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Desastre anunciado

Por Malu Aires

Se era o que faltava, não falta mais.
A Bolsa despencou, depois que os jornais do mundo não entenderam aquela aparição desconcertantemente alaranjada, em Davos.

Corre fofoca de que correu fofoca nos corredores do evento, envolvendo os Bolsonaro à morte de Marielle.
Marielle é nome vivo na Europa. Uma rua na Alemanha leva seu nome e, lá, não há milicianos arrancando e quebrando placas.

O discurso nervoso, inseguro, despreparado, vago, explica porque não fazia sentido torturar os espectadores com mais 40 minutos daquele horrorshow.

Todo mundo quer tapete vermelho, avião oficial, caviar, champanhe a bordo, hotel 8 estrelas. Trabalhar que é bom…
Quando entraram no AeroLula, esqueceram o caderno da lição, em casa.
Desde junho do ano passado, Bolsonaro evita apresentar projeto de governo para a economia. Ele não tem ideia de como fazer isso.
O Mercado precisa de palavras gentis para ações hostis. Bolsonaro não entende nada disso e Guedes nunca deu satisfação dos seus rolos.

Guedes e Bolsonaro não se entendem porque Bolsonaro não entende. Bolsonaro leva comitiva pra Davos, convida o filho racista pro passeio e, em 6 minutos, faz o Brasil perder bilhões com o mercado árabe.

Longe de ser um orador, Bolsonaro ainda sofre com dificuldades de leitura. Não serve nem pro papel.

Bolsonaro está isolado. Ele, Eduardo e nada de assessores para ajudá-los, nem com o inglês básico. A família se cercou, por 30 anos, de funcionários fantasmas que não são úteis, hoje.

O brasileiro acorda todo dia e tem que encarar essa farsa. Vendo essa gente desonesta e perigosa, se apropriando de tudo que é público e tratando como privado.

O brasileiro precisava encarar a patifaria, sofrer, diariamente, com o descaramento, para voltar a ter orgulho de si mesmo.
O “eu avisei” é libertador, pra todos os trabalhadores que foram ameaçados, em 2018, porque já sabiam.

A cara de atropelado por um guindaste, do Jair, é muito boa de se ver. É bom ver o coiote levando rasteira do papa-léguas. É bom ver que o castigo vem mesmo a galope. Isso dá esperança pra gente cansada de injustiça.

Jair, o vexame de Davos, continua sendo o mito dos abobalhados que não têm noção do porquê um país precisa de um Presidente da República.

Bolsonaro, acreditou que seria a estrela de Davos. Mas estrela que não brilha é buraco negro.

Em 2010, Davos deu a Lula, o prêmio inédito de Estadista Global.
Bolsonaro foi lá se medir a um Estadista Global e perdeu a oportunidade de ficar aqui, quieto, escondido no Einstein.

Obras de Monteiro Lobato entram para domínio público

Saiba o que muda e quais repercussões isso poderá ter na relação dos leitores com as obras do escritor

Ele dá nome a ruas, escolas e bibliotecas por todo o Brasil. O Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado em 18 de abril, homenageia a data de nascimento desse escritor, autor de mais de 50 livros que mexeram, como ninguém, com o imaginário de crianças e jovens de todo o Brasil. A personalidade em destaque é Monteiro Lobato, cujas obras ingressaram em domínio público em 1º de janeiro deste ano.

“Quando a obra ingressa no domínio público, qualquer pessoa pode utilizá-la, fazer adaptações, traduzir, veicular, imprimir, ou seja, fazer qualquer tipo de uso econômico sem ter de pedir autorização prévia para o autor ou titular de direitos”, explica a diretora da Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Carolina Panzolini. “Isso, na prática, significa que as obras de Monteiro Lobato agora podem ser livremente exploradas comercialmente”, completa. A legislação brasileira estipula o prazo de 70 anos a partir de 1º de janeiro ao ano subsequente à morte do autor para que as obras dele entrem em domínio público.

Especialista na obra de Monteiro Lobato, a professora de Literatura Brasileira Milena Ribeiro Martins, da Universidade Federal do Paraná, acredita que o ingresso da obra do escritor paulista em domínio público vai aumentar a atenção do público e reaquecer o interesse pela obra de Lobato. “Não só as editoras podem investir comercialmente em livros sem gastar com direitos autorais, mas autores podem investir na recriação de suas obras sem pedir licença para a família a respeito disso”, afirma. “O número de leitores de Lobato tende a aumentar porque, comercialmente, vai haver novas edições, e o número de criações com base na obra de Lobato deve aumentar”, avalia.

