acusa os professores de desonestidade ao buscar o pagamento da Gratificação de Ensino Especial (GAEE) para os(as) educadores(as) que atuaram em turmas inclusivas, trabalhando com crianças especiais em turmas regulares.O ataque demonstra a percepção dos governantes sobre a necessidade de políticas públicas que valorizem os profissionais de educação, que se desdobram para transmitir conhecimento a todos, independentemente das dificuldades individuais de cada estudante, proporcionando a inclusão, de maneira humana, desses estudantes em sala de aula.

Não é a primeira vez que o DF tenta, de forma desonesta, virar a mesa e alterar o resultado das ações já transitadas em julgado há mais de 3 ou 4 anos, em um primeiro momento foi necessário que o Sinpro-DF fosse ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) exigir o cumprimento da lei com o pagamento das Requisição de Pequeno Valor (RPV) dentro do prazo legal.Essa atuação resultou no sequestro dos valores devidos a inúmeros professores e o pagamento desses profissionais, no entanto, o DF ajuizou mandado de segurança contra o juiz da Coordenadoria de Requisições de Pequeno Valor para proibir os bloqueios judiciais.Mais uma vez sem apresentar o cenário real e desrespeitando a atuação dos(as) professores(as) com estudantes especiais, o DF conseguiu uma liminar proibindo os sequestros. No momento em que o Sinpro-DF pode se manifestar e apresentar o real cenário a liminar for revogada pelo mesmo desembargador que havia concedido em um primeiro momento.Após o insucesso com o mandado de segurança, o GDF apresentou centenas de recursos aos juizados especiais, todos negados. Ajuizou ainda uma dezena de ações no Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF – órgão máximo do TJDFT – , todas negadas também.Não tendo êxito nessas frentes, o DF resolveu buscar o STF para, de novo, postergar o pagamento dos(as)  professores(as), alegando que esses(as) profissionais não têm o direito a qualquer valor e que se valeram de “espertezas” para ter garantido o direito a GAEE.A Assessoria Jurídica do Sinpro-DF já atua no sentido de reverter a decisão no Supremo, levando o real cenário aos ministro, apresentando a atuação dos(as) profissionais que se desdobram pela educação pública de qualidade e pela inclusão de todos(as) os(as) estudantes que estão no sistema educacional público da capital do país, independentemente da sua condição física, psicológica, mental etc.

FONTE: ASCOM/SINPRO-DF

Nova campanha do Sinpro chama a atenção para a importância da nomeação de professores efetivos

Como parte da campanha Convoca Já, movimento criado pelo Sinpro para a nomeação de professores(as) e orientadores(as) educacionais aprovados em concurso público, o sindicato está criando uma nova campanha com o objetivo de chamar a atenção do Governo do Distrito Federal e da sociedade em geral para a importância destas nomeações para a busca de uma educação pública de qualidade. As nomeações de educadores(as) para vagas efetivas sempre foram uma bandeira defendida pelo sindicato, pela importância que tem para uma educação pública de qualidade e pela necessidade que a rede pública possui hoje.

Diante disto a categoria está convidada a participar desta mobilização doando brinquedos, alimentos e incentivando os(as) demais educadores(as) a participar, porque as nomeações fortalecem a educação pública, assim como a sua qualidade.

Dentro da campanha, o sindicato realizará uma série de movimentos no sentido de sensibilizar a sociedade e pressionar o governo para as nomeações. O primeiro movimento será uma campanha de arrecadação de donativos para a Creche Escola Crianças Movendo o Céu, na Estrutural. A arrecadação será do dia 2 ao dia 20 de setembro e os interessados poderão doar alimentos não perecíveis, brinquedos, além de itens de higiene e de limpeza, e entrega-los na sede e subsedes do Sinpro.

Esta luta não é somente daqueles(as) que aguardam suas nomeações, mas de toda a categoria e da Educação. “A importância da campanha é em defesa de uma educação pública de qualidade, socialmente referenciada, que é o conceito de educação que defendemos. Estamos movimentando a sociedade em torno do tema através de uma ação de solidariedade com estas crianças que necessitam de proteção social, que será o futuro do nosso país. Diante disto, o objetivo principal é mostrar à sociedade a importância da convocação desses professores concursados por sua qualificação e perlo que podem contribuir para a continuidade desta educação”, ressalta o diretor do Sinpro Jairo Mendonça.

FONTE: ASCOM/SINPRO-DF

Defender a EJA é garantir a cidadania

Por falta de políticas públicas de valorização da Educação de Jovens e Adultos (EJA), o governo tem reduzido a modalidade de ensino em diversas unidades país afora. Nos primeiros meses de governo Bolsonaro, várias incertezas para EJA foram vistas. Logo no início do mandato, o presidente dissolveu a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação (MEC).

O órgão era responsável não apenas pela modalidade de EJA em específico, como também por outras modalidades cujos sujeitos, frequentemente, são também estudantes da EJA, como a Educação do Campo e a Educação nas Prisões. Em seu lugar, foram criadas duas novas secretarias: a Secretaria de Alfabetização e a Secretaria de Modalidades Especializadas da Educação. No decreto que as instituiu, entretanto, não há nenhuma diretoria específica dedicada à modalidade.

O GDF tem seguido o mesmo viés do governo federal e também anunciou o fechamento de diversas turmas de EJA. O episódio mais recente aconteceu na última semana, quando a Secretaria de Estado de Educação (SEDF) determinou a redução da modalidade em duas escolas de Ceilândia: Centro de Ensino Médio (CEM)  3 e no Centro Educacional (CED) 11.  De um total de 14 salas no CEM 3, sete seriam fechadas.  Já no CED 11, de 12 turmas, outras quatro seriam extintas.

