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Radialistas Comunitários prometem realizar a maior caravana a Brasília nos dias 11 e 12 de setembro

Evento que a abraço brasil avalia como o mais importante do ano de 2019

Comunicadores e comunicadoras,
Recebemos ofício do Presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados Dep. Félix Mendonça Júnior nos convidando para proferir palestra na audiência pública sobre “O papel das Rádios Comunitárias e do Canal de Cidadania no Brasil” que será realizado no dia 12 de setembro de 2019, às 10 horas no Plenário 13 do Anexo II.Essa audiência foi uma iniciativa do Dep. Márcio Jerry (PCdoB-MA) que visa entre outros assuntos discutir à situação das rádios comunitárias e principalmente sobre o PL 10.637/18 que tramita na CCTCI.Desta forma, queremos CONVIDAR os dirigentes, locutores, voluntários, conselheiros e ouvintes das RADCOMs para comparecerem e participarem deste momento importante audiência pública. Também estamos articulando a criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa das Rádios Comunitárias que será um fórum de parlamentares para discutirem e fortalecerem a nossa causa. Só em 2019 já foram criadas mais de 200 Frentes Parlamentares com os mais variados temas.Portanto, a ida dos representantes das Radcoms de todos os estados para Brasília será para cumprir uma agenda. Uma agenda de luta que visa o nosso fortalecimento e principalmente as nossas conquistas dentro do parlamento brasileiro. Por isso, quem for a Brasília deve participar da nossa programação em Brasília que será a seguinte:Dia 11 de setembro de 2019Às 10 horas – Reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – CCTCI, no Plenário 13 do Anexo II;Ás 15 horas – Lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa das Rádios Comunitárias, local a definir. Dia 12 de setembro de 2019Às 10 horas – Audiência Pública para discutir “O papel das Rádios Comunitárias e do Canal de Cidadania no Brasil” que será realizado no dia 12 de setembro de 2019, às 10 horas no Plenário 13 do Anexo II da Câmara Federal.Convém ressaltar a importância da presença do maior número de companheiros e companheiras ligadas às rádios comunitárias. Esta é uma atividade que todos devem priorizar. Já esta passando da hora de conquistamos mudanças na legislação de rádios comunitárias em nosso país.

FONTE: ABRAÇO BRASIL

Educação de filhos em casa tende a ser mais uma tarefa não remunerada para as mulheres

Mães que praticam o homeschooling têm maior propensão a exaustão física e emocional, mostra pesquisa americana


“O que me preocupava era estar perdendo a mim mesma. Desisti da minha carreira e dos meus hobbies quando as crianças eram muito novas. Dei a eles todo o meu tempo e a minha energia”, conta a norte-americana Laura Sowdon, 40 anos. Ela e o marido optaram por educar os filhos Mya, Ian e Anna em casa. Enquanto o marido Richard Sowdon trabalha como gerente de finanças no serviço postal, Laura assume o papel de mãe, professora e dona de casa diariamente. 

As famílias nos Estados Unidos que escolheram esse sistema de ensino, também conhecido como homeschooling, frequentemente deixam a educação nas mãos das mães, segundo Jennifer Lois, pesquisadora e professora da Universidade de Western Washington, que estuda o tema. Para ela, isso torna a pauta um assunto de gênero. No Brasil, há uma proposta de lei para regulamentar o ensino domiciliar e o exemplo dos EUA mostra que a tarefa deve ficar também nas costas das mulheres.

Em sua pesquisa, Jennifer participou de reuniões semanais de uma associação de pais que ensinam os filhos em casa, além de acompanhar a rotina de 20 mulheres. Entre mais de 600 famílias da associação, as mães eram maioria entre as representantes por serem as mais propensas a assumir o papel de educadoras. 

E a divisão destes papéis frequentemente levam muitas delas à exaustão física, emocional e mental conhecida como Síndrome de Burnout, resultado do acúmulo excessivo de funções em situação de trabalhos que são emocionalmente estressantes. Pelo menos duas das 20 mães entrevistadas pela pesquisadora desenvolveram a síndrome.

Mães como Leanna abandonam a vida profissional e fazem sacrifícios pessoais para poderem praticar o homeschooling. O perfil majoritário das entrevistadas pela pesquisa foram de mulheres brancas, casadas e de classe média, em que os maridos são responsáveis financeiramente pela casa, enquanto elas assumem os demais afazeres, como cuidado com as crianças, com a casa e a educação dos filhos.

Como consequência de ser a responsável pela educação dos dois filhos, a norte-americana Leanna (o estudo preservou o sobrenome das participantes) foi uma das mães que chegaram a este nível de esgotamento. Além de assumir o papel de professora, os cuidados com a casa ficavam inteiramente nas suas mãos devido ao trabalho em tempo integral do marido. A certeza de que estava fazendo a vontade de Deus a fez continuar independente da exaustão, “Sentimos que isso é o que Deus quer que façamos com os nossos filhos”, contou à pesquisadora.

