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‘Saí do corte de cana para me tornar professor’: Incra quer acabar com a escola do MST que mudou minha vida

LEMBRO DE QUANDO meu pai, minha mãe e meus quatro irmãos íamos juntos para o corte de cana. Acordávamos cedo, 4 horas da manhã, e a mãe acordava antes ainda para preparar a comida. A gente cortava cana em um engenho próximo de nossa casa em Ribeirão, no interior do Pernambuco — uma região à mercê da oligarquia da cana de açúcar, imposta há séculos por senhores de engenho e usinas açucareiras.

Andávamos dois quilômetros a pé até o corte. Quando a gente chegava no canavial, meus pais procuravam um canto com sombra onde meus irmãos pequenos pudessem ficar, debaixo de uma árvore ou pé de goiabeira. Aí eu e meu irmão mais velho ajudávamos no trabalho. Era o tempo da ‘cana amarrada’: a gente juntava e amarrava a cana que meus pais cortavam. Contávamos dez ou 12 canas para caber em um fecho, e isso agilizava a produção dos meus pais.

Nessa época, saíamos cedo de casa e ajudávamos nossos pais até 10 ou 11 horas da manhã, que era o tempo de voltar para casa, tomar um banho e ir pra escola na cidade. Então, enquanto nossos coleguinhas dormiam até às 9 horas da manhã, a essa hora já estávamos amarrando fechos de cana, e nosso rendimento escolar era baixo por conta disso. A gente ia para o colégio marcar presença, e eu não via outra perspectiva que não fosse viver do corte de cana.

Geralmente, um bom cortador de cana produz até 7 toneladas em um dia. É um trabalho degradante com uma exploração muito pesada, em que pessoas são forçadas a trabalhar em seu limite máximo. As usinas costumam pagar cerca de 7 reais por tonelada de cana cortada — e, ainda assim, há fraudes nessas pesagens. O ‘cabo’, empregado do engenho responsável por pesar e pagar pela quantidade cortada, às vezes rouba medidas para satisfazer a vontade do patrão e dar menos ao trabalhador.

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Turma do Centro de Formação Paulo Freire./Foto: Acervo Pessoal/Greisson Izidorio

A gente não tinha ânimo para estudar ou adquirir novos conhecimentos. A cultura dessa minha região é trabalhar, quem sabe ficar rico um dia, ganhar dinheiro e virar um usineiro de cana de açúcar também. É uma cultura de submissão total onde essa oligarquia domina e não há perspectiva nenhuma para além disso. Eu achava que ia seguir cortando cana porque era isso que nos sustentava.

Na zona da mata sul do Pernambuco, região em que cresci, o açúcar representa o poder econômico. É explorador para o cortador porque ele sai de casa às 4 horas da manhã e volta às 4 da tarde. Trabalha a semana todinha cortando 2, 3 toneladas ao dia, o que depende muito da capacidade física, para ter um salário no final de semana ou na quinzena. Até os 20 anos, ajudei meus pais nisso.

Lembro que não tinha vontade de estudar. Estava na escola porque sabia que tinha a obrigação de aprender a ler e escrever e, quem sabe, talvez fazer um curso de contabilidade para melhorar de vida. Talvez sair do corte de cana, mas não tinha perspectiva nenhuma de fazer um curso superior. Também quando cheguei em uma certa idade, abandonei os estudos porque queria ir atrás de emprego e me sustentar sozinho.

Mas aí surgiu minha aproximação com o MST, por meio do meu irmão mais novo em 1999. Ele foi cursar magistério e, quando voltou, logo me contou do Centro de Formação Paulo Freire, mantido por movimentos de luta pela reforma agrária, em Caruaru. Fui estudar lá em 2001 ou 2002. Lá, cursei o que hoje equivale às séries finais do fundamental, do sexto ao nono ano, e o ensino médio.

Nessa época, me encantei ao conhecer pessoas da mesma origem que eu com um conhecimento extraordinário e uma formação. A partir dali, me despertou um novo olhar e gosto pelo estudo. Só que, depois de terminar o nível fundamental lá no Centro de Formação, o desafio era concluir o ensino médio. O MST sempre deixou claro que apenas com o conhecimento podemos contrapor as ideias da classe endinheirada. O conhecimento é libertador, então temos de ir atrás dele. Para mim, terminar o ensino médio era questão de honra.

FONTE: The Intercept Brasil

Sérgio Nobre é eleito presidente da CUT por unanimidade

Metalúrgico do ABC, Sérgio Nobre, é eleito para mandato de 4 anos na presidência da CUT. A vice-presidência será ocupada por Vagner Freitas, e Carmen Foro é a primeira mulher eleita para a Secretaria – geral

Os delegados e delegadas do 13º Congresso Nacional da CUT “Lula Livre” – Sindicatos Fortes, Direitos, Soberania e Democracia, elegeram nesta quinta-feira (10), em chapa única, a nova direção Nacional da CUT para o mandato de 2019/2023.

Para a presidência da entidade foi eleito por unanimidade o metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre. A vice-presidência será ocupada pelo representante do sindicato dos Bancários, Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Vagner Freitas, presidente por dois mandatos de sete anos. A Secretaria-Geral será comandada pela primeira vez nos 36 anos de CUT por uma mulher, a trabalhadora rural, Carmen Foro.

Em seu discurso de posse, Sérgio Nobre agradeceu a todos e todas que participaram do 13º Concut pela qualidade rica dos debates, pelo esforço na construção do Congresso e, em especial, aos sindicatos de base, aos presidentes das CUT’s estaduais e a todos os funcionários da Central que trabalharam meses na organização do congresso.

Roberto Parizotti

Ele destacou que o período de seu mandato será duro em consequência dos ataques aos direitos que a classe trabalhadora vem sofrendo desde o golpe de 2016, e mais fortemente nos últimos dez meses de governo de Jair Bolsonaro (PSL), que só apresenta propostas de retirada de direitos sociais e trabalhistas e não tem projeto de desenvolvimento econômico, com justiça e inclusão social, e geração de emprego e renda.

“Esse Congresso foi realizado numa conjuntura adversa, difícil, que requereu de todas as forças políticas a mais ampla unidade para enfrentar o fascismo neste país. Esta chapa expressa toda a diversidade do país, de raça e entidades. Tem gente do campo, da cidade, de entidades públicas e privadas e  LGBTs”, declarou.

O novo presidente da CUT lembrou ainda da luta que a Central vem travando nos últimos anos, desde as jornadas de 2013, a dura eleição da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2014, o golpe que veio na sequência e a prisão injusta do ex-presidente Lula, além do papel que desenvolveu para garantir direitos, defender a democracia e pela liberdade de Lula, a quem ele foi visitar na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde é mantido preso político desde abril do ano passado. Sérgio contou que Lula pediu para a CUT chegar mais perto da base, do povo, da população em geral.

Sérgio Nobre disse ainda que a CUT esteve o tempo todo nas ruas e vai continuar assim . No próximo dia 30, vai ocupar as ruas de Brasília contra a política econômica deste governo que está destruindo o país, em defesa do patrimônio público, das estatais, da Amazônia e dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.