A notícia não foi bem recebida pela comunidade escolar e, graças a mobilização conjunta entre o Sinpro, professores(as), orientadores(as), estudantes e movimentos sociais o governo recuou da decisão.  Agora, todas as turmas serão mantidas até o final do ano e o enfrentamento para que o GDF apresente uma política de valorização da EJA será intensificada.

A professora da modalidade no CEM 3, Emanuelle Mendes, alerta que a decisão de redução das turmas foi tomada sem práticas de prevenção. A professora explica que além do desconforto e da superlotação, a mudança poderia resultar no fechamento de turno para o próximo semestre, prejudicar professores e estudantes e aumentar ainda mais os índices de evasão escolar.

“Mesmo não sendo professora de português, no que se refere aos investimentos na área educacional, acho no mínimo imoral que o governo conjugue os verbos fechar, devolver, reduzir. Temos que conjugar fomentar, incentivar, apoiar. Uma pena a palavra investimento ser associada a gastos pela Secretaria de Educação. Ao meu ver, o recuo foi, sem dúvida, a vitória foi da democracia. O momento agora é de cobrar o Estado. Ele tem que pensar em construir espaços de aprendizagens e não em minimizar os que já existem. Queremos a ampla divulgação das vagas nas grandes e pequenas mídias”.

Já a professora do CED 11, Ana Reulma Aires acredita que fechar turmas é fechar portas para as possibilidades que estes estudantes têm de recuperar o tempo perdido. “Nós não lidamos só com meros espectadores de aulas, nós lidamos com o sonho das pessoas. Sonho de mudança de vida, de deixar de lado a perspectiva de manutenção e se tornarem agentes de transformação. Nós já estamos em campanha para a conquista de novos estudantes. A nossa luta não acabou, é só um respiro. Porque o objetivo de fechar turmas não mudou, o que mudou foi o prazo para que isso aconteça. Então, onde houver combate, haverá resistência”, concluiu.

A Secretaria alegou que o motivo do fechamento de turmas seria a falta de estudantes nessas unidades, porém esta é uma afirmativa no mínimo contestável. Para os professores(as) e orientadores(as) dessas unidades existe sim um problema de evasão escolar na EJA. Muitas vezes, esses problemas estão relacionados à diversos fatores, como dificuldade de aprendizagem, longa jornada de trabalho, larga heterogeneidade no mesmo espaço que pode variar entre jovens a partir de 15 anos, adultos, idosos, trabalhadores urbanos e rurais, jovens em liberdade assistida, alunos com necessidades especiais e um grande conjunto de pessoas que por diversas razões foram excluídas da escola.

Entretanto, mesmo em meio a todos os desafios impostos aos professores e estudantes da EJA, simplesmente querer cortar turmas e devolver professores não é a solução, muito menos uma justificativa.

A integrante do Grupo de Trabalho Pró-Alfabetização do Distrito Federal (GTPA-Fórum EJA/DF), Maria Luíza Pinho Pereira explica que a demanda social da modalidade EJA em todo o DF é enorme. Atualmente, um contingente significativo de pessoas não é atendido pela oferta de matrículas na rede pública.

Existe um grande número de possíveis estudantes para ingressarem na modalidade de ensino EJA. Somente em Ceilândia, por exemplo, segundo dados da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) de 2018, estima-se que 100 mil pessoas na faixa etária acima dos 25 anos não terminaram a educação básica.

Segundo Pereira, o conceito da EJA na forma integrada à Educação Profissional conquistado na lei do Plano Nacional de Educação (PNE) em 2013 e incluído no Plano Distrital de Educação (PDE), foi fruto da luta dos movimentos sociais, popular, estudantil e sindical. “A Lei 5.499 que instituiu o PDE foi construída coletivamente pelo Fórum Distrital de Educação. Ela obriga o governo a cumprir as Metas 8, 9, 10 e 11 referidas à EJA na forma integrada à Educação Profissional (EJA/EP), o que não está acontecendo. O GTPA-Fórum EJA/DF tem lutado por todos os aspectos da EJA junto aos poderes legislativo e executivo”, esclarece.

Madalena Torres, diretora do Centro Educação Paulo Freire de Ceilândia (Cepafre) e coordenadora do Movimento Popular por uma Ceilândia Melhor (Mopocem), explica que além de disponibilizar o 156, número da Central de Atendimento ao Cidadão para matrícula de novos estudantes, é preciso uma ampla mobilização e divulgação por meio de uma busca ativa. “Muitos não conseguem fazer sua matrícula devido a burocracia. É preciso facilitar o acesso e, principalmente, criar uma escola atrativa para trazer esses alunos. Precisamos receber essa população com respeito e cuidado e entender   que não são apenas estudantes, e sim trabalhadores estudantes”, reitera.

Na avaliação da diretora do Sinpro, Eliceuda França, o recuo representa uma vitória importante para todos diante do papel social da Educação de Jovens e Adultos. Para ela, em período de desmonte e ataques à educação, o governo pelo menos cogitar a quebra do processo pedagógico desses estudantes é no mínimo cruel e deve ser fiscalizado para que isso de fato não ocorra. “Realmente tem poucos alunos por turma na EJA, mas parece que o principal propósito do governo é simplesmente fechar de fato, ao invés de batalhar para trazer novos estudantes. Hoje não temos uma política clara de valorização e defesa dessa modalidade. A EJA é uma correção para os jovens e adultos que no seu período normal de formação não tiveram acesso à educação por inúmeros motivos; constituíram famílias muito cedo e só agora estão voltando a estudar, jovens que largaram os estudos para trabalhar e a ajudar a família e muitos outros. Por isso, é fundamental investir em campanhas publicitárias e educativas para divulgar essas vagas para população e trazer os alunos para a escola”, afirma.

