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No DF, 24 rádios comunitárias prestam serviço à periferia

O começo da Rádio Comunidade, localizada no Gama, não foi fácil

“Bom diaaaaaa. Em Brasília, são seis horas da manhã. Ouvintes, este canal está aberto à sua participação….”. Sintonizadas do amanhecer do dia até o fim da noite, pelo menos 24 rádios comunitárias prestam serviço fundamental principalmente para regiões periféricas do Distrito Federal e no Entorno para levar informações a respeito de cultura, educação, saúde e mobilidade urbana às mais diversas regiões. Segundo os coordenadores das emissoras, o trabalho desenvolvido por essas emissoras vai além do simples entretenimento. As estações funcionariam como espécie de canal de porta-voz da população e podem fiscalizar o cumprimento de demandas sociais realizadas pelos ouvintes.

No Gama, o público vai ao estúdio

O começo da Rádio Comunidade, localizada no Gama, não foi fácil. O fundador e diretor de operações Wander Telles relata que o veículo teve que superar obstáculos já desde a criação para que pudesse permanecer em atividade. “No início, a equipe era composta por mim e por outro sócio. Foi muito difícil, pois não tínhamos pessoas que pudessem ajudar nas atividades. A gente estava começando a entender sobre como funcionava o rádio. Eu fazia cinco horas de programação pela manhã, e ele realizava o mesmo à tarde. Nesse período, quem trabalhava durante a manhã, saía à tarde e ajudava a pessoa que estava no ar.”

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Segundo Wander, a relação com o público é um dos pilares para que a emissora esteja há mais de 17 anos em funcionamento. “Aqui a porta está sempre aberta para a população. As pessoas já nem ligam (apenas pelo telefone) mais. Aparecem a fim de conhecer a rádio ou só conversar mesmo. E nessas ocasiões, elas sempre trazem os problemas sobre a rua em que moram. A partir disso, nós levamos essas reclamações à administração em busca de soluções”, destaca.

O diretor  também reforça que o trabalho exercido em uma rádio comunitária é gratificante, pela proximidade que o público tem com os comunicadores. “É muito recompensadora a experiência de estar falando para a comunidade. O retorno que se tem. As pessoas querem te conhecer e lembram de você, quando te encontram na rua.”

Na Samambaia, interatividade

Responsável pela transmissão comunitária na Samambaia, a Ativa FM utiliza o espaço radiofônico para manter os moradores atentos aos temas que interessam à comunidade da 12ª região administrativa. O diretor de operações e esportes da emissora Rener Lopes explica que o veículo foca em informar os ouvintes diariamente sobre assuntos que envolvem o local, pois na visão dele,  algumas áreas não são tratadas de maneira ampla. “A Samambaia tem áreas culturais e esportivas muito fortes. E como a população se interessa por diversos assuntos, decidimos focar em conteúdos ligados à própria cidade.”

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Para atender as demandas, a emissora dispõe de uma van que é utilizada para visitar o público em busca de demandas que são levadas posteriormente as autoridades da região. “Já realizamos um trabalho, em que fomos às quadras da Samambaia para falar com moradores que se queixavam a respeito das pistas estarem repleta de buracos. Levamos essas reclamações para a regional, que solucionou o problema nos dias seguintes.

Rener entende que a atuação realizada é possível devido a integração que os ouvintes têm com os veículos. “As rádios comunitárias têm um importante papel na sociedade. É onde a população pode reclamar, elogiar, pedir uma ajuda, ou até mesmo, uma melhoria para a sua região. Além disso, são nelas que a administração ou a prefeitura chega à população, coisa que os grandes veículos não fazem”, finaliza Rener.

No Recanto, ajuda da comunidade

O sonho de criar uma rádio comunitária fez com que Divino Candido fundasse a rádio Líder FM, situada no Recanto das Emas, em parceria com o amigo Barreto no ano de 1999. Na criação, a emissora já  contava com o trabalho desenvolvido por uma equipe composta de 15 pessoas. Atualmente, o número de participantes se mantém, porém as atividades exercidas são mais frequentes durante os finais de semana.