“Dia 30 é a nossa primeira tarefa. Vamos estrear bater lá no Paulo Guedes [ministro da Economia]. Vamos impedir os projetos autoritários de Jair Bolsonaro  [PSL]”, anunciou.

O novo presidente da CUT fez uma homenagem ao seu antecessor, Vagner Freitas, a quem agradeceu a parceria e ressaltou a importância da parceria nos próximos anos. “Eu não poderia deixar de agradecer o quanto tenho orgulho de você, por sua experiência e companheirismo. Quero agradecer também a minha categoria, os metalúrgicos, meus companheiros de chão de fábrica que vieram aqui”.

Ao encerrar Sérgio Nobre voltou a falar sobre a violência praticada contra Lula,  disse que apesar dele não estar presente fisicamente acredita que o ex-presidente mandou boas energias para os participantes do Congresso, que recebe o nome Lula Livre. Nobre lembrou ainda que dia 27 deste mês, é aniversário do ex-presidente e haverá comemorações em todo o país.

“Lula é nosso companheiro que pode nos liderar para derrotar Bolsonaro e  recuperar a democracia.Um forte abraço a todos e todas e viva a Central Única dos Trabalhadores e das trabalhadoras”, encerrou o novo presidente da CUT.

O vice-presidente

Vagner Freitas, que será o vice-presidente da entidade, agradeceu o apoio de todos e todas durante seu mandato na presidência da CUT e, disse estar honrado da chapa única, eleita com representantes de todos os sindicatos da base, do campo e da cidade, de homens e de mulheres.

“Parabéns a todos indicados, à coordenação do Congresso, às correntes políticas que tiveram a capacidade de construção da chapa única e aos mais de 1700 delegados, que num momento conturbado como este aceitaram fazer este 13º Concut. Demonstramos a nossa energia e qualidade da representação dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil”.

A primeira mulher numa das principais secretarias

A primeira mulher eleita Secretária-Geral da CUT, Carmen Foro, iniciou seu discurso agradecendo a todas as mulheres invisíveis e negras que ao longo da história das mulheres trabalhadoras passaram pela CUT. Agradeceu também ao sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarapé-Miri (PA), de onde veio e à  Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura( Contag).

“Quero agradecer a direção política da CUT porque eu tenho uma concepção de vida que a gente só vai conseguir enfrentar os desafios se tivermos muita solidariedade entre nós. Estamos todas juntas e todos juntos porque a guerra que está estabelecida no próximo período requer de nós coragem, força, determinação e unidade”.

Carmen Foro lembrou ainda que a história da classe trabalhadora nunca foi fácil e a CUT precisa estar atenta e firme para enfrentar a reforma sindical.

“Nós vamos derrotar essa reforma sindical, organizar os trabalhadores e fazer todas as lutas necessárias. Essa vai ser nossa missão: organizar os congressos estaduais até dezembro e pautar um conjunto de outros enfrentamentos com esse governo. Viva a CUT. Viva a classe trabalhadora. Viva o movimento sindical. Até a vitória companheiros e companheiras”, encerrou Carmen.

Sobre o Congresso

No total se inscreveram para o 13º Concut 1.957 delegados e delagadas. Deste total, 1.705 se credenciaram, sendo 968 homens e 737 mulheres.

Confira abaixo a relação dos credenciados por ramos:Confira a lista da nova direção Nacional da CUT:

Presidente

Sergio Nobre

Vice-Presidente

Vagner Freitas

Secretária-Geral

Carmen Helena Ferreira Foro

Secretário-Geral Adjunto

Aparecido Donizeti da Silva

Secretário de Administração e Finanças

Ariovaldo de Camargo

Secretária-Adjunto de Administração e Finanças

Maria Aparecida Faria 

Secretário de Relações Internacionais

Antonio de Lisboa Amâncio Vale

Secretário-Adjuntode Relações Internacionais

Quintino Marques Severo

Secretário de Assuntos Jurídicos

Valeir Ertle

Secretário de Comunicação

Roni Anderson Barbosa

Secretário-Adjunto de Comunicação

Admirson Medeiros Ferro Junior (Greg)

Secretário de Cultura

José Celestino (Tino)

Secretária de Formação

Rosane Bertotti

Secretária-Adjunta de Formação

Sueli Veiga de Melo

Secretária de Juventude

Cristiana Paiva Gomes

Secretário de Relações de Trabalho

Ari Aloraldodo Nascimento

Secretária-Adjunta de Relações de Trabalho

Amanda Gomes Corsino

Secretária da Mulher Trabalhadora

Junéia Batista

Secretária de Saúde do Trabalhador

Madalena Margarida da Silva

Secretária-Adjuntade Saúde do Trabalhador

Maria de Fátima Veloso Cunha

Secretária de Meio Ambiente

Daniel Gaio

Secretária de Mobilização e Movimentos Sociais

Janeslei Albuquerque

Secretária de Políticas Sociais e Direitos Humanos

Jandyra Uehara

Secretário-Adjunto de Políticas Sociais e Direitos Humanos

Ismael Cesar José

Secretária de Combate Ao Racismo

Anatalina Lourenço

Secretária-Adjuntade Combate Ao Racismo

Rosana Sousa Fernandes

Secretária de Organização e Política Sindical

Maria das Graças Costa

Secretária-Adjuntade Organização e Política Sindical

Jorge Farias

Diretores executivos

Aline Marques

Ângela Maria de Melo

Claudio Augustin

Cláudio da Silva Gomes

Eduardo Guterra

Francisca Trajano dos Santos

Ivonete Alves

João Batista (Joãozinho)

José de Ribamar Barroso

Juvândia Moreira Leite

Marcelo Fiorio

Marcelo Rodrigues

Mara Feltes 

Maria Josana de Lima

Maria Julia Nogueira

Marize Souza Carvalho

Milton dos Santos Rezende (Miltinho)

Pedro Armengol

Rogério Pantoja

Sandra Regina Santos Bitencourt

Virginia Berriel

Vitor Carvalho

Conselho Fiscal – Efetivos:

Adriana Maria Antunes

Dulce Rodrigues Mendonça

Francisco Chagas (Chicão)

José Mandu

Conselho Fiscal – Suplentes:

Hugo Gimenes

Juseleno Anacleto

Raimunda Audinete de Araújo

Sebastiana De Oliveira Santana

FONTE: ASCOM/CUT

Pescadoras buscam visibilidade e garantia de direitos

Mulheres exercem papel de destaque na atividade pesqueira, mas ainda lutam pelo direito ao reconhecimento do trabalho

Quando falamos de mulheres rurais e do seu importantíssimo trabalho para a soberania e segurança alimentar, a primeira imagem que nos vem à cabeça são mulheres nos roçados, plantando, carpindo, colhendo e processando. Com esforço, estendemos o nosso olhar para as matas e florestas onde milhares de mulheres vivem do extrativismo. Mas, dificilmente, adentramos esse olhar nas águas, sejam elas doces e salgadas.