Para a diretora do Sinpro, Mônica Caldeira, a medida é mais um ataque. “É absurdo que se negue aos estudantes a oportunidade de voltar a estudar. Não se trata apenas de ter um certificado de conclusão do Ensino Médio. É o retorno ao ambiente de conquista da cidadania, do sonho por qualificação profissional. A vida passa pela escola, e ao negar esse direito, o Estado comete uma violência contra alunos e professores.”

O também diretor do Sinpro, Luciano Matos concluiu afirmando que a militarização, outra iniciativa do GDF que segue a linha autoritária de Bolsonaro, também pode contribuir para o desmonte da EJA. “A militarização imposta pelo governo irá acabar ainda mais com a oferta da modalidade. Muitas escolas que foram militarizadas extinguiram a Educação de Jovens e Adultos. É preciso começar a valorizar e tratar a EJA como política pública e não apenas política compensatória como tem sido feito. Disponibilizar para todas as modalidades de ensino acesso à escolas bem estruturadas, atrativas, com laboratórios, salas de recursos, bem como contratar mais orientadores, fundamentais para atuação na EJA e, principalmente, seguir as metas que tratam de segurança pública, transporte etc”, concluiu.

Clique AQUI e confira a carta aberta do Centro de Ensino Médio (CEM)  3

FONTE: ASCOM/SINPRO-DF

Sinpro-DF promove ato cultural em defesa da democracia nas escolas

Com o objetivo de promover a democracia nas escolas e denunciar a intervenção militar nas unidades escolares do Distrito Federal, o Sinpro promove às 16h do dia 6 de setembro, na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto, um Ato Cultural aberto a toda a comunidade. Durante a atividade os microfones estarão abertos para aqueles(as) que desejarem cantar ou fazer qualquer tipo de apresentação cultural.

A crescente militarização das escolas públicas é inconstitucional por diversas perspectivas e, além disso, viola os tratados internacionais assinados pelo Brasil. Na perspectiva do direito à educação, viola frontalmente os princípios da “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber”, do “pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas” e da gestão democrática do ensino público, na forma da lei (incisos II, III e VI do art. 206, respectivamente).

É diante de tudo isto que o Sinpro vem denunciando a tentativa do GDF em militarizar as escolas públicas de forma impositória e antidemocrática. A solução para a educação pública é o investimento, não a implantação de um projeto comprovadamente antidemocrático e que não forma o cidadão como um todo.

FONTE: SINPRO-DF

Mesmo com provas de excelência, governo desqualifica ensino do Gisno para impor a militarização

Na última semana, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) afirmou à imprensa que que o Centro de Ensino Gisno, localizado na Asa Norte, é a pior escola pública do Distrito Federal.

“Dei prazo e deleguei ao novo secretário de Educação que conversasse com as lideranças e visse se eles têm outro modelo (…) para melhorar aquela que é tida hoje como a pior escola do Distrito Federal”, declarou erroneamente o governador.

Ibaneis desconhece os projetos desenvolvidos pela escola, inclusive, os reconhecimentos já obtidos pela instituição em diversas competições de  conhecimento como a Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (OBFEP) e Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas  (OBMEP).

A escola foi uma das duas que rejeitaram, no último sábado (18/08/2019), a mudança do modelo de ensino, e mesmo após todos os segmentos da escola (pais, responsáveis, estudantes e servidores) rechaçarem  a militarização em votação legítima e aos moldes da Gestão Democrática (Lei nº 4.751), o governador afirmou que a escola será militarizada caso não apresentem uma contraproposta.

Segundo a equipe da escola, a princípio, o Gisno não estava na lista para ser militarizada. No inicio do ano, a unidade estava inclusive cotada para participar do projeto Escola que Queremos, da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF) e, sem qualquer aviso prévio, o governo anunciou a mudança. Agora, o GDF tenta a todo custo empurrar goela abaixo a militarização, mesmo após a comunidade já ter se posicionado veementemente contra a medida.

Para a comunidade do Gisno existe sim uma alternativa à militarização: o investimento.  Ao contrário da opinião equivocada de Ibaneis, o Gisno é, na verdade, uma escola inclusiva, repleta de projetos pedagógicos atrativos e acumula inúmeros prêmios.

Atualmente, o Gisno atende mais de mil estudantes, distribuídos em classes de Ensino Fundamental – Séries Finais, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos, além de sala de altas habilidades e classes especiais.  Lá, todos têm acesso à atividades  relacionadas ao Meio Ambiente, Educação em Direitos Humanos, Protagonismo, bem como projetos de judô, dança, teatro, cinema, educação física e muito mais.

Apesar dos desafios e problemas que todas as 678 escolas do DF possuem, o Gisno tem colhido bons frutos. E a prova de que os investimentos em projetos e na valorização da educação valem a pena pode ser vista nos resultados positivos. Em 2018, por exemplo, o Gisno foi a única escola pública do DF destaque na Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (OBFEP). Na época, o aluno Bruno Nakamura, do 9° ano, ficou em 2° lugar no ranking e ganhou medalha de ouro.  Outros dois alunos João Pedro Barbosa Lemos dos Santos e João Pedro Souza dos Santos garantiram medalhas de prata para escola. E muitas outras premiações, inclusive, na Olimpíada Brasileira de Matemática.