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Conhecida como a voz a da comunidade, a rádio participa de maneira ativa do cotidiano da cidade. Barreto explica que toda publicidade feita pelo veículo tem o objetivo de atender os interesses da população. “A gente tem a preocupação de divulgar os acontecimentos da cidade e anunciar as necessidades que a sociedade nos informa . Para isso, o trabalho realizado é feito junto à administração. Dessa forma, participamos diretamente das atividades do Recanto das Emas.”

O locutor atribui a falta de verbas como o principal fator de complicação para a operação das rádios. “A gente depende de dinheiro para se manter. Muitas vezes não temos renda para pagar contas como água, luz e aluguel. Aí a comunidade nos ajuda também”, finaliza Barreto.

A reportagem não conseguiu retorno de responsáveis por outras rádios do DF. Se você conhece ou integra uma rádio comunitária, conte sua história para o repórter desta matéria. Incluiremos aqui a sua rádio (Fone: 61.99846.1046 / 3966.1293)

Mudanças na legislação

A questão financeira é a maior dificuldade para execução dos trabalhos desenvolvidos. Por não possuírem fins lucrativos, a fonte de renda das rádios comunidades vem por patrocínios de empresários que fazem também doações para a compra e a manutenção de equipamentos, além de contribuições que são realizadas por  associados e pela comunidade.

A Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária do Distrito Federal (Abraço-DF), instituição que representa as emissoras candangas, pleiteia mediante ao Ministério das Comunicações mudanças na legislação radiodifusora que visam a melhoria do serviço social prestado. Entre as reivindicações constam a aprovação do Projeto de Lei n/ 10.637/2018, referente ao  aumento da potência do raio de ação em que as rádios podem atuar, e a quantidade de canais designados para a execução.

FONTE: Jornal de Brasília / Agência de Notícias UniCEUB

Academia Brasileira de Letras e Corpo de Fuzileiros Navais abrem Concurso de Crônicas

A Academia Brasileira de Letras e o Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais instituíram, com inscrições abertas desde o dia 3 de junho a 6 de setembro deste ano, o Concurso de Crônicas destinado à concessão do Prêmio ABL/CFN Rachel de Queiroz – Fuzileiros Navais – 2019. O tema escolhido foi “Determinação: um dos valores essenciais dos Fuzileiros Navais”.

O concurso destina-se a estudantes que estejam cursando os 8º ou 9º anos do Ensino Fundamental, no presente ano letivo, no Estado do Rio de Janeiro, devidamente orientados por um (a) Professor (a) do estabelecimento que estejam matriculados. Não serão aceitos trabalhos de parentes dos integrantes da Comissão Julgadora. Os autores das três melhores crônicas serão premiados, cada um, com um tablet, além de um diploma.

O trabalho encaminhado deverá ser inédito. Entende-se por inédita, a obra não editada e não publicada parcialmente ou em sua totalidade, em livros, antologias, coletâneas, suplementos literários, jornais, revistas ou qualquer outro meio de comunicação, inclusive as redes sociais da internet. Deverá estar impresso em papel de formato A4, com margens de 2,5cm, digitado em espaço 1,5, fonte no estilo “Times New Roman”, tamanho 12 e cor preta, não podendo exceder a 2 (duas) laudas.

regulamento e ficha de inscrição estão disponíveis nesta matéria e no site www.marinha.mil.br/cgcfn.

FONTE: ASCOM/Academia Brasileira de Letras

Articulação de mulheres brasileiras em apoio ao Cladem e a todas as vítimas de estupro e violências sexuais

A acusação de estupro contra o jogador Neymar veio à tona por meio da sua própria rede social. Onde o jogador expôs ao público, sem autorização, fotos e conversas íntimas da estudante e modelo que o acusa. Com isso praticou crimes já tipificados na Lei de número 13.772/2018, demonstrando sua irresponsabilidade com o público infantil que o segue, além de seu ódio mesquinho ao praticar “pornografia de vingança”.

Desde esse momento todas as mulheres e meninas e, em especial, as que já sofreram abusos e violências sexuais estão expostas à traumas e sofrendo com o escárnio público, os julgamentos impiedosos e a falta de solidariedade.