Contudo, há milhares de mulheres rurais vivendo sob as ondas e maretas dos rios, lagos e mares no mundo. Só no Brasil, dos quase um milhão de pescadores artesanais, 45% são mulheres. As mulheres que ocupam espaços no universo da pesca são: pescadoras, fileteiras, descascadeiras, marisqueiras, catadoras, remendeiras, vendedoras … mulheres e filhas de pescador.

Nesse universo é comum se deparar com mulheres confeccionando redes, capturando mariscos, moluscos, peixe, processando e beneficiando produtos à base de pescados e realizando a comercialização. Atividades essas denominadas “atividades de apoio a pesca”, que por Decreto em 2017, foi excluída das atividades que possibilitava as mulheres fazerem sua inscrição no Registro Geral das Atividades Pesqueiras, decreto esse que passou a conceder direitos ao referido registro, exclusivamente, a atividade de tirar o peixe da água. O restante da cadeia produtiva do pescado não tem mais amparo legal, e é justamente nesse espaço onde há uma maior inserção das mulheres.

Maré cheia da invisibilidade

A lógica da divisão sexual de trabalho, que hierarquiza e valoriza o trabalho masculino em detrimento do trabalho realizado por mulheres, são algumas das formas de invisibilização das mulheres na atividade pesqueira, que só tiveram o direito ao registro de pesca a partir de 1980, com a Lei 6.807 do referido ano.

A invisibilidade das pescadoras, infelizmente percorre o mesmo caminho das demais mulheres rurais, tidas em muitos espaços como simples “ajudantes”. No caso da pesca, essas “ajudantes” respondem por 90% do quantitativo de pessoas que trabalham com as atividades secundárias da pesca, de acordo com a FAO.

Como coloca Cida Pescadora – primeira mulher a ter Carteira de Pescadora: “hoje as mulheres já vão em reuniões, já opinam. Mas, ainda continuam sendo ajudantes. Muitas poucas mulheres são vistas como profissionais da atividade da pesca”. Cida ressalta ainda que as atividades produtivas e reprodutivas das pescadoras não são visibilizadas, valorizadas e ressarcidas financeiramente. Reforçando desse modo o estereótipo de ajudante e/ou reforçando as ideias de que as atividades pesqueiras “não pertencem à mulher”, assim como as afirmações que “os homens fazem o trabalho mais pesado”, mesmo quando esse trabalho pesado é realizado por mulheres.

Reconhecer o trabalho das pescadoras é ir além de garantir os direitos ao registro da atividade, ao seguro defeso, a participação nas tomadas de decisões, esse reconhecimento, deve estender-se ao seu primordial papel no beneficiamento e comercialização dos produtos da pesca; na geração de renda familiar e divisas para os municípios e estados através dessas atividades de beneficiar e comercializar; na manutenção da atividade pesqueira com a fabricação e concerto das redes e demais equipamentos da pesca; na manutenção dos hábitos alimentares que os povos das águas detém; nas histórias de pescadores e pescadoras, que fazem parte da nossa história enquanto povo; na manutenção e reprodução das famílias pescadoras – cuidar da família não é uma obrigação feminina, deve ser uma atividade partilhada com o núcleo familiar, se o homem sai para o rio e/ou mar, alguém necessita realizar esse trabalho familiar; e como agente de desenvolvimento rural sustentável que através das diárias atividades complementares, possibilita as famílias a segurança e soberania alimentar.

Todo trabalho feminino deve ser reconhecido como tal. Ajudantes deverão caracterizar apenas as/os que realizam trabalhos voluntários, as/os que trabalham diariamente realizando trabalhos que tem retorno econômico, para as famílias, municípios e estados. Isso, denominamos trabalho!!!

Campanha 2019 #MulheresRurais, Mulheres com Direitos

De 1º a 15 de outubro, a Campanha #Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos promove 15 dias de mobilização para valorizar a contribuição das trabalhadoras do campo ao cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável relacionados à igualdade de gênero e ao fim da pobreza rural. O tema norteador da quinzena ativista é “O futuro é junto com as mulheres rurais”, com a hashtag #JuntoComAsMulheresRurais.

O principal objetivo da campanha é destacar o trabalho promovido por pescadoras, agricultoras, extrativistas, indígenas e afrodescendentes. A campanha no Brasil é coordenada pela Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com a FAO, a ONU Mulheres, a Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do Mercosul (REAF) e a Direção-Geral do Desenvolvimento Rural do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai.

FONTE: ASCOM/Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Vários sotaques mesmo idioma: a luta por direitos e democracia

Desde domingo (6), é grande a movimentação no Ginásio Falcão, na Praia Grande, onde está sendo realizado o 13º Congresso Nacional da CUT “Lula Livre” – Sindicatos Fortes, Direitos, Soberania e Democracia. Os mais de dois mil sindicalistas de diversas regiões trouxeram em suas bagagens os desafios e as perspectivas de luta por direitos de trabalhadores e trabalhadoras de todos os cantos deste país.

Como na época de sua fundação, a classe trabalhadora, a CUT e o movimento sindical vivem uma série de ataques, tanto institucionais e trabalhistas quanto sociais e econômicos. E se não bastassem, precisam pensar a organização dos trabalhadores na diversidade regional, nas demandas de cada categoria, nas transformações do mundo do trabalho, nas mudanças na legislação que precarizaram as condições de trabalho, além da realidade política de cada local.

O Portal CUT entrevistou diversos dirigentes das mais variadas categorias das cinco Regiões do país para ouvir  quais são os desafios que têm de enfrentar para defender a classe trabalhadora.

Movimento sindical

O Secretário de Organização da CUT Brasília, Douglas de Almeida Cunha, disse que o principal debate da Região Centro-Oeste e de todo o movimento sindical brasileiro são os ataques que contra os direitos da classe trabalhadora e contra as entidades sindicais.

“São ataques que visam destruir o meio sindical que é o legítimo representante e escudo de proteção do trabalhador para conseguirem destruir direitos conquistados com muita luta”, afirmou.

Segundo ele, é muito importante se apropriar das discussões deste encontro para sair daqui mais forte e preparado para o que vem por aí com o governo de Jair Bolsonaro (PSL) e os governos ultraliberais que estão espalhados pelo país.

“Aqui no Congresso iremos fazer debates sobre o financiamento sindical, a reestruturação e a solidariedade entre os sindicatos e a expectativa é que possamos construir um novo cenário nesta conjuntura”, afirma Douglas.

O dirigente disse que espera levar daqui propostas de ações para avançar nas negociações coletivas, nas representações nos locais de trabalho, nas questões de mulheres, racial, LGBT e juventude “para que possamos trabalhar de acordo com a realidade da sociedade e aplicar estas propostas diversas nos acordos coletivos de trabalho”.