Para o Sinpro, a declaração do governo sobre o Gisno foi preconceituosa e demonstra que Ibaneis desconhece o papel social que a escola tem cumprido durante anos.

Para a comunidade, a militarização tira a identidade inclusiva do Gisno. Atualmente, apenas 0,5% dos estudantes que compõem o Gisno são moradores da Asa Norte.  Todos os outros vêm das cidades satélites de Brasília e do entorno; Luziânia, Céu Azul, Planatina de Goiás etc.

Para a professora Joelma Nascimento a militarização possui essência totalmente excludente. “Eu não acredito que a militarização vai resolver os problemas da escola. Nós temos dificuldades em vários setores e a saída para resolvê-los está no investimento em recursos humanos e materiais. Como essas crianças serão no futuro se elas não puderem brincar, pensar nem ao menos questionar? Nós recebemos uma diversidade muito grande de alunos que já são excluídos de outras escolas, da sociedade, da família, até mesmo menores que cumprem medidas socioeducativas. Entretanto, nenhum professor ou professora olhará para esse estudante com preconceito, mas sim, com olhar humano e acolhedor.  O papel da escola pública é incluir a todos sem distinção”, ressalta.

A estudante L.M., do 1° ano concorda que militarização é opressora e tira a identidade de cada indivíduo. “Eu adoro a diversidade do Gisno e obrigar os alunos que são diferentes a entrarem em um padrão é muito ruim. Nós sabemos a nossa realidade e, para mim, isso não interfere em nada no nosso aprendizado. Temos um espaço muito grande e o ideal era investir ainda mais em projetos criativos”, afirma.

Já o professor Robson Raimundo explica que mesmo com a tentativa de desmobilização da comunidade com o agendamento da votação para o final de semana, dificultando o acesso dos alunos à escola, os estudantes compareceram em peso no pleito e foram categóricos em sua decisão. “Obvio que temos problemas como qualquer outra escola, no entanto, entendemos que a militarização não é a melhor solução para o ensino. O atendimento das nossas reivindicações de melhoria nos recursos materiais e humanos já seria um ótimo começo. Apenas o endurecimento de questões disciplinares e querer transformar a escola num quartel não garantirão um alto nível de aprendizado. Aqui no Gisno, mesmo com todos os problemas e políticas discriminatórias temos obtido avanços. A militarização é ruim tanto do ponto de vista pedagógico porque não acrescenta nada, muito pelo contrario, cria elemento de tensão e  padronização dentro das escolas e os que não se enquadrarem são expulsos. Além de impedir a organização e participação dos trabalhadores nos movimentos da sua categoria e isso é inadmissível”.

Projeto de Judô do Gisno 

FONTE: SINPRO-DF

Editorial | Governador Ibaneis: duas facadas e uma negligência

A prova de que a militarização não resolve o problema da violência está nos fatos. E, em se tratando de escola, outra prova, demonstrada cientificamente em todo o mundo, é que a violência é um problema social que só pode ser resolvido com investimento em políticas públicas com o dinheiro público e a atuação séria do Estado.

Afirmamos isso para mostrar como o Governo do Distrito Federal (GDF) está errado na forma como administra, no mínimo, dois setores importantes da sociedade: a educação e a segurança pública. Nesta semana, estudantes de duas escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal foram esfaqueados na frente da unidade escolar.

O governo Ibaneis poderia dizer que o crime ocorrido, na segunda-feira (19), do lado de fora do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 407, de Samambaia, uma escola que rejeitou a militarização, era resultado da falta de policiais militares dentro da unidade escolar, como noticiou, ardilosamente, o G1 e outras mídias.

Mas a violência, que, comprovadamente, é um problema social levado de fora para dentro da escola, ou seja, a escola reflete a violência social das ruas e da sociedade, mostrou que o G1 e, principalmente, o governador Ibaneis Rocha (MDB), sempre estiveram errados. Infelizmente, dois dias depois da cena violenta no CEF 407, houve outro esfaqueamento na porta de outra unidade escolar. A diferença é que, dessa vez, na frente de uma escola militarizada desde fevereiro deste ano sob o discurso de que era para conter a violência.

Com mais de 20 policiais militares dentro do Centro Educacional (CED) 07, de Ceilândia, a PM não conseguiu impedir que, nessa quarta-feira (21), um de seus estudantes fosse esfaqueado na frente da escola. Ou seja, na mesma semana, dois estudantes foram esfaqueados na porta de duas escolas públicas. O que faltou? O que não é feito pelo GDF?

A violência corre solta na cidade e, em vez de colocar a Polícia Militar (PM) para atuar no combate ao crime nas ruas, para o que ela foi criada, o GDF mantém o plano negligente e privatista de aquartelar mais de 20 policiais dentro de cada uma das escolas públicas militarizadas. Ora, se o governo Ibaneis não garante segurança pública nem nos arredores de escolas militarizadas, avalia fora delas. Cadê o investimento em segurança pública tão prometida e usada como blefe para se conquistar a vitória na eleição democrática de 2018?

Enquanto o governador fica de dentro do Palácio do Buriti investindo recursos humanos e financeiros públicos na destruição do ensino público com militarização das escolas, com inchaço de funcionários públicos desviados de suas funções dentro de escolas públicas, aquartelamento de PM em unidades escolares, a violência recrudesce na capital do país.