Milena defende que, apesar de alguns terem quase 100 anos, os livros de Lobato, em especial os voltados ao público infantil, podem ser muito atraentes para os jovens leitores que vivem cercados de experiências multimídias. “Há um misto de fantasia, de ciência, de imaginação e de criatividade na obra do Lobato, que ainda é atraente para as crianças”, argumenta.

Um dos principais exemplos dessa irreverência é a personagem Emília. A boneca de pano falante está sempre cheia de ideias e, com seu gênio forte, causa uma série de confusões para sua dona, a menina Lúcia, mais conhecida como Narizinho, prima de Pedrinho e neta de Dona Benta, que é dona do Sítio do Picapau Amarelo. Esses personagens, além de renderem dezenas de livros, séries de TV, animações, bonecos e um conjunto de produtos para o público infantil, povoaram o imaginário de várias gerações de crianças brasileiras desde a década de 1930.

Uma das ousadias de Lobato foi, em uma época em que o conservadorismo era grande, dar voz às crianças, que não costumavam ter espaço na maioria das famílias para expor seus pensamentos. “Ele não vai pensar numa criança simplesmente obediente, mas ele vai pensar numa criança reflexiva, criativa, produzindo novos significados para o seu momento histórico. E, nesse sentido, ele muda muito a literatura nacional e discute produção literária estrangeira dentro da sua obra”, destaca a especialista.

Múltiplas facetas

Na vida profissional, Lobato atuou em várias frentes. Formou-se em Direito. Foi promotor público no interior paulista. Escreveu artigos, críticas de arte, fez ilustrações e caricaturas para jornais e revistas. Traduziu e fez adaptações para o português de importantes obras literárias, como Minha vida e minha obra, de Henry Ford, Por quem os sinos dobram, de Ernest Hemingway, Robson Crusoé, de Daniel Defoe, e Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, entre outros. Também cuidou de uma propriedade rural, que herdou do avô.

Fundou uma editora, a Companhia Gráfico-Editora Monteiro Lobato. Foi adido comercial em Nova York, nos Estados Unidos, e fez prospecção de petróleo por meio da Companhia Petróleos do Brasil. Suas obras foram traduzidas para mais de 10 idiomas e publicadas no exterior.

Conquistou, em 1936, a cadeira 39 da Academia Paulista de Letras, mas não conseguiu uma vaga na Academia Brasileira de Letras.

Casou-se com Maria da Pureza de Castro Natividade, com quem teve quatro filhos: Martha, Edgard, Guilherme e Ruth. Suas principais paixões eram escrever, desenhar e fotografar.

Polêmico

Aos olhares dos dias de hoje, muitas das falas de seus personagens podem ser consideradas racistas. No entanto, o racismo, ou melhor, a discriminação por raça e cor só foi tida como crime no Brasil há 30 anos, em 1989, quando entrou em vigor a Lei 7.716.

“Aquela obra foi produzida em tempos pretéritos, quando a filosofia era a admissibilidade do racismo como política pública. Hoje, isso não mais existe. Então, a melhor forma de se lembrar de Lobato é você pegar e contextualizá-lo no período em que ele escreveu”, resume o pesquisador Antonio Gomes da Costa Neto, do Departamento de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Brasília (UnB).

O pesquisador sustenta que esta polêmica deveria servir de debate entre os professores e os alunos em sala de aula. Neste caso, os professores deveriam ter um preparo para falar sobre o assunto. Em paralelo, ele defende que os novos livros de Lobato deveriam conter notas explicativas que contextualizem o período em que vivia Lobato e aproveitem para desconstruir qualquer estímulo ao racismo.

“A minha defesa é que você trabalhe a educação das relações étnico-raciais dentro do livro. Quando você trabalha na desconstrução do racismo, você agrega porque tem que trabalhar a questão de gênero, a questão de diversidade, de reconhecimento de cultura. A política étnico-racial valoriza o quilombola, valoriza a origem africana e é isso que eu quero, que a gente valorize uma cultura de povos formadores da nossa nação”, afirma Costa Neto.