Pauta das mulheres e educação

A professora e militante da Marcha Mundial das Mulheres da capital federal, Thaisa Magalhaes, contou que o coletivo de mulheres da CUT de Brasília se organizou para trazer o debate nacional no 13º CONCUT a questão das trabalhadoras, como a criação de mecanismos de acolhimento para mulheres que possam ter sofrido algum tipo de violência, moral, sexual ou física no trabalho, inclusive dentro dos sindicatos.

Ela destaca que quando se fala em perda de direitos e a luta por uma sociedade que seja democrática e libertadora necessariamente deve-se passar não só por criar empregos, mas pela luta por igualdade, combate às opressões e defesa de uma educação libertadora e crítica.

“A direita entendeu a estratégia da educação e isso a gente vê com avanço da militarização das escolas e da escola sem partido, que internaliza a censura e a proibição da gente poder construir uma sociedade que pensa e que lute contra opressão de gênero e por uma sociedade igualitária. Estou na torcida de que este Congresso se concentre no debate de políticas e a gente saia daqui mais fortes para lidar com os desafios do próximo período”, concluiu a brasiliense.

Exclusão social, comunicação, cultura e diversidade

Ainda em relação ao Centro-Oeste, o presidente da CUT Goiás, Mauro Rubem, cita a questão do endividamento público do país, “que massacra e acaba com a vida do povo brasileiro e exclui a população de forma cruel” de serviços em áreas fundamentais como saúde e educação, programas de habitação popular e até combate à fome.

Para ele é fundamental que a CUT assuma uma campanha sobre o tema para que esta realidade seja alterada.

Sobre a questão sindical, ele aponta três aspectos importantes que, no seu estado, os trabalhadores e as trabalhadoras da CUT têm tratado.

“Diante do esfacelamento e da pulverização nós temos que construir politicamente nossa ação sindical unitária, temos que ter uma política de comunicação para nos comunicar com 200 milhões de pessoas e nacionalizar a TVT e precisamos tratar da questão cultural, para inclusive mostrar que esse país não é como a direita está mostrando, fascista, homofóbico, que chega ao ponto de excluir o trabalhador”, afirmou Mauro.

“Nós esperamos que as experiências boas que aqui aparecerem nós possamos levar para Goiás, mas a unidade política é a expectativa maior, sem esta unidade entre nós nada funciona”, concluiu o dirigente.

Políticas locais, unidade da esquerda e financiamento sindical

A secretária de Comunicação da CUT Santa Catarina, Adriana Maria Antunes de Souza, afirma que os catarinenses vivem as mesmas políticas de Jair Bolsonaro (PSL), porque o governador Carlos Moisés, do mesmo partido, tem a mesma linha política neoliberal do governo federal.

“A gente fez muita discussão de como a CUT em Santa Catarina vai se posicionar e fazer o enfrentamento para essa política neoliberal que ataca os direitos dos trabalhadores e isso com certeza está acontecendo também em outros estados”, destaca.

Santa Catarina, segundo ela, também é o estado/berço do dono da Havan e empresário Bolsonarista, Luciano Hang, que ela chamou de “velho da Havan” e apontou como saída à unidade da esquerda no estado no sentido de resistir e enfrentar os desafios.

O trabalhador e a trabalhadora são ameaçados, com sentimentos de obrigação de servir porque sentem que o patrão está fazendo um favor de dar empregos e é sentimento muito forte que vem sendo disseminado pelos empresários em Santa Catarina–

Segundo a dirigente, a CUT tem a obrigação de fazer o enfrentamento e com, a unidade da esquerda no estado, ela considera que será menos difícil.

E olhando para dentro da CUT, Adriana disse que “as expectativas que a gente tem, enquanto Central Única dos Trabalhadores são os direcionamentos e uma clareza de estratégia de como a gente avança para essa questão além das nossas bases”, se referindo ao eleitorado desta política neoliberal, mas que nem sempre são defensores desta política.

Adriana também destaca a preocupação sobre a questão financeira dos sindicatos, mas afirma que o financeiro não pode ser maior que a política da entidade. “Nós temos que apontar para os dirigentes sindicais CUTistas que a questão financeira é importante, e é um problema que teremos que enfrentar, mas que a principal questão está naquilo que temos que construir politicamente com a sociedade, com os trabalhadores, com os desempregados e assim por diante”, conclui Adriana.

Legados do golpe, resistência, luta e futuro

Com o golpe de 2016, quando a presidenta Dilma Rousseff (PT) foi destituída, o Nordeste foi uma das Regiões que mais sofreu os impactos, afirmou o presidente da CUT Pernambuco, Paulo Rocha. Segundo ele, Recife antes do golpe, por exemplo, vivia em pleno emprego e agora a fome volta a assombrar os pernambucanos.

Além disso, ressalta Paulo, “a nossa expectativa é o que vamos construir de projeto de desenvolvimento para todas as regiões para eliminar a pobreza não só no Nordeste, mas de todo país. E também como vamos organizar este novo mundo do trabalho, porque se não tivermos devidamente preparados vamos sofrer muito”.

“A gente tem que aprender a conviver com tudo isso pra, mas precisamos ter políticas e é por isso que a gente está aqui, para construir essas políticas”, destacou Paulo Rocha.

Falando em futuro, a presidenta da CUT Rio Grande do Norte, Eliane Bandeira, disse que, com os ataques aos direitos trabalhistas e mudanças do mundo do trabalho, é preciso uma nova estratégia, é preciso se reorganizar e fortalecer o movimento sindical.

“A nossa principal bandeira é se reinventar para enfrentar esta conjuntura e pensar estratégias de organização para este novo modelo de trabalho, que está à nossa frente. Esse é o grande desafio”, afirma Eliane.

A presidenta da CUT Rio Grande do Norte disse que esta realidade do novo modelo de trabalho e as novas tecnologias não são desafios apenas dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras, “isso é no mundo”. “Isso já acontece em vários lugares do mundo e a gente precisa saber como os representantes dos trabalhadores e das trabalhadoras destes países enfrentam estes desafios e a gente pensar junto com eles. E eu fiquei muito feliz de ver isso aqui, no primeiro dia de Congresso”, contou.

“E para meu estado eu pretendo levar as perspectivas de construção do futuro do mundo sindical e de enfrentamento às políticas neoliberais deste governo. E a gente estava precisando se energizar com sindicalistas de todo país e do mundo para levar na bagagem disposição de luta e neste momento é muito importante”.

Desindustrialização

Em São Paulo, a CUT foi ouvir o interior do estado para conhecer as demandas dos trabalhadores e das trabalhadoras e um dos desafios da Região. Uma das principais demandas, segundo a secretária de Comunicação da Central do Estado, Adriana Magalhães, é a desindustrialização.

Símbolo da industrialização do país, o ABC Paulista, tem tido, nos últimos períodos, a queda do Produto Interno Bruto (PIB), o aumento do desemprego e fechamento de montadoras. Além disso, pontua Adriana, o setor de serviços de plataformas tem aumentado e “temos a necessidade de termos uma mudança estatutária para que possamos olhar as cooperativas e associações de trabalhadores que surgem a partir dessas novas demandas para fortalecer a CUT e o movimento sindical”.