A insegurança tira a paz da cidade e dos pais de filhos e filhas das classes muito menos favorecidas do que as classes ricas. Além de tirar também a paz dos(as) estudantes que precisam andar nas ruas da cidade pelo menos para entrar e sair das escolas, o modelo de gestão de Ibaneis aterroriza eles e elas dentro das escolas militarizadas ao adotar um sistema autoritário, agressivo e fútil de relacionamento humano que não disciplina ninguém, mas devasta a subjetividade de cada um.

Sim. Esses estudantes que precisam da escola pública e gratuita de qualidade são a principal vítima da negligência palaciana. Hoje, o Distrito Federal tem uma nova modalidade de aquartelamento em que a PM se tranca dentro das escolas públicas enquanto, ao redor delas, nas quadras, nas ruas, o crime recrudesce e faz vítimas.

O atual cenário do DF é, portanto, 20 ou mais policiais aquartelados nas escolas públicas, nenhum nas ruas e os crimes comendo solto nos arredores das unidades escolares. As facadas ocorridas na frente do CEF 407, de Samambaia, e CED 07, de Ceilândia, esta última uma escola militarizada, são o retrato do descaso do GDF com a segurança pública e seu uso para outros fins que não o de combater o crime.

O caso do CED 07 desnuda a falta de investimento em educação porque a causa do crime está no tema do bullying, que poderia ser evitado se a escola tivesse mais profissionais de EDUCAÇÃO atuando dentro dela e, fora dela, o Batalhão Escolar combatendo o crime. A mesma coisa pode ser dita da causa do crime ocorrido no CEF 407. Situações distintas que explodem em razão da falta de INVESTIMENTO em EDUCAÇÃO.

Sem proposta adequada para a gestão da cidade, o governo Ibaneis militariza 10 escolas públicas, incluindo aí várias que rejeitaram a intervenção militar em consulta prévia, feita pelo próprio GDF; coloca de 20 a 25 policiais dentro de cada uma; e esvazia as ruas do patrulhamento e do combate ao crime. Olhe pela janela de sua casa e observe a cada hora, ao longo do dia e da semana, você consegue ver sua quadra patrulhada adequadamente?

O Sinpro-DF defende a imediata restauração de uma política de segurança pública séria para o DF, com valorização das carreiras policiais e da educação, e a presença de duplas de policiais do Batalhão Escolar da PM do lado de fora das escolas e das duplas “Cosme e Damião” nas ruas com equipamentos modernos e viaturas novas.

Confira o vídeo gravado no momento da facada, nessa quarta-feira (21), no CED 07, de Ceilândia, uma escola militarizada em fevereiro deste ano, na qual se esperava haver segurança pública.

Link para o vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=Ud0yPr2NHm8

FONTE: SINPRO-DF

Entrevista: ‘precisamos escolher quais contas a gente paga e quais a gente atrasa’, diz reitora da UFSB, a federal mais atingida pelos cortes de Bolsonaro

FAZ 29 GRAUS EM ITABUNA, no sul da Bahia. Joana Angélica Guimarães da Luz, 61 anos, se dirige diariamente ao km 39 da BR 415, a Rodovia Ilhéus – Vitória da Conquista. Ali, num prédio antigo alugado na Vila de Ferradas, bairro pobre na periferia de Itabuna, fica a reitoria da Universidade Federal do Sul da Bahia, a federal que mais perdeu dinheiro com os cortes do Ministério da Educação.

Segundo a Andifes, a Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior, o orçamento da UFSB em 2019 caiu para menos da metade: o valor inicial de R$ 31,5 milhões foi para R$ 14,5 milhões. O primeiro efeito do corte é sentido pelo corpo: apesar do inverno quente, em que a temperatura chega a 27 graus, a ordem é deixar o ar-condicionado desligado em todas as unidades. Nos últimos dias, me disse a reitora, eles tiveram “sorte”: choveu e ao calor deu uma trégua.

Luz é a primeira mulher negra eleita reitora de uma universidade federal. Empossada há pouco mais de um ano, ela teme não conseguir sequer concluir a construção dos campi da universidade, inaugurada em 2014. São três: Itabuna, Porto Seguro e Teixeira de Freitas. Todos em obras. Todas, paradas.

Luz nasceu nos arredores de Itabuna. Filha de trabalhadores rurais, ela migrou do nordeste ao sul do país para estudar: primeiro, fez graduação em geologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, seguida pelo mestrado na Universidade Federal da Bahia e pelo doutorado na Cornell University, em Nova York. A partir de 2012, participou ativamente da construção do projeto político-pedagógico da UFSB, declaradamente pautado por ideias de intelectuais como Anísio TeixeiraMilton Santos e o temido Paulo Freire. Segundo Luz, a UFSB foi idealizada como uma universidade de inclusão: a jovem federal abriga 4,5 mil alunos de graduação e pós-graduação – cerca de 80% deles de famílias de baixa renda.

Após o anúncio do “contingenciamento orçamentário” – uma sinalização da alta probabilidade de cortes – ordenado pelo Ministério da Educação em abril, a reitora abriu as contas: o orçamento de R$ 31.529.663 perdeu R$ 17.620.589. Só na rubrica de despesas de investimento (obras, mobiliário e materiais), o valor inicial de R$ 13.909.074 minguou para R$ 2.108.008. O bloqueio, dizia a reitoria, implicaria a “inviabilização iminente” da universidade.