A violência sexual no Brasil ainda é silenciada e naturalizada, apesar das proporções epidêmicas. Segundo o Atlas da Violência de 2018 (dados de 2016) são 1.370 estupros por dia. Apenas 10% desse tipo de crime chegam a ser denunciados. Os motivos vão além da incapacidade do sistema de justiça em acolher as vítimas sem julgamentos e sem revitalizá-las com violências institucionais. É conhecido que a violência sexual neste país foi utilizada largamente como arma de guerra pela colonização e pelo sistema de escravidão.

Pior ainda: para o IPEA, dados de 2011, 70% das vítimas são crianças e adolescentes, grande parte sofrendo o abuso em sua própria residência. Para enfrentar essa cultura, são necessárias mudanças estruturais na sociedade. E mesmo que as políticas públicas mais básicas, como a educação não sexista e pela igualdade de gênero nas escolas, enfrentem oposição organizada de grupos fundamentalistas religiosos, elas são possibilidades reais de enfrentamentos.

Lamentamos que a Cultura do Estupro esteja sendo alimentada, ainda mais, pelos interesses econômicos em jogo no caso das acusações contra o jogador Neymar. E, como consequência, assistimos nas redes sociais e nos comentários do dia-a-dia piadinhas que julgam a sexualidade, a liberdade, a honestidade e o caráter da suposta vítima. E, de tabela, nos atinge a todas.

Temos certeza que nenhuma mulher ou menina deve sofrer o julgamento público por procurar denunciar uma violência sofrida. Não sabemos se a denúncia é verdadeira ou falsa e acreditamos que toda a pessoa tem o direito ao devido processo legal, a presunção de inocência, assim como o contraditório e a ampla defesa.

É assustador o cinismo da crença que um jogador rico, famoso e poderoso que apoia escrachadamente o discurso ofensivo às mulheres, não fosse capaz de realizar tal ato. As acusações sobre a suposta vítima, como “maria chuteira”, que deseja indenização, revelam a crueldade arraigada na sociedade e a falta de solidariedade, em não perceber o quanto é dolorosa tal situação.

Além disso, a difusão mentirosa que existem muitas denúncias falsas de estupro prejudica, mais ainda, a prevenção, a busca por justiça e a reparação das vítimas, servindo apenas aos interesses dos estupradores e criminosos. O Brasil não possui dados sobre falsas alegações de estupro.

Sobre o projeto de Lei número 3369/2019 chamado de “Neymar da Penha” que pretende agravar a pena por “denunciação caluniosa”, qual o interesse em silenciar denúncias? Repudiamos tal oportunismo nefasto e de um cinismo cruel que serve apenas para aumentar os índices de impunidade relacionados às violências sexuais no Brasil.

Pesquisas da Europa, “The (In)credible Words of Women: False Allegations in European Rape Research”, demonstram que as falsas alegações de crimes sexuais não são mais frequentes que os registros inverídicos de outros crimes, uma média que varia de 5% à 8%.

Já da defesa de Neymar em cooptar uma advogada que teve sua atuação profissional ligada ao feminismo com o objetivo de desmerecer, mais ainda, a palavra da suposta vítima, também é preciso repudiar. É tão evidente que a contratação da mesma não aconteceu por seus atributos pessoais, competência e desempenho. Mas, essencialmente, por ser reconhecida como Advogada Feminista. Nada mais conveniente para um acusado de estupro.

Compreendemos que a profissional tem o direito de assumir a causa que lhe convêm, mas não tem o direito, nem legitimidade de usar a luta feminista como status, em proveito econômico próprio e em detrimento da defesa simbólica de todas nós mulheres, hoje julgadas como mentirosas, levianas e desonestas. Para defender o jogador Neymar um homem rico e famoso, apoiado por marcas multinacionais e por toda grande mídia, a advogada abandona o feminismo e passa a trabalhar em favor do patriarcado que se utiliza de mulheres como instrumentos para manutenção de seu poder capitalista.

Ainda que ela, coerente com a postura que prega, doasse seus honorários milionários a entidades pró vítimas da violência sexual, não conseguiria reverter o impacto da violência simbólica que sua atitude provoca em milhões de mulheres. Hoje mais vulneráveis e expostas a um tribunal patriarcal que nos divide em santas e putas e desencoraja, especialmente as mulheres pobres, a denunciarem seus agressores.