Juventudes: negra e do campo, meio ambiente e soberania

A Região do Norte, mas especificamente no estado do Pará, aponta o secretário de Formação da CUT no estado, Moisés Souza Santos, tem uma pauta fundamental que é a defesa da Amazônia. Para ele, a maior floresta tropical do planeta está muito visada para este governo, se referindo a subordinação de Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua ligação com o agronegócio.

“Temos que defender nossa Amazônia para o bem do clima e também em defesa da soberania e das próximas gerações”, destacou Moisés, que é membro do Coletivo Nacional da Juventude.

Ele também alerta sobre a importância de se discutir sobre a criminalização da juventude, negra, periférica e do campo.

Ele denunciou o aumento de morte no campo e do uso do agrotóxico e afirmou que a juventude está desamparada, quando se fala em políticas públicas como esporte, lazer, saúde e educação.

“Nós jovens estamos com uma dificuldade muito grande nessa questão de educação, porque o governo cortou vários benefícios da educação e nós do campo somos mais prejudicados. O jovem do campo sem bolsa de ajuda de investimento não consegue permanecer na universidade”, destacou Moisés.

Sobre o Congresso, Moisés disse que este é o momento de fortalecimento da CUT, porque “a gente vai discutir nossos objetivos, colocar nossos desafios para fora e juntos descobrirmos o mecanismo um caminho para solucionar esses nossos desafios. Vamos deste momento ruim, dar a volta por cima até a governar este país, para que nossas políticas públicas voltem e toda juventude e toda classe trabalhadora possam ser feliz de novo”.

Fonte: CUT

Obra sobre a vida de Paulo Freire será lançada em novembro

A Editora Vestígio, a Livraria Leitura e o autor Walter Kohan convidam os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais para o lançamento do livro Paulo Freire: Mais do que nunca. O lançamento acontece no dia 5 de novembro, às 19h, no Auditório Paulo Freire, na sede do Sinpro-DF. O autor da obra, professor Walter Kohan, debaterá com os presentes.

A obra

Paulo Freire está hoje no meio de uma acirrada disputa ideológica. O livro Paulo Freire, mais do que nunca – Uma biografia não é um livro sobre a ideologia ou a política partidária de Paulo Freire. É um livro sobre uma política que se encontra numa vida de igualdade, amor, errância e infância.

Paulo Freire: mais do que nunca pode ser lido em pelo menos dois sentidos: o primeiro diz que, no contexto atual da educação e da política brasileiras, é mais importante do que em qualquer outro momento ler, pensar e inspirar-se nas ideias e na vida de Paulo Freire. Nesse sentido, o livro justifica a pretensão de pensar uma política que parta da vida, da igualdade, do amor, da errância e da infância para educar. Num outro sentido, Paulo Freire: mais do que nunca expressa o relevo e a atualidade das ideias do autor num tempo educacional que não passa. Como se a sua vida nos convidasse a um presente que extrapola o tempo cronológico, uma presença presente, nele inspirada. Por isso, o “mais” do título não é um mais de quantidade, mas de intensidade, qualidade, presença no tempo da educação.

Nesse contexto, o livro afirma cinco princípios inspirados na vida de Paulo Freire: a) a vida(como inseparável de qualquer prática educativa); a igualdade (no início, como pressuposto e não como finalidade da educação); o amor (não apenas pelas pessoas, mas pela posição educadora que se ocupa); a errância (no duplo sentido de equivocar-se e de viajar sem um destino predeterminado); a infância (como impulso vital e não apenas idade cronológica).

Walter Omar Kohan é Pós-Doutor em Filosofia pela Universidade de Paris 8. Professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Brasil e da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), recebeu, em 2008, o Prêmio “Cientista de nosso Estado” na área Educação. Publicou mais de cinqüenta artigos em periódicos especializados e é autor ou organizador de trinta livros, no Brasil e no exterior. Seus textos estão publicados em espanhol, francês, italiano, inglês, finlandês e húngaro, além do português. Entre 1999 e 2001 foi presidente do ICPIC (International Council for Philosophical Inquiry with Children). Participou como conferencista de mais de cem eventos no Brasil e no exterior. Atualmente dirige projeto de pesquisa com alunos de graduação, mestrado e doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ e coordena projetos interinstitucionais com universidades de Brasil e da França. Participa em conselhos editorias de diversas publicações acadêmicas internacionais e é co-editor de childhood & philosophy. Principais publicações: Sócrates, el enigma de enseñar (Buenos Aires: Biblos, 2009); Filosofía, la paradoja de aprender y enseñar. (Buenos Aires: Libros del Zorzal, 2008); Infância, estrangeiridade e ignorância (Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2007); Infância. Entre educação e filosofia. Belo Horizonte : Autêntica Editora, 2003); Filosofia na Escola Pública. (Petrópolis, RJ: Vozes, 2000; com Bernardina Leal e Alvaro Ribeiro).

FONTE: SINPRO/DF

“Repensar o Progresso para o Brasil de 2050” é o tema da palestra de abertura do Ciclo de Conferências “O Brasil em 2050”, com a participação da socióloga política Elisa Reis

A Academia Brasileira de Letras abre seu Ciclo de Conferências do mês de outubro, intitulado O Brasil de 2050, com palestra da socióloga política Elisa Reis. O tema escolhido é Repensar o progresso para o Brasil de 2050. A coordenação é do Acadêmico e escritor José Murilo de Carvalho. O evento será realizado quinta-feira, dia 3 de outubro, às 17h30, no Teatro R. Magalhães Jr., (Avenida Presidente Wilson 203 – Castelo, Rio de Janeiro). Entrada franca.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado é a coordenadora-geral dos Ciclos de Conferências de 2019.

Os Ciclos de Conferência, com transmissão ao vivo pelo Portal da ABL, têm o patrocínio da Light.

Serão fornecidos certificados de frequência.

A intitulação O Brasil em 2050, segundo o Acadêmico José Murilo de Carvalho, refere-se às consequências que acontecerão no Brasil nos próximos 30 anos. Uma mudança que está relacionada aos aspectos sociais, ambientais, econômicos e políticos, e à literatura brasileira.

Acadêmico José Murilo de Carvalho convida para o ciclo “O Brasil em 2050”

O Ciclo O Brasil em 2050 terá mais quatro palestras, às quintas-feiras, no mesmo local e horário, nos seguintes dias, com os conferencistas e temas, respectivamente: dia 10, Mario Moscatelli, Rio de Janeiro, um futuro socioambiental inviável? Diagnose e perspectivas; dia 17, Cláudio Frishtak, A economia brasileira na era da incertezadia 24, Sergio Abranches, A grande transição do Século XXI e o futuro do Brasile dia 31, Rodrigo Lacerda, Horizontes da literatura brasileira: cenários para 2050.