O iminente virou imediato. “Universidades estão dizendo que vão parar as atividades, e a nossa está incluída. Não é tom de ameaça, não é retaliação. É realidade: não há condições concretas para continuidade”, relata a reitora. A administração está precisando escolher quais contas e contratos pode honrar e quais inevitavelmente vai pagar com atraso. “Estamos chegando ao ponto de paralisar tudo.”

Em entrevista ao Intercept, Luz fala sobre essas escolhas e a expectativa de liberação de recursos extras em setembro. Se não entrar mais dinheiro no caixa, a situação será “o caos”.

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20 de junho de 2018: o dia em que a primeira reitora negra eleita assumiu uma universidade federal no Brasil.Fotos: Mariana Leal/MEC

Intercept – Hoje, 15 de agosto, como está a UFSB?

Joana Angélica Guimarães da Luz – Hoje temos uma despesa de R$ 1,2 milhão por mês, mas recebemos R$ 860 mil. Estamos literalmente precisando escolher quais contas a gente paga e quais a gente atrasa, quais contratos a gente honra e quais não. O campus fica em uma cidade muito quente, mas definimos desligar o ar-condicionado para economizar energia elétrica. Os projetos de pesquisa estão em stand-by. Também temos diversas obras paradas, pois não temos recursos para pagar a empreiteira. A ordem direta é agora é suspender as obras, pois não há como arcar com os custos – mas ainda estamos discutindo com o MEC. Até lá, estamos nesse jogo de atrasar aqui, reduzir ali e ir levando para fechar o mês.

Como vocês têm feito essas escolhas?

Temos contratos com trabalhadores terceirizados, o pessoal de vigilância, transporte e limpeza. Abrimos licitação e contratamos empresas terceirizadas, a partir de uma estimativa do número de funcionários necessários por metro quadrado de área, como diz a legislação. Estes são os contratos que estamos priorizando o pagamento, pois, se não pagarmos, os trabalhadores não recebem salário. A pior decisão é deixar as pessoas sem salário, afinal, elas dependem disso para a própria sobrevivência. Depois, temos contas de água, energia, despesas com manutenção predial. Se atrasamos, negociamos com o fornecedor por um mês, dois meses, mas e depois? A companhia de energia vai nos acionar, vai cortar a luz. Já estamos com faturas em atraso.

Até agora, a maioria está compreendendo que a falta de condições de pagamento de suas obrigações de contrato não depende de nós, da gestão da universidade, mas que é uma questão de conjuntura de um contingenciamento geral das universidades federais. Há uma compreensão de que estamos vivendo um momento atípico, pois não estamos recebendo aquilo que tinha sido acordado anteriormente.

Para nós, o crucial é o andamento das obras. A infraestrutura implica a sobrevivência da universidade, quer dizer, da própria estrutura física onde nós vamos atuar. Como somos uma universidade muito nova, ainda há muito a construir. São três campi, que precisam de investimento na infraestrutura básica. Não temos sede própria da reitoria – atualmente trabalhamos num prédio alugado. Temos áreas doadas e imóveis adaptados para salas de aula, reitoria e pró-reitorias, mas já temos um déficit de salas de aula nos três campi.

Novos alunos vão chegar e não sei como vamos recebê-los no próximo ano. Fizemos um planejamento das obras diante de um orçamento aprovado no ano passado. Esse orçamento não se concretizou, pois foi contingenciadoem abril. Estamos em agosto, esperando que essa situação se reverta em setembro. Caso contrário, teremos problemas sérios na manutenção de uma série de atividades. Dias atrás, parlamentares e representantes da Andifes se reuniram com o ministro [Abraham Weintraub] e ficou sinalizada a possibilidade de descontingenciamentode recursos a partir de setembro. Precisamos disso para continuar.

Se o descontingenciamento não se concretizar, a universidade pode parar?

Sim. Universidades estão dizendo que vão parar as atividades, e a nossa está incluída. Não é tom de ameaça, não é retaliação. É realidade: não há condições concretas para continuidade. Se não tivermos recursos liberados em setembro, não temos como manter uma série de serviços essenciais, como a energia elétrica, a luz! Como vamos ter aulas se não há luz? Como vamos abrir vagas para novos alunos se não há salas de aula? É uma questão concreta, de estrutura física. Estamos chegando ao ponto de paralisar tudo.

Esta universidade começou em uma sala de 30 metros quadrados, cedida por uma associação, onde passei um ano articulando os contatos e os acordos para instalar a universidade, buscando espaços, fazendo parcerias com as prefeituras. Nós estamos construindo a universidade do zero. A situação atual nos atrapalha muito. Três obras em andamento deveriam ser concluídas ao longo de três anos, mas o cronograma deste primeiro ano já está bastante comprometido. Uma delas, por exemplo, é a reitoria, no campus de Itabuna. A previsão era mudar para a nova sede no primeiro semestre de 2019 – é um prédio antigo no centro da cidade, cedido pelo Tribunal de Justiça da Bahia, que precisa de reforma. Atrasando este prédio, atrasam as outras obras. Também tínhamos previsto a construção do prédio do núcleo pedagógico, que está pronto, mas falta a infraestrutura, a via de acesso, água, energia. Nós fomos diminuindo o ritmo das obras, mas agora não tem mais como diminuir. É parar mesmo.