No sentido da resistência e do respeito entre mulheres feministas, apoiamos integralmente o Comitê da América Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher – CLADEM/Brasil, que adotou uma posição coerente com o feminismo, pois sabemos a enorme diferença entre respeitar o exercício da advocacia e corroborar com estratégias oportunistas e publicitárias do jogador.

Feminismo não é um atributo individual. É uma prática. Não cabe utilizá-lo como justificativa para uma profissional assumir um caso com evidentes contornos sexistas, com enorme desigualdade de poder entre as partes e onde a suposta vítima está sofrendo uma enorme criminalização moral e exposição ao vexame público. Mais grave, ainda, é que todas nós mulheres também estamos sendo atacadas em nossa dignidade, quando o assunto toma essa dimensão social de ataque a quem denuncia.

Infeliz da sociedade brasileira que ainda não compreendeu a tragédia que nos assola e continua a culpar a vítima pela violência sofrida. Aqui do mesmo modo que em países teocráticos a vítima de estupro recebe uma pena simbólica de chibatadas públicas. A diferença é que não se assume os horrores, os danos perpetrados em nossos corpos e em nossas almas e se finge alguma humanidade e empatia.

Por isso prestamos solidariedade a todas as pessoas que foram vítimas de estupro e violências sexuais e dizemos a cada uma: os feminismos não soltam a mão de ninguém!

Basta da Cultura do Estupro!

Queremos um mundo livre de violências! Por mim, por nós e pelas outras!

FONTE: Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB.

Estudantes do CED 04, do Guará I, escrevem seus próprios livros infantis e infanto-juvenis

Os livros foram escritos com liberdade de expressão, criatividade e técnica. Quem pode dizer que passou pelo Ensino Médio tendo escrito um livro? Os(as) estudantes de Língua Portuguesa do Centro Educacional 04, do Guará I, podem.

Como parte dos conteúdos de Língua Portuguesa, o ensino de literatura Brasileira e Portuguesa consiste em mostrar as principais escolas e gêneros literários, principais autores e suas obras, mas é sabido que, com a internet, redes sociais, TV a cabo e séries o estilo de leitura e escrita mudou muito e a procura por livros impressos diminuiu. A questão é se os jovens não gostam de ler ou não foram seduzidos pela leitura da literatura?

O projeto dos livros de autoria própria surgiu da observação do talento de alguns alunos para o desenho e da criatividade para contarem histórias. Já que o ensino de literatura está no programa, por que além de lerem não escrevem seus próprios livros, foi o que pensou a professora.

Levando em consideração a falta de recursos, foi dada total liberdade de criação para a confecção dos livros, inclusive podendo ser escritos à mão. A escolha do gênero também foi livre. Tem romance, ficção, suspense, autobiográfico, drama, história em quadrinhos, verdadeiras obras literárias que, em alguns casos, mereciam ser publicadas por alguma editora.

Não é a primeira vez que alunos do CED 04 escrevem sua própria história por meio de um livro. Em anos anteriores foi publicada, pelos professores da escola, uma coletânea de poesias escritas por estudantes do ensino fundamental e médio.

Os livros dos estudos do ensino médio serão lançados pela manhã, nos dias 17 e 18 de junho, na Biblioteca da escola, que fica próxima a estação de Metro Feira, Guará I. No evento, os autores estarão com seus livros contando como criaram suas histórias.

Visitas à biblioteca

O início do projeto consistiu em levar as turmas à biblioteca, para incentivar a fazer a carteirinha, para que os alunos escolhessem um livro do gosto deles e que lessem pelo menos a sinopse e o início dos livros para verem os estilos diferentes de narrações e gêneros. A partir daí muitos alunos fizeram a carteirinha e pegaram os livros que tinham escolhido para apenas ler a sinopse e a introdução.

O próximo passo foi pedir que escrevessem um livro individual, de dupla ou no máximo de três, com liberdade total de criação. Talento eles e elas têm de sobra, só precisam de incentivo.