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Sinpro-DF se reúne com a SEE e cobra o pagamento do PDAF para as escolas públicas

O pagamento das parcelas referentes ao Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) tem sido uma das grandes lutas do Sinpro-DF, uma vez que a verba é utilizada para a compra de materiais pedagógicos e de limpeza, aquisição de equipamentos e para o pagamento de pequenas reformas. Mesmo diante da importância desta verba para a educação pública do Distrito Federal, 87 escolas da rede terminaram o primeiro semestre de 2017 sem receber a primeira parcela do PDAF e sem recursos para continuar funcionando no próximo semestre.

Diante deste problema a diretoria do Sinpro se reuniu com representantes da Secretaria da Educação do DF durante a tarde desta segunda-feira (17) e cobrou o pagamento do recurso financeiro. Durante a reunião o secretário Júlio Gregório disse que há uma expectativa de efetuar o pagamento da verba nesta quarta-feira (19) e que o governo está trabalhando para a solução do problema.

O Sinpro entende que esta não é a solução para os problemas, uma vez que existe um acúmulo de dificuldades na rede pública de ensino motivado por falhas do GDF. Problemas como este poderiam ter sido resolvidos caso o governo tivesse cumprido o Plano Distrital de Educação (PDE), sancionado pelo atual governador, onde o artigo 11 do PDE define que no prazo de até 360 dias da publicação do Plano, o Poder Executivo deve encaminhar à Câmara Legislativa projetos de lei que, dentre outras coisas, adéquem a Lei da Gestão Democrática e o PDAF ao PDE, cujo PL já está protocolado na Casa Civil e o governo não encaminha. O secretário informou que está programada para a primeira semana de agosto a aprovação da lei pela Câmara Legislativa do Distrito Federal.

“Continuaremos lutando para que a parcela do PDAF seja paga e que leis positivas para a educação pública sejam respeitadas pelo Governo do Distrito Federal”, afirma a direção do Sinpro-DF.

Informações: Sinpro-DF

Especialíssimo Jornal: Um pedaço da história do rock no Guará (DF)

O Especialíssimo Jornal é o resultado experimental da disciplina Jornalismo Especializado I, do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Brasília, ministrado por mim, Cynthia da Silva Rosa. As editorias desenvolvidas são Cidade, Educação, Esporte e Polícia e o objetivo do exercício é a cuidadosa elaboração da pauta, apuração com fontes fidedignas e montagem da matéria com os variados recursos de linguagem. Confira a reportagem com o produtor, escritor e colecionador brasiliense, Mário Pazcheco:

Quando nos falaram que existia um museu do rock no Guará, quase não acreditamos. Fomos para casa de Mário Pazcheco, localizada num condomínio na frente do parque Denner. Chegamos na casa, e Mário apareceu de blusa, bermuda e chinelo e com um sorriso no rosto. A casa situa-se num minilatifúndio no Guará, herdado de seu pai nos anos 80,  e a intenção do grupo era conhecer o museu, saber mais sobre o rock. Mas quando nos deparamos com a casa de Mário, percebemos que o museu seria a última coisa que veriamos. Cheia de grafites, pinturas, exposições artísticas e azulejos, a impressão que a casa de Mário passa é de que está viva. Venha passear conosco no Museu do Dez Mil Dias do Rock.

Nosso passeio começou pela parte lateral direita da casa, na churrasqueira. Mário nos mostrou a parede de óculos que ele e seu amigo Jurimar montaram. É uma parede diferenciada e divertida, com diversos óculos de personagens da história da música. Como o óculos de Sessé, maior guitarrista de Brasília, segundo seu grande amigo Mário. Outra peça importante dessa coleção é de Rogério Duarte, que criou a capa do movimento tropicalista. O ambiente recebeu um acréscimo especial de Mário: luzes de natal.

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Mário apresentando o mural de óculos feito por ele e seu amigo. Foto: Rodrigo Neves.

Depois disso, passamos para as impressões artistas nas paredes, o primeiro painel feito por Daide em uma festa que ocorreu na casa, chamada sétimo céu. A pintura é de uma mulher com traços negróides e toda pintada de azul. Ao lado dessa pintura, há um grafite,  como o dono da casa declara, de grafiteiros que resolveram deixar sua arte na casa. Mário afirma que a arte em sua casa, vem para incomodar. Para os nossos olhos, ela nos transmite paz por ser tão diferente.

Continuamos o tour e passamos por um muro localizado na parte direita da casa, onde está desenhado uma arte rupestre, ao lado um desenho do Hulk perseguindo Batman, Batgirl e o Homem de Ferro. Mário chama essa pintura de “O Hulk chegou na cidade”. Ao longo do trajeto pelo terreno, a caminho do Museu, Mário vai mostrando todas as coisas que ele já ganhou, como uma pia, manequins, vinis, garrafas, dentre tantas outras coisas que ele recebe. Ele afirma que recebe muitos presentes, mas também dá muita coisa para as pessoas. Quando a humanidade entrar em extinção e outra sociedade colonizar a terra, Mário espera que encontrem sua coletânea de rock, suas pinturas, suas artes e consigam descobrir um pouco dos seres humanos através de sua contribuição.