Diferentemente do que dizem, nós temos responsabilidade administrativa e temos todo um planejamento, feito por pessoas competentes e comprometidas. Todo o planejamento de uma universidade é feito a partir do orçamento e, mês a mês, temos uma liberação do financeiro. Nós planejamos: a partir do ano tal, teremos X alunos; considerando a entrada anual, precisamos de Y salas a mais. Também deveríamos ter nosso quadro [de funcionários] completo até 2020. Foi previsto um quantitativo de servidores, técnicos e docentes, mas até agora temos menos da metade. Planejamos os cursos com o número X de docentes, mas não temos todos os professores, porque os concursos não foram liberados. Quer dizer, não tem sala, não tem docente.

Joana Guimarães durante a solenidade de transmissão do cargo de Reitor e posse de Vice-Reitor da UFSB, em 12 de julho de 2018.

Após um ano no cargo, a reitora teme a paralisação da universidade: recursos têm data para acabar. Foto: Assessoria de Comunicação da UFSB

A restrição financeira é mais cruel para as federais mais jovens?

Sim. Certamente as mais antigas enfrentam problemas. As mais consolidadas sofrem com custeio e manutenção de prédios mais antigos e renovação de laboratórios, por exemplo. Mas as mais jovens sofrem, pois ainda estavam no processo de construir esse arcabouço inicial. No caso da UFSB, além do custeio, obviamente, precisamos de investimento alto de infraestrutura. Ainda somos pequenos. Deixamos de comprar equipamento para montar um laboratório por falta de verba. Pesquisas podem atrair investimento privado, mas como vou atrair investimento privado se não tenho um laboratório minimamente equipado para uma pesquisa mais avançada? Se eu não tenho o que oferecer, como vou vender uma ideia para a iniciativa privada?

Tínhamos um edital aberto de apoio a projetos de extensão e pesquisa na universidade. Como somos uma universidade nova, alguns professores já têm projeto com financiamento externo, mas muitos estão em início de carreira e, portanto, ainda não têm um portfólio de pesquisa para buscar fomento. Além do mais, as agências de fomento têm diminuído recursos também. Então, elaboramos editais de pesquisa para os jovens pesquisadores aqui. Mas, como precisamos reduzir recursos de todas as áreas, suspendemos os que seriam destinados a projetos. E são projetos importantes para a região, com potencial de atrair novos recursos para nós. Um deles, por exemplo, é de ervas medicinais, originárias da Mata Atlântica, trabalhando junto ao entorno da universidade, com a perspectiva de gerar renda para as comunidades ao redor. Outro projeto, do curso de engenharia florestal, é sobre a produção de cacau num sistema chamado cabruca – o cacau é produzido na sombra, e as árvores precisam ser mantidas, quer dizer, um modelo de uso sustentável da floresta. Os estudos, então, vão nesse sentido: que iniciativas econômicas a gente pode ter para que essa floresta se mantenha de pé e, ao mesmo tempo, dê renda para quem vive na região? São projetos promissores que, tendo um investimento inicial, podem atrair mais investimentos.

O discurso desta onda anti-intelectual, que imagina universidades como antros de ‘balbúrdia’, afasta investidores da iniciativa privada?

Universidades têm imensa importância na construção do conhecimento, na formação de milhares de profissionais de todas as áreas. É um patrimônio importantíssimo para o Brasil: o conhecimento é um bem imaterial. E é problemático o impacto de interromper o andamento das atividades ou transformar universidades de uma forma tal que a gente não tenha liberdade de construção do conhecimento ou discussão sobre os vários vetores de desenvolvimento.

Dizer que professor de universidade pública só trabalha oito horas por semana é um dos maiores absurdos que já ouvi [no dia 17 de julho, o ministro Abraham Weintraub disse que professores com dedicação exclusiva das universidades federais recebem um salário equivalente a R$140 mil por mês, já que passam “apenas” oito horas semanais em sala de aula]. Docentes não estão trabalhando só em sala de aula – todos têm carga cheia, a semana inteira. O ensino é um dos pilares da universidade. Também há extensão e pesquisa.

Há declarações tão absurdas que às vezes a gente acha que é piada. A questão da balbúrdia, que os universitários são drogados e pelados, é uma delas. Estou na universidade a minha vida inteira, como estudante, professora, enfim. Fiz meu doutorado nos Estados Unidos e não vejo nenhuma diferença em termos de comportamento estudantil entre as universidades americanas e o que acontece no Brasil. Que balbúrdia é essa? Na UFSB, os alunos estão na sala de aula, os professores dando aula, todo mundo trabalhando. Esse é nosso dia a dia. Quem diz esse tipo de coisa não sabe o que é uma universidade de fato. É um espaço de crítica, de todas as críticas possíveis, de todos os matizes ideológicos. É um espaço de discussão de ideias, divergentes ou convergentes, onde se estimula a capacidade de pensar o mundo e de criar. Se isso é balbúrdia, eu quero continuar fazendo balbúrdia.

Como avalia a atual gestão na ciência?

Posso até me comprometer, mas vou dizer: não há gestão de ciência e tecnologia no Brasil hoje. Entende-se ciência e tecnologia a partir do pressuposto de que elas devem servir ao capital. Ponto. O Brasil não investe em conhecimento científico e tecnológico, e pagamos um preço alto, porque acabamos ficando à mercê do que é desenvolvido em outros países. E isso só abordando a questão de mercado. Tem também a questão social, que deve que estar embutida para pensar o desenvolvimento do país.