A pesquisadora observa que mulheres que possuem expectativas de relações igualitárias são propensas a estar menos satisfeitas com o mesmo suporte dos maridos do que mães que não esperam equidade. “Eu diria que mesmo quando os maridos as apoiavam no ensino, as mães ainda tendiam a se sentir emocionalmente esgotadas, pelo menos em parte do tempo”, explica. A pesquisa aponta que quando as demais tarefas eram divididas entre os pais, estas mães estavam menos propensas a desenvolver a Síndrome de Burnout.

As razões que levam ao ensino em casa
De acordo com o Departamento de Educação dos Estados Unidos, cerca de 1,7 milhão de crianças recebiam educação em casa (ensinadas pelos pais ou professores particulares) em 2016, dado mais recente. Isso representa cerca de 3% dos estudantes de educação básica do país.

Entre as principais justificativas para a decisão de educar os filhos em casa estão a preocupação com o ambiente escolar (justificativa dada por 90% das famílias), seguida da necessidade de fornecer instruções religiosas ou morais (81%) e em terceiro lugar a insatisfação com a instrução acadêmica das escolas (74%).

Segundo a pesquisadora, o perfil das famílias que optam pelo ensino em casa é tradicional. Das famílias que estudou, quase todas eram brancas, de classe média e constituída por pais heterossexuais. Apesar da menor representatividade, famílias negras também optam pelo ensino domiciliar nos EUA. As razões, porém, se diferenciam das demais.

Muitos pais e mães afro-americanos decidem ensinar os filhos em casa para evitar que sofram racismo na escola. Por acreditar que crianças negras são “desassistidas” nas escolas públicas, Marciea Pinder, de 37 anos, decidiu educar Yazmine, Terryn e William em sua própria casa. “História negra é uma disciplina eletiva, enquanto a história européia é uma exigência. Não é esta educação que eu desejo para meus filhos”, explica.

As regras para o homeschooling nos EUA variam de acordo com o estado. A Associação de Defesa Legal do Ensino Domiciliar (HSLDA) divide os Estados entre baixa, média e alta regulamentação, além daqueles que não exigem notificação dos pais o governo para que os filhos sejam educados em casa. Dos 50 estados americanos, seis são de alta regulamentação (os pais passam por processos burocráticos para iniciar o método e, no geral, precisam aplicar testes periódicos aos filhos e reportar ao governo), outros 19 estados possuem regulação moderada e 25 têm baixa regulação.

A realidade do Brasil
Assim como nos EUA, são semelhantes os motivos que levam o governo de Jair Bolsonaro a propor um projeto de lei para regulamentar o ensino domiciliar no Brasil. A medida era uma das prioritárias dos primeiros 100 dias de governo e uma das principais metas do Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos. Grupos religiosos e conservadores são os principais entusiastas da pauta no Congresso, com a bancada católica e evangélica majoritariamente a favor, cujos parlamentares também defendem a Escola Sem Partido.

O Brasil não possui regulamentação sobre a educação domiciliar. Por conta disso, quem deseja educar os filhos em casa precisa pedir autorização da Justiça. A prática foi considerada ilegal pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no fim do ano passado justamente por falta de regulamentação. Realidade que pode mudar com o projeto de lei apresentado ao Congresso pelo governo de Bolsonaro em abril. 

O projeto do governo visa alterar a lei que dispõem sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e a lei que estabelece as diretrizes de educação no Brasil. Hoje, a Lei de Diretrizes e Bases Educacionais define que os pais devem “efetuar a matrícula de crianças na educação básica a partir dos quatro anos de idade”. 

Cerca de 7.500 famílias, com 15 mil estudantes, são adeptas à prática do ensino em casa no Brasil, de acordo com a Associação Nacional de Ensino Domiciliar (Aned) – o número equivale a 0,03% dos alunos do ensino básico no país. O crescimento do número de famílias adeptas da prática foi de 2.000% entre 2011 e 2018. Segundo a associação, cerca de 60 países têm regras para a educação em casa, entre eles os EUA, França, Portugal, México e Paraguai. Já em países como Alemanha e Suécia, a prática não só é proibida como considerada crime.

No Brasil, o ensino dos filhos também deve se somar às tarefas domésticas e os cuidados com a família que já estão a cargo das mulheres. O estudo Outras Formas de Trabalho, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística de 2017, dividiu as tarefas domésticas em cinco grupos. Entre eles estão o auxílio nas atividades escolares, no cuidado de pessoas, a preparação de alimentos, manutenção de vestimentas e reparos do domicílio. As mulheres são a maioria responsável em quase todos os indicadores, com exceção do último, que diz respeito à manutenção técnica e física da casa.

Considerando a experiência americana de homeschooling, usado como exemplo no projeto de ensino domiciliar do governo Bolsonaro, a pesquisadora Jennifer Lois considera que será desafio adaptar à realidade brasileira. “Imagino que em uma cultura com níveis altos de pobreza, a escolaridade obrigatória ajuda as pessoas a superar a pobreza e contribui para que mulheres controlem sua reprodução. Me parece que permitir que as mulheres se desvinculem da criação de filhos é libertador”, analisa Jennifer. 