A Conferencista

Elisa Reis é graduada em Sociologia e Política pela UFMG (1967), Mestre em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisa (1972) e Ph.D em Ciência Política pelo Massachusetts Institute of Technology (1980). Realizou estágio de pós-doutorado, em 1985, na Universitá degli Studi di Firenzi.

É professora titular de sociologia política da UFRJ e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Desigualdade. Foi professora visitante na University of California at San Diego, Columbia University, MIT, e na Ludwig Maximiliem Universitat em Munich, além de ter colaborado com pesquisadores em diversos centros de pesquisa nos Estados Unidos e na Europa. Autora de diversos trabalhos publicados em periódicos no Brasil e no exterior, é também membro do corpo editorial de periódicos da China, França, Portugal, Espanha, Estados Unidos e Brasil.

É vice-presidente do International Science Council, membro titular da Academia Brasileira de Ciência e da World Academy of Sciences for the Advancement of Science in the Developing Countries (TWAS)

Recebeu em 2000 a Grã-Cruz da Ordem Nacional Mérito Científico do Ministério da Ciência e Tecnologia, e em 2017 o Prêmio Florestan Fernandes da Sociedade Brasileira de Sociologia.

FONTE: ASCOM/Academia Brasileira de Letras

Seminário discute fomento para projetos de desenvolvimento sustentável no Sudeste

Realizado pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e pelo WWF-Brasil, com apoio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), o 2º Ciclo de Seminários Regionais – edição Sudeste acontece dia 11 de outubro, em Belo Horizonte (MG).

O objetivo do evento é discutir sobre o papel das instituições de fomento e encontrar de soluções para transformar o Brasil em uma nação comprometida com a causa ambiental e com o desenvolvimento econômico e social.

“A iniciativa da ABDE em parceria com o WWF-Brasil é de extrema importância para entender as necessidades econômicas e ambientais de cada localidade e como as instituições financeiras de desenvolvimento podem auxiliar no incentivo a projetos que buscam o futuro sustentável”, ressalta o presidente da ABDE, Perpétuo Cajazeiras.

Durante a abertura estarão presentes o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, o presidente do BDMG, Sérgio Gusmão, a diretora de Engajamento da Sociedade do WWF Brasil, Gabriela Yamaguchi, e o presidente da ABDE, Perpétuo Cajazeiras. Voltado para vários segmentos e especialistas no tema, o evento acontecerá das 8h30 até 17h30, na sede do BDMG, em Belo Horizonte. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site da ABDE.

A programação também conta com especialistas que farão palestras sobre temas como os desafios globais do desenvolvimento sustentável, oportunidades de desenvolvimento no Sudeste, o papel da região no desenvolvimento sustentável e os desafios e potencialidades para a região. O Seminário será dividido em quatro painéis, o primeiro discutirá os desafios do desenvolvimento sustentável, o segundo o papel dos atores locais, o terceiro sobre recursos hídricos e saneamento e o último sobre cidades e sustentabilidade.

SERVIÇO
2º Ciclo Seminários Regionais – edição Sudeste
Data: 11 de outubro de 2019
Horário: 8h30 até 17h30
Local: r. da Bahia, 1600, Lourdes, Belo Horizonte/MG 
Inscrições:http://abde.org.br/inscricoes-abertas/

FONTE: ASCOM/WWF-BRASIL

CCJ aprova punição para quem adulterar substância destinada a reduzir poluição

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (25), proposta que torna crime adulterar, produzir, guardar, comercializar, transportar, adquirir ou instalar tecnologia, equipamento, acessório ou substância que possa tornar ineficiente ou inoperante os sistemas de controle de emissões de poluentes. A pena prevista é detenção de dois a quatro anos e multa.

O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo relator na comissão, deputado Nicoletti (PSL-RR), ao Projeto de Lei 6057/16, do deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). A proposta acrescenta um artigo à Lei dos Crimes Ambientais.

Um dos objetivos do projeto é evitar fraudes no uso do aditivo Arla 32, responsável pela redução das emissões de óxido de nitrogênio em veículos a diesel classificados como comerciais pesados, semipesados e ônibus fabricados após janeiro de 2012. O aditivo transforma o óxido de nitrogênio, que é agressivo ao meio ambiente, em nitrogênio e água, como lembrou Nicoletti.

“Conforme divulgado pela imprensa, motoristas, transportadoras e oficinas mecânicas, com o objetivo de reduzir os custos com o Arla 32, vêm burlando as exigências legais através de diversas maneiras, o que coloca em risco tanto o meio ambiente quanto a saúde de um número indeterminado de pessoas”, observou o relator.

Texto ampliado
O substitutivo amplia o projeto original para englobar diversas condutas, além da adulteração de tecnologia ou substância destinada a reduzir a poluição ambiental.A pena também foi alterada no substitutivo. Originalmente, previa-se reclusão de um a quatro anos e multa para quem praticasse o crime.

O texto aprovado prevê a mesma pena de detenção de dois a quatro anos e multa para quem fraudar a leitura dos índices de emissões durante os procedimentos de homologação, inspeção ou fiscalização e ainda suprimir qualquer componente do sistema de controle de emissão de poluentes.

Já o agente que fizer uso de tecnologia, equipamento, acessório ou substância sem incorrer nas outras condutas descritas no projeto será punido com detenção de seis meses a um ano e multa.

Tramitação
O projeto ainda será analisado pelo Plenário. Anteriormente, o texto foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

FONTE: Agência Câmara Notícias

“Para as mulheres, sexo sempre foi trabalho”, diz Silvia Federici

Em entrevista, historiadora autora de “Calibã e a Bruxa” fala sobre como a caça às bruxas existe ainda hoje, é parte do sistema econômico e oprime as mulheres

O que é preciso para acabar com a opressão às mulheres? Para a historiadora Silvia Federici, precisamos de uma revolução. Depois de se dedicar a história das mulheres desde o feudalismo, ela concluiu que o controle do corpo feminino por meio da violência é uma das bases do capitalismo e que isso não vai acabar enquanto as relações econômicas seguirem as mesmas. 

Nascida na Itália e hoje com residência nos Estados Unidos, onde é professora emérita da Universidade de Hofstra, em Nova York, Silvia ajudou a fundar o Coletivo Feminista Internacional e participou do movimento por remuneração do trabalho doméstico na década de 70. Ela é autora do livro Calibã e a Bruxa (Editora Elefante), que já vendeu mais de 20 mil exemplares e está disponível para download online.

Silvia está no Brasil para o lançamento de dois livros: O Ponto Zero da Revolução (Editora Elefante) e Mulheres e Caça às Bruxas (Editora Boitempo). Em conversa com a  Revista AzMina, Federici fala sobre história, como a caça às bruxas acontece hoje em dia, a apropriação do corpo feminino pelo sistema e sobre a possibilidade de resistência.

Revista AzMina: Lendo Calibã e a Bruxa, tive uma sensação de estar lendo uma nova história do mundo, muito diferente da que estudamos na escola. Porque o que você faz é uma releitura da história incluindo as mulheres. E isso me fez pensar: como podemos confiar na história que conhecemos? 