Future-se, lançado agora pelo governo federal, tem como carro-chefe a arrecadação de recursos, a chamada liberdade de arrecadar. A universidade já faz isso: há convênios com empresas privadas para o desenvolvimento de determinados projetos. O que está ali no programa, porém, é uma ideia da universidade que esteja única e exclusivamente a serviço do mercado. É perigoso deixá-la à mercê das corporações e dos empresários.

Muitas vezes, não há como medir de imediato o impacto de pesquisa, mas ela pode se transformar em uma tecnologia importante no futuro. Hoje, podemos não enxergar o potencial, mas a ciência é dinâmica e amanhã uma pesquisa básica pode ser a chave para avançar uma pesquisa aplicada. O investimento público deve se manter fortemente nas universidades brasileiras. Lá fora, nós sabemos, o investimento privado é pequeno: nos Estados Unidos e na Europa, a maior parte dos investimentos nas universidades vêm dos cofres públicos. [Tem] Quem diz “ah, mas as universidades brasileiras não estão entre as top do mundo”. Como vão estar se não têm o nível de investimento que as outras top do mundo têm?

A universidade corre risco de sofrer uma mudança muito rápida sem a discussão devida sobre o que é, afinal, uma universidade, qual é seu papel, qual é sua dinâmica.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante apresentação do programa "Future-se".

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, no lançamento do ‘Future-se’, aposta do governo para as universidade arrecadarem recursos. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Qual é o papel de uma universidade federal no sul da Bahia?

A expansão das universidades federais foi fundamental no sentido de dar oportunidade a jovens de regiões mais remotas ou mais afastadas dos grandes centros, principalmente jovens de baixa renda. Quem tem dinheiro consegue mandar o filho estudar em qualquer lugar, mas quem não tem… No sul da Bahia, que não é área remota, mas atrativa inclusive do ponto de vista turístico, ainda assim os jovens não viam a universidade como uma possibilidade. Levar a universidade para perto do estudante de baixa renda foi muito importante. Digo por experiência própria: fiz graduação, pós-graduação e hoje sou reitora de uma universidade federal graças a um infortúnio da minha infância. Meu pai ficou desempregado, e a família precisou mudar para Salvador. Se não tivéssemos saído da zona rural de Itabuna, eu não teria condições de estudar na época.

Quando a universidade foi anunciada aqui, visitamos escolas e fizemos audiências públicas nas cidades da região – são 48 municípios no entorno dos três campi. Um dos alunos do ensino médio disse em um desses encontros: “Mas pra ser frentista do posto de gasolina, não preciso estudar mais do que já estudei”. Quer dizer, a perspectiva de futuro dele chega ali, no posto de gasolina da cidadezinha dele. A chegada da universidade deu outra dimensão de possibilidades – e ele e outros jovens como ele entraram. Nosso maior número de alunos é da região, incluindo indígenas, quilombolas e quem trabalha nos assentamentos também.
Isso não significa que as pessoas devam sair e nunca mais voltar para suas cidades. Sempre digo que é importante que as pessoas se qualifiquem e que depois saibam que podem ir aonde quiserem – ficar, ir, voltar. Para que eles possam contribuir com o desenvolvimento econômico e social do espaço onde eles foram criados, onde eles viveram ou onde eles vivem. Não dá pra gente fazer inclusão para transformar o incluído num excluidor.

A UFSB é a universidade da inclusão. Trabalhamos nessa perspectiva de trazer esses jovens pra cá. Precisamos trazê-los para dentro da universidade para que eles estudem – e para que a gente aprenda com eles.

Campus Jorge Amado, sede da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Itabuna-BA.

Campus Jorge Amado, a sede da Universidade Federal do Sul da Bahia em Itabuna. Foto: Divulgação

Como se sente como a primeira mulher negra eleita reitora de uma universidade federal?

A primeira foi Nilma Lino, reitora pro tempore [temporária] da UNILAB. Eu fui a primeira eleita e, até o momento, a única.

Tenho dois sentimentos contraditórios sobre essa condição. O primeiro é a alegria da possibilidade de ser uma referência para meninas e mulheres negras mundo afora. Que elas saibam que uma mulher negra pode ter uma posição de destaque e ocupar qualquer cargo, qualquer posto no país. É um reconhecimento intelectual de pessoas negras. O segundo é a tristeza pelo fato de uma mulher negra assumir uma reitoria ser notícia por ser tão raro. Que a gente ainda admire e celebre algo que não deveria ser raro.

Sou dura na queda. Sou forte e firme no trabalho. Mas, ultimamente, tenho me sentido sem forças. Ir a Brasília tem sido um trabalho doloroso. Sempre fui otimista, mas estou enfraquecida nesse sentido. O país está uma praça de guerra, como se o contraditório fosse proibido. Confesso que estou me sentido um tanto… desanimada não é a palavra, pois sinto que não tenho direito de desanimar agora. Precisamos respirar fundo, buscar forças e batalhar. Não dá pra entregar os pontos.

Por fim, diria que a UFSB hoje está no sinal amarelo ou avançou o vermelho?

Estamos entrando no vermelho. Se em setembro recebermos recursos no mesmo patamar que em agosto, aí estaremos definitivamente no vermelho, piscando e bastante alerta. Ainda temos fôlego, mas já não temos condições de pagamento de todos os contratos neste mês – vamos pagar alguns e esperar o dinheiro do próximo mês para quitar o que ficou de agosto e mais as contas de setembro. Agora, se não tiver mais recursos no próximo mês, aí, sim, já é o caos. Se continuar assim, fechar a universidade é o último passo.

FONTE: The Intercept Brasil