Acervo

As obras de Lobato estão acessíveis em boa parte das bibliotecas de todo o País. Há, no entanto, alguns itens curiosos relacionados a ele que estão disponíveis em entidades vinculadas ao Ministério da Cidadania.

No Banco de Conteúdos da Cinemateca Brasileira é possível encontrar fotos de filmes feitos com base em seus trabalhos, como O Saci, de Rodolfo Nanni (a primeira adaptação cinematográfica de Monteiro Lobato para o cinema); O Comprador de Fazendas, de Alberto Pieralis (baseada no conto homônimo); e Jeca Tatu, de Milton Amaral, entre outros.

Ainda na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, no Centro de Documentação e Pesquisa, é possível consultar bibliografia sobre o tema e agendar um horário para assistir filmes como Monteiro Lobato, da cineasta Ana Carolina (documentário de 1971); Jeca Tatu, de 1959, de Milton Amaral; e O Comprador de Fazendas, de 1951, de Alberto Pieralisi.

A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), localizada no Rio de Janeiro, conta em seu arquivo digitalizadocom 28 arquivos sobre Lobato, entre eles 26 cartas trocadas com o também escritor Lima Barreto e com o historiador Nelson Werneck Sodré.

Já a Fundação Nacional de Artes (Funarte) produziu, em 2012, um programa especial com canções que falam dos personagens de Lobato, com roteiro assinado por Cláudio Felício e apresentação de Paulo César Soares. O Estúdio F é resultado de uma parceria entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) com a Funarte, lançado em novembro de 2006.

Familiares de Monteiro Lobato também criaram um portal em que é possível ver detalhes sobre a vida e obra do autor, além de fotos e imagens no endereço: http://www.monteirolobato.com.

No site, inclusive, há uma observação importante com relação às mudanças que o domínio público acarreta para o uso da obra dele. “Somente a obra original – o texto da maneira exata como foi escrito – por Monteiro Lobato pode ser reproduzida e utilizada sem que haja penalizações. As ilustrações não fazem parte da obra, foram criadas por outros artistas como J.U. Campos (Jurandir Ubirajara Campos), Nino, Andre Le Blanc, Belmonte, Jean Gabriel Villin, Voltolino, Kurt Wiese, entre outros e não caíram em domínio público ainda”, resume.

FONTE: ASCOM/Secretaria Especial da Cultura – Ministério da Cidadania

CONTAG cobra contratação de projetos de habitação rural

O País possui um enorme déficit habitacional no meio rural. Segundo informações da Fundação João Pinheiro, entidade contratada pelo Ministério das Cidades para fazer o levantamento da demanda nacional, é necessário construir 1,2 milhão de casas no campo brasileiro. No novo governo, houve a fusão dos Ministérios das Cidades e da Integração Nacional, criando o Ministério do Desenvolvimento Regional.

Ainda no governo Temer, foi publicada a Portaria nº 597/2018 do Ministério das Cidades, em 25 de setembro de 2018, que divulgou os projetos de habitação rural selecionados para contratação até o final do ano, um total de 27 mil unidades habitacionais no meio rural. No entanto, nenhum projeto foi contratado.

No dia 28 de dezembro de 2018, foi publicada nova Portaria, de nº 772, que prorrogou o prazo para contratação dos projetos até 31 de março de 2019.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (CONTAG) tem a expectativa de que, de fato, as contratações aconteçam dentro desse novo prazo estabelecido, pois os projetos já foram analisados pela Caixa Econômica Federal e estão todos aptos para serem contratados. “Outra expectativa é que seja disponibilizado orçamento suficiente para a contratação dos mesmos, pois já são dois anos seguidos de paralisação do Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR). Também é necessária a publicação de Portaria pelo novo governo autorizando o agente financeiro com a ‘Tarifação, preço a ser pago pelo serviço’, objetivando a execução das contratações e dentro do novo prazo”, explica o secretário de Política Agrícola da CONTAG, Antoninho Rovaris.

Para a CONTAG, o PNHR é uma política fundamental para o campo, este público que historicamente havia sido esquecido pelos programas habitacionais. “Vamos intensificar a luta pelo direito à casa própria, à moradia digna no meio rural brasileiro”, destacou Rovaris.

FONTE: ASCOM/CONTAG