“O ensino em casa é, na verdade, um luxo de famílias abastadas com pai, mãe ou pelo menos algum integrante da casa que possa arcar com os custos de manter um dos pais em casa.” No Brasil, 26,5% do cidadãos são considerados pobres, de acordo com a Síntese dos Indicadores Sociais, também do IBGE. De acordo com o Departamento de Educação dos Estados Unidos, em 2012 cerca de 83% das crianças e adolescentes educados em casa eram brancos, enquanto 89% deles foram identificados como não pobres.

FONTE: AzMina

Marcha das Margaridas se prepara para ocupar Brasília contra o retrocesso

Nos dias 13 e 14 de agosto, Brasília vai parar para escutar a voz de milhares de trabalhadoras do campo, da floresta, das águas e da cidade que lutam por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência.

São Margaridas agricultoras familiares, indígenas, quilombolas, ribeirinhas, pescadoras, marisqueiras, geraizeiras, quebradeiras de coco babaçu e extrativistas que vêm de todos os ecossistemas do Brasil e da América Latina até Brasília para apresentar uma plataforma política em defesa da classe trabalhadora, e principalmente das mulheres.

Até chegarem a Brasília, as mulheres se reúnem em suas bases, Sindicatos, comunidades, associações, assentamentos para discutir sobre os principais temas que dizem respeito as suas vidas. Um desses temas ou eixo político é a luta “Por Democracia com Igualdade e Fortalecimento da Participação Política das Mulheres”.

ENTREVISTA

Para aprofundar um pouco sobre o tema: “Por Democracia com Igualdade e Fortalecimento da Participação Política das Mulheres”, a equipe de Comunicação da Marcha das Margaridas conversa com a atual presidenta da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Piauí (FETAG-PI) e recentemente empossada deputada estadual na Assembleia Legislativa do Piauí, Elisângela Moura. A liderança sindical e parlamentar piauiense esteve presente em todas as edições da Marcha das Margaridas.

Comunicação Marcha- Por que as Margaridas marcham por Democracia com Igualdade e Fortalecimento da Participação Política das Mulheres? 
Deputada Elisângela Moura– “Estamos vivendo um momento de muita descrença na política devido a todos os fatos que vêm acontecendo (golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, a prisão política do ex-presidente Lula, e a atual implantação de um governo conservador e machista). Diante deste cenário de fragilização da Democracia e retrocessos de direitos, nós, as mulheres do campo, da floresta e das águas, somos convocadas para ocuparmos lugares estratégicos nos cargos do Executivo e do Legislativo, e sermos peças fundamentais para retomarmos os rumos do Brasil”.

Comunicação Marcha- Muito preconceito? Deputada Elisângela Moura– “O preconceito é um enfrentamento constante. A gente percebe o olhar de algumas pessoas se perguntando se isso procede e se é verdade… Mesmo com esses olhares, fui a primeira mulher a ocupar a presidência da FETAG-PI e a primeira deputada estadual agricultora familiar a chegar à Assembleia Legislativa. Estamos nesse espaço para reafirmar o compromisso junto à classe trabalhadora e manifestar a importância da participação das mulheres no parlamento. Portanto, aconselho as mulheres que queiram participar da política que sigam em frente e não desistam”.

Comunicação Marcha- A luta por democracia está diretamente ligada a luta por igualdade e participação política das mulheres?
Deputada Elisângela Moura- “Se falamos em Democracia, afirmamos a igualdade e a paridade. Assim, só teremos um Brasil democrático e igual, quando desde o nosso parlamento, tivermos a mesma quantidade de deputados e deputadas, de senadores e senadoras. O que ainda está distante de ser uma realidade. Dos 81 senadores, temos 74 homens e 7 mulheres; Dos 513 deputados federais, 436 são homens e 77 mulheres. O cálculo da desigualdade entre homens e mulheres no Congresso Nacional, apontam que as Margaridas têm um longo caminho na luta por voz e vez”.

Comunicação Marcha- Apesar das barreiras, há avanços?
Deputada Elisângela Moura- “A luta das mulheres teve uma grande conquista que se deu no sistema político eleitoral: Com o cumprimento, pelos partidos políticos e legendas, da cota de, no mínimo, 30% de candidatas mulheres aos cargos de deputadas(os) estaduais ou distritais, federais e vereadoras(es), e a destinação de 30% dos recursos do fundo eleitoral para candidaturas de mulheres, aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral, em 2018. Outro avanço se deu dentro do Movimento Sindical de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais (MSTTR), com a aprovação da paridade de gênero nos espaços deliberativos do sistema CONTAG.

A deputada encerra sua fala relembrando a escritora Simone de Beauvoir: “É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta”. E a Marcha das Margaridas é exemplo deste trabalho incansável e da força política que nasce da organização das mulheres rurais, como ação fundamental da luta por igualdade, democracia e por melhores condições de participação política.

FONTE: SINPRO-DF/Com informações da CUT