Um dos grandes motivos de sua casa ser tão viva e artística é sua esposa Rosângela, artista plástica. Mário afirma que ele faz, ela aprimora e ainda deixa um pouquinho da marca dela nas artes dele. Absolutamente tudo que Mário toca, vira arte. Um cabide, um clips, uma borracha, tudo possui uma intenção em sua vida, portanto tudo vira arte. Aquilo que é considerado lixo é exatamente o que Mário transforma. Mário nos acompanhou até o ateliê de sua companheira. Lá encontramos Rosângela, com duas pinturas magníficas na parede atrás dela. Tímida, faz seus trabalhos manuais, concentra-se e parece até estar meditando enquanto faz sua criação. Mário mostra todos os objetos que ainda não possuem uma função na casa, mas que um dia terão – ele ainda não resolveu nem quando nem onde, mas terão, garante. Como uma escada de madeira, que está ao lado esquerdo da porta.

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Rosângela, artista plástica, em seu ateliê fazendo o que mais gosta de fazer: sua arte. Foto: Fernanda Soraggi.

Saímos do ateliê e fomos conhecer a parte lateral esquerda da casa, o grande jardim que fica em volta do lar. Ali já ocorreram diversas partidas de futebol e nenhuma briga. E não é só de artistas profissionais que o muro de Mário é pintado,  também há pinturas de seus filhos nas parede. O sonho de toda criança, poder desenhar na parede sem ser colocada de castigo!

Seguindo pelo caminho, o visionário nos conta sobre as árvores que já estavam ali antes mesmo de ele ter nascido, dos matos que ele deve cortar, do saco preto que separa seu lote do vizinho, que deixa água parada, e Mário teve que cobrir para não ter dengue. Até que chegamos quase na metade do lote. Mário pára, olha para cima, fala que mora ali desde 1985, que ama aquele lugar. Perguntamos se ele nota diferença na natureza daquele tempo para cá. “Claro que sim: agora o pequeno córrego que passa por trás do mini latifúndio está poluído, algumas árvores ainda resistem, mas tudo está contaminado”, afirma, desconsolado. Saímos dali e fomos para “onde a mágica acontece”.

Na parte de trás da casa, um pequeno estabelecimento para shows que Mário criou, uma espécie de palco. Feito de tijolos, com o chão de madeira e com diversos objetos dentre quadros, escadas e entre outros apetrechos, ali é onde as bandas se apresentam. Ficamos de frente para o lugar, sentados em um banco, também feito por ele. Mário conta que antes as bandas vinham com muito mais frequência, mas ultimamente ele não deixa tantos shows acontecerem quanto antes. Por diversos motivos: sujeira, barulho que os vizinhos reclamam, o telefone que não para de tocar; além de alguns músicos, bastante abusados. Nos levantamos e nos dirigimos até o palco. Atrás existe uma enorme caixa d’água, que capta a água da chuva, também feita pelo construtor.

Logo após conhecemos à parte interior de sua casa. A casa possui dois andares e é bastante grande. Lá dentro há mais pinturas psicodélicas, na parede da sala e na porta do banheiro. Também há uma caixa enorme com todos os vinis que foram gravados pela Apple Records dos Beatles. Até para quem não é fã dos Beatles, isso é de encher o coração de felicidade. Logo em frente, há três armários lotados de vinis e CDs com vários estilos musicais: rock nacional e internacional, MPB, e muito mais. Tudo muito organizado. Mário cuida muito bem de todos seus pertences.

 

Andamos mais um pouco e, ao lado, encontramos um bar chamado La Revolución. Mário brinca dizendo que todo mundo gostaria de ter um bar dentro de casa e ele tem um. Esse bar também foi um presente de uma amiga dele.

Ao lado desse ambiente, há uma escada que nos encaminha para nosso destino. E, afinal, chegamos ao tão estimado Dez Mil Dias de Rock, como o cuidador chama seu imponente acervo musical. Então, tudo fica muito mais impressionante. São diversos recortes de jornais antigos falando sobre o rock, há CDS de diversas bandas que já tocaram em sua casa, também há vinis, revista em quadrinhos de muito tempo atrás, guitarra, bateria e livros da UnB, com diversos temas desde arquitetura até movimentos artísticos. O método de organização das bandas é: cada banda possui uma certa quantidade de CDs, ele coloca todos um do lado do outro e afirma: “Os CDs são para os ouvidos”. Depois os DVDs da mesma banda, “para os olhos”. Mário afirma a importância de sempre estar tocando em tudo, o tempo todo, senão apodrece. Então ele, de tempos em tempos, lê e escuta tudo.

E, de repente, quando percebemos, tinha acabado a tour. Foram duas horas de visita, duas horas de muita conversa e ganho de conhecimento. Foi uma experiência de arrepiar e de tocar qualquer artista, músico ou jornalista. O que tem guardado naquela casa é um grande histórico musical, artístico do ser humano. É um grande orgulho de termos passado um tempo naquele lugar tão especial.

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