Silvia Federici:  Quem tem o poder de transmitir a história? É um senso comum dizer que a história foi escrita pelos vencedores. E uma quantidade tremenda de documentação e a voz de populações inteiras foram sufocados. Além disso, a escrita, que é o meio de comunicação, esteve nas mãos de pessoas com poder. Então precisamos ser bem cautelosos com a história oficial. E com o que aprendemos na escola, porque o sistema de educação segue dando um ponto de vista particular. Eu fui para a escola e tive vários anos na Universidade e, por muitos anos, não aprendi nada. Eu aprendi sobre o feudalismo, os reis, rainhas, batalhas e castelos. Mas nunca me ensinaram sobre as vidas dos servos, camponeses, artesãos. 

Foram os movimentos sociais dos anos 60 que permitiram falar da história a partir de baixo, a história dos camponeses, a organização do dia a dia, da reprodução. O mesmo foi com as mulheres, que estiveram ausentes da história até o movimento das mulheres.

AzMina: Você diz em seu livro Mulheres e Caça às Bruxas que há novas bruxas hoje. Quem são elas?

Silvia: É importante dizer que nunca existiram bruxas. Elas são uma criação. Primeiro da Inquisição, depois dos magistrados e dos poderosos na Europa. Mas aquelas que são rotuladas como bruxas hoje são primeiramente as mulheres acusadas de bruxaria na África, América Latina e Índia. As “curandeiras” acusadas de curar com poderes sobrenaturais. Essa recriação da imagem da bruxa tem a ver também com a presença, em boa parte do mundo, das seitas fundamentalistas evangélicas. Eles falam de Satã e direcionam a energia das pessoas para longe do problema econômico e sua causa, focando na ideia de que na comunidade há pessoas malvadas. É conveniente que, no momento em que essas comunidades estão empobrecendo, elas direcionem a raiva para pessoas específicas.  

Há ainda uma outra caça às bruxas, mas essas não são chamadas de bruxas. São as mulheres que estão usando sua assertividade, buscando mais poder social, as feministas.

AzMina: Você diz que a nova caça às bruxas está muito ligada à apropriação pelo capital dos espaços de abundância natural. Considerando que a Amazônia hoje é um dos principais palcos de enfrentamento em relação aos recursos naturais, você acha que as mulheres indígenas brasileiras estão em risco? 

Silvia: Claro. Estamos todos em risco por causa da queima da Amazônia. Ainda mais as mulheres indígenas. Essa é a terra delas, sua forma de sobrevivência, a fonte de subsistência. É sua cultura. Quando você perde a terra, a água, o contato com os animais, sua vida acabou. Não é que elas perdem apenas a terra, elas perdem todo um modo de viver, todo um mundo cultural e histórico. É uma tragédia.

AzMina: Uma das grandes bandeiras que se vê no feminismo atual é a da inserção da mulher no mercado de trabalho e também pela igualdade salarial. Mas se você considera que o problema central do machismo é a posição da mulher dentro do capitalismo, acha que essa luta faz sentido? 

Silvia: Faz todo sentido. Não há razão para o mesmo tipo de trabalho ou um tipo comparável de trabalho receba diferente. Hoje a luta não é só por salários iguais, mas por salários iguais para trabalhos comparáveis. Mas essa luta não é suficiente. Primeiro, porque não há trabalho igual. Mulheres vão para casa e ainda têm que fazer o trabalho doméstico. Pode ser que alguns homens estejam dividindo, mas fundamentalmente as estatísticas mostram que as mulheres estão fazendo as bases do trabalho reprodutivo. Então a gente não pode lidar com a posição da mulher no trabalho fora de casa, se a gente não lida com a questão do trabalho reprodutivo. A situação da mulher não é a mesma do homem.

AzMina: Aqui no Brasil essa questão ganha um adendo de racismo: quando as mulheres brancas conseguem se emancipar do trabalho doméstico não remunerado, isso costuma envolver uma mulher negra realizando o trabalho doméstico por uma baixa remuneração. Você também estudou essas intersecções? 

Silvia: Sim, nós temos isso [nos Estados Unidos] também. Isso é terrível, porque sempre existiram essas desigualdades. Hoje isso ganha um novo nível de desigualdade porque não só as mulheres ricas, mas também as trabalhadoras conseguem contratar uma trabalhadora doméstica por algumas horas ou dias para cuidar da casa ou das crianças. E isso cria uma nova divisão, porque quando você tem uma empregadora e uma empregada, você tem uma relação de poder. Então o movimento feminista tem que somar na luta pelo trabalho doméstico, contra a desvalorização da reprodução.

AzMina: Você defende que o controle dos corpos femininos foi essencial para a construção do capitalismo. Então você acredita que a resistência também pode vir dos corpos femininos?

Silvia: Eu acabei de terminar um livro chamado Beyond the Periphery of the Skin [“Além da periferia da pele”, em uma tradução livre]. E essa é a resposta para a sua pergunta. O livro reúne artigos sobre essa questão de “meu corpo, meu território”, do corpo como resistência. Mas você precisa ir além do corpo. Você não pode ter controle do corpo — e eu falo de sexualidade, identidade de gênero, tudo — se você não muda a organização do trabalho e as relações de propriedade. Então me parece que o corpo é crucial, mas não é limitado à nossa composição física. Eu estou pensando numa extensão do corpo. Ele é moldado pelas relações com outras pessoas, com a natureza e as políticas econômicas. 

Um exemplo: você não pode mudar sua vida sexual sem mudar a organização do trabalho. Os tempos de trabalho e de sexo são muito compartimentados. Nós temos atividades diárias muito dessexualizadas e então, no sábado e no domingo, é hora do sexo. Então, a forma como o trabalho acontece já coloca muitos limites para nossa relação com o corpo e a sexualidade.

AzMina: Você tem um artigo em que defende que sexo é trabalho, pode explicar?

Silvia: Para as mulheres, sexo sempre foi trabalho, é parte do trabalho doméstico. Esse é o contrato de casamento. Estamos analisando quais têm sido as expectativas sociais do trabalho da mulher em casa.

AzMina: Nessa lógica, prostituição seria só mais um trabalho?

Silvia: Sim. É um continuum. É por isso que sou contra esse moralismo sobre a prostituição. Bem, tantas mulheres são casadas não porque amam o homem, mas porque isso é uma solução econômica. Sua mãe falou: encontre um homem que tenha um bom emprego, segurança, você vai passar a gostar dele. Então, a ideia é que mulheres têm dependido de vender seus corpos porque nós sempre tivemos menos acesso aos recursos do que os homens. Na história do capitalismo, eles sempre tiveram mais acesso a dinheiro, empregos e formas de subsistência. Então nós tivemos que vender não só o trabalho em si, como os homens, mas também nossos corpos.

AzMina: Você acredita que pode haver uma mudança dentro do sistema capitalista?

Silvia: Não, eu acho que precisamos de uma revolução. Mas uma revolução não vai acontecer de um dia para o outro. É longo processo de luta, mas precisamos que os movimentos olhem para além do capitalismo. 

AzMina: Então você não acredita na luta por meio da política ou mudanças nas leis?

Silvia: Uma questão essencial é entender a diferença entre as reformas que nos permitem lutar com mais poder e as que nos fazem recuar. É absurdo imaginar que vamos dizer não para toda reforma, que vamos fazer uma mudança revolucionária. Pelo outro lado, é preciso ficar de olho, porque é comum que sejam propostas reformas que enfraquecem a luta, porque privilegiam um grupo de pessoas e criam novas divisões. 

AzMina: Você destaca muito as opressões que as mulheres sofrem devido a seu papel de reprodução da força de trabalho, focando bastante na questão biológica.

Silvia: Não, não foco na biologia. 

AzMina: Mas fala como o poder de reproduzir, gerar novos trabalhadores foi a base da opressão das mulheres. 

Silvia: Mas isso não é só biologia. Não estou dizendo que não existe uma biologia, mas o que chamamos de biológico, ou natural, sempre foi mediado por relações culturais, políticas e sociais. Não existe biologia pura, isso tem uma história também. 

AzMina: E para você qual o espaço de luta para as mulheres trans dentro do feminismo? 

Silvia: Quando falamos “mulheres”, estamos falando de todas as mulheres. É uma discussão muito ampla, porque temos várias questões diferentes aqui. Uma delas, talvez a mais importante, é se a categoria “mulher”, como uma categoria analítica e política, é ainda viável. Porque nós temos feministas famosas nos Estados Unidos, como a Donna Haraway e Judith Butler, que lutam para construir um feminismo sem mulheres. O que elas querem é um feminismo que não seja atrelado a uma identidade de sujeito, um feminismo que seja puramente opositivo. Eu discordo disso. 

Porque isso significa ignorar toda a história de lutas que as mulheres tiveram. Eu não acredito que “mulher” seja uma categoria biológica. Para mim, “mulher” significa uma posição particular na organização de trabalho, uma posição particular na divisão sexual do trabalho e uma forma particular de exploração. Eu quero trazer luz para a forma como o capitalismo usa as diferenças entre homens e mulheres para criar todo um trabalho estrutural. Você não pode lutar sem falar disso. 

Mulheres podem ser muito diferentes, mas nas plantations [sistema agrícola baseado em uma monocultura de exportação mediante a utilização de latifúndios e mão-de-obra escrava] as mulheres foram exploradas de forma muito diferente dos homens. A luta dos escravos não é só a luta dos homens. Elas foram forçadas a produzir novos escravos, elas lutaram para não dar à luz, para ter contracepção, para não deixar seus filhos serem escravizados, para enfrentar estupros. Então como falar em oposição sem falar sobre as experiências de exploração e luta das mulheres? Vamos dizer que isso não conta para nada? Não conta para nenhuma solidariedade? Não nos deu coragem e conhecimento? Eu não acho. 

E quando eu vejo milhares de mulheres nas ruas na Argentina, elas falam como mulheres. Elas podem ser mulheres trans ou lésbicas, mas eu não as vejo deixando de se identificar como mulheres. Em um nível de massa, vá dizer às mulheres que sua experiência é insignificante. Eu não vejo isso. E eu não vejo Judith Butler criando um movimento de massa. Mas é importante que a gente reconheça que toda a questão de gênero sempre foi muito fluída e diversa do que nos fizeram acreditar. Veja a questão das pessoas intersexo, que é muito importante, por exemplo. Eu acho que é importante brigar contra a obrigação de ser um homem ou uma mulher, etc. Mas ainda assim, se você não muda quem controla os recursos do mundo, você pode se chamar do que quiser, se você for despossuído, você não vai poder mudar. Então a luta tem que ser mais ampla. 

FONT: AzMina

A agenda secreta de Ricardo Salles com os destruidores do planeta

Ricardo “Yale” Salles não para.

Mesmo condenado por adulterar um mapa ambiental para a festa de mineradoras, Mr. Yale segue em seu cargo no Ministério do Meio Ambiente com uma agenda que, se for levada a sério, pode acabar com a necessidade da existência do próprio ministério (porque não teremos mais meio ambiente, de todo modo).

O funcionário público Salles – que deveria estar viajando o mundo para valorizar os ativos naturais do país – está, neste momento, cumprindo uma agenda secreta no exterior. No site do ministério, sua agenda está assim:

Então vamos a um exercício de transparência forçada, já que atuar nas sombras é uma prática do poder. A editora aqui do TIB Paula Bianchi conseguiu com o pessoal do Unearthed, a unidade de jornalismo investigativo do Greenpeace, a via nada sacra de Salles pelo exterior.

E por que o ministro esconde sua agenda da população? Porque, para um ministro do Meio Ambiente, ela mais parece o calendário de compromissos de um ruralista ou de um garimpeiro da Serra Pelada.

Alemanha, segunda-feira: ele vai se encontrar com a farmacêutica Bayer, condenada em maio desse ano a indenizar em 2 bilhões de dólares um casal dos EUA por causa do glifosato, uma das maiores bombas químicas legalizadas do mundo, proibida em muitos países, mas largamente utilizada no Brasil (leiam nossa reportagem sobre a cidade em que o agrotóxico glifosato contamina o leite materno e mata até quem ainda nem nasceu).

Talvez Mr. Yalle estará lá para cobrar que a Bayer respeite nosso meio ambiente e pare de pressionar o país para aprovação de venenos. Vindo do governo que já aprovou mais de 260 (!) produtos só esse ano, nem por milagre. O encontro tem cara de beija-mão.

Outros encontros na segunda-feira: mais uma empresa de agrotóxicos (a Basf), além da montadora Volkswagen. Será que Mr. Yale vai conversar sobre a fraude global que a Volks produziu ao mentir que seus carros eram verdes enquanto emitiam gases altamente tóxicos?

Salles viaja para a Inglaterra na quinta. Lá, sua agenda secreta marca compromissos com – essas aspas são da agenda que conseguimos – “investidores ingleses (mineração, farmacêutica, energia, petróleo e gás e setor financeiro)”. Quem são eles? Quais os objetivos desses encontros? Nada na agenda, ninguém sabe. O ministério de Salles opera como um aparato clandestino de lobby privado.

Antes de viajar para a Europa, Yale boy já havia se encontrado com negacionistas climáticos nos EUA. Seu histórico é um desastre. Em agosto, nossa editora senior Tatiana Dias expôs o método de trabalho da secretaria comandada por ele no governo de São Paulo. “A justiça reconheceu que a Fundação Florestal – então sob o comando de Salles – coagiu funcionários a cometerem ilegalidades, perseguindo os que não queriam se envolver na adulteração dos mapas ordenada pelo secretário.”

Mr. Yale anda mais discreto, mas não menos destrutivo. Seus encontros estão fora da agenda pública. Nós pagamos seu salário mas não podemos saber com quem conversa. O que ele anda aprontando em segredo? Vamos descobrir.

FONTE: The Intercept